Polícia Civil da Paraíba: Eficiência sem investimento estatal

      Mal a noite começa a se despedir do dia, mais um detido é encaminhado à delegacia de polícia civil para as devidas providências legais. Na delegacia, aberta efetivamente 24 (vinte e quatro) horas por dia, as chegadas de vítimas, testemunhas e malfeitores não param. Da simples lavratura de uma certidão de perda […]

Por Editoria Delegados

15jan13-delegacia-paraiba.2

 

 

 

Mal a noite começa a se despedir do dia, mais um detido é encaminhado à delegacia de polícia civil para as devidas providências legais. Na delegacia, aberta efetivamente 24 (vinte e quatro) horas por dia, as chegadas de vítimas, testemunhas e malfeitores não param. Da simples lavratura de uma certidão de perda de documentos, da confecção do Auto de Prisão em Flagrante, até uma investigação sigilosa, tudo passa pela repartição policial civil.

As equipes se revezam diuturnamente para atender as ocorrências informadas diretamente ou pelo disque denúncia 197, os casos trazidos pela Polícia Militar, responsável constitucionalmente pelo policiamento ostensivo, na rua, como também para proceder as investigações necessárias à conclusão dos procedimentos policiais.

A autoridade policial, o delegado de polícia, se reveza no atendimento do cidadão, na oitiva de vítimas, testemunhas e suspeitos, além de atuar como o primeiro juiz ao analisar os fatos trazidos ao seu conhecimento, definir o crime praticado, arbitrar fiança, representar pela busca e apreensão, pela prisão preventiva, dentre outras medidas, além de coordenar sua equipe para que o trabalho diário seja concluído com êxito.

Sua equipe, composta por escrivão, agentes de investigação policial, motorista policial e pessoal de apoio se desdobra para dar conta das determinações expedidas.

Hoje, no Brasil, com as devidas exceções, as Polícias Civis passam por dificuldades. Seja a falta de pessoal, a precariedade da viatura policial sem qualquer condição de uso, a inexistência de equipamento mínimo necessário para o trabalho policial e pericial, os policiais se desdobram para atender o cidadão e apresentar à sociedade o resultado de seu esforço pessoal e coletivo.

Na Paraíba, acontece o mesmo. Embora a polícia civil tenha sido alvo desde 2003 de dois concursos públicos, a situação é calamitosa. Contando atualmente com pouco mais de 1.800 servidores, a Polícia Civil vem perdendo pessoal em razão das aposentadorias, licenças médicas e das exonerações em razão dos servidores passarem em outros concursos públicos. Dos mais de 400 delegados nomeados no concurso de 2003, atualmente e em atividade somente restam 120 delegados. E tal projeção se repete com relação aos agentes e escrivães.

Do concurso de 2008, poucos foram nomeados, e mesmo entre os policiais não se sabe informar o porquê do governo não fazer as nomeações, já que reiteradas vezes a própria polícia civil levou a necessidade urgentíssima ao governador do Estado, que ficou silente e imóvel.

As viaturas, reformas em imóveis, e equipamentos que chegaram à Polícia Civil nos últimos tempos somente fizeram ocupar o lugar dos inservíveis e deram mais salubridade e dignidade ao trabalho policial. De investimento real, nada.

Mas, fica uma pergunta que não quer calar: como uma polícia judiciária com o segundo pior salário do país, sem a contratação de pessoal urgentemente necessário, sem equipamentos e locais salubres para trabalhar consegue reduzir o número de homicídios em mais de 5% (cinco por cento) em 2012 se comparado com 2011 e o número de assaltos a bancos em mais de 20% (vinte por cento) com relação aos estados nordestinos?

Outros estados investiram em pessoal, equipamentos, armas e veículos, e os homicídios aumentaram mais de 30% (trinta por cento) por mês e os assaltos em 148% (cento e quarenta e oito por cento) no ano, ambos em comparação a 2011.

Onde a diferença?

Num olhar mais acurado, a resposta é simples: o policial civil, o servidor.

Embora em número abaixo do mínimo necessário para a extensão territorial e a complexidade dos infrações penais cometidas na Paraíba, o servidor policial civil paraibano, composto de pessoas de vários estados da federação, ao assumirem seus cargos, fizeram da Paraíba o seu lar, cumprindo fielmente os seus deveres.

Quando a população, através dos meios jornalísticos e/ou internet, toma conhecimento duma operação policial, na maioria das vezes não sabe quantas horas foram dispendidas pelos policiais no planejamento, nas diligências, nas campanas, até se deflagrar a operação que recebe nome sugestivo: quark, esqueleto, vela de libra, rota do seridó, e até apocalipse, esta porque deflagrada no último dia 21 de dezembro, dia que se esperava, segundo o calendário maia, o fim do mundo.

Para o policial civil da Paraíba, não há hora de descanso, se o trabalho o reclama. Trabalhando diariamente em sua repartição policial e mais se revezando em plantões diários, o policial não recusa serviço, seja na área urbana, seja na área rural, está pronto para os desafios que se apresentam. Mesmo privando a família de sua presença, mantém-se numa campana no meio do mato por mais de quarenta horas ininterruptas, troca tiros com assaltantes em perseguição policial, mesmo com o risco pessoal de ser morto ou lesionado.

Segundo Clauber W. Vieira de Paula, no artigo “Ser Policial”, “Ser policial, portanto, é estar diante de situações antagônicas e ao mesmo tempo complementares: é o enfrentamento da violência em defesa do cidadão. É a abordagem ao indivíduo suspeito com o fim de prevenir novos delitos. É a satisfação de prender quem acabou de cometer um crime. O maior orgulho e a melhor recompensa para o ser policial, é aliar as atividades do dia-a-dia com o servir ao próximo. Afinal, exerce esta árdua profissão em defesa do outrem e não para sua própria defesa. E aí reside o ponto alto de ser policial: a possibilidade experimentada por poucos de assumir o papel de guardião da sociedade!”

Sem os investimentos urgentes na contratação do pessoal concursado e em mais um grande concurso, a Paraíba corre um grande risco, de perder a guerra contra o crime. Sem pessoal, sem equipamento e locais salubres, o desgaste, que hoje já se verifica nas fileiras policiais, somente aumentará. Embora com toda a vontade de diminuir a cada dia a criminalidade, a polícia precisa que o governo do Estado faça a sua parte.

Não há lugar para o gestor que acredita que somente ele está certo e que acredita piamente nas informações repassadas por pessoas que não vivem o dia a dia policial, é necessário descer do palanque, arregaçar as mangas, estar lado a lado com a polícia civil, participar de suas atividades, conhecer a polícia que está de portas abertas para receber a maior autoridade policial do estado: o governador. Somente vivendo a atividade policial, sonhando os sonhos dos servidores, se poderá realizar muito mais em pouco tempo. Os policiais aguardam ansiosamente essa contrapartida.

Plagiando Euclides da Cunha, que disse ser o nordestino um forte, o policial civil é um forte, e nas palavras de Jessier Quirino, na poesia “Ser policial”:

É, é pouco a comemorar Mas tenho fé na mudança
Creio [como na infância] Que um dia irei expressar Dizer, difundir, gritar
Com força batendo no peito Um profissional satisfeito Honrado pelo País
Quando estiver crescido Quero dizer decidido
Sou POLICIAL. Sou feliz!

 

Por Robertta Pessoa e colaboradores

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

Veja mais

A exigência do contraditório e da ampla defesa no inquérito policial

Por Rafael Francisco Marcondes de Moraes e Francisco Sannini

Delegado Michel Sampaio rebate acusação de perseguição e aponta retaliação de servidora

(MA) Michel Sampaio formalizou uma representação criminal junto à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, apontando possíveis crimes de abandono de função, peculato-desvio e fraude processual

Lei Orgânica Nacional: ainda sobre a aglutinação de cargos. A questão da constitucionalidade

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Delegado Charles Pessoa lidera pesquisa para deputado federal no Piauí!

(PI) Delegado do Povo: Charles Pessoa conquista os corações dos piauienses nas ruas e nas redes

Delegados da PF cobram cúpula da Academia Nacional sobre exclusão de colega por ‘incompatibilidade de ideias’

ADPF oficia ANP para obter justificativas sobre exclusão de Delegado Federal da equipe docente

Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis: As Alterações dos Cargos Policiais

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

PL da Misoginia: quando o ódio às mulheres deixa de ser opinião e se torna crime

Por Francini Imene Dias Ibrahin (Sindpesp)*
Veja mais

Chico Lucas assume coordenação de escritórios nacionais de combate às facções

08JUL26 -
Secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, fortalece a atuação integrada entre as forças de segurança estaduais e federais no enfrentamento às organizações criminosas

Paulo Gondim segue, pela 3ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 PAULO GONDIM
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Crescente popularidade das plataformas digitais baseadas em aplicativos

07JUL26 - (1)

O entretenimento digital evolui cada vez mais em torno dos aplicativos móveis, pois eles se ajustam melhor aos hábitos do público moderno. No Brasil, onde o smartphone se tornou o

Três são presos após sequestro de idosos e comemoração em hotel, na PB

04JUL26 -
(PB) Atuou na investigação o delegado Lucas Sá, da PCPB

Em João Pessoa, secretário do Governo Lula destaca integração entre estados e reforça combate às facções criminosas com ‘cooperação’

Francisco Lucas, Secretário Nacional de Segurança Pública
(PB) Representando o ministro da Justiça, Chico Lucas apresentou ações do programa Brasil Contra o Crime Organizado e defendeu cooperação entre forças de segurança de todo o país

Duelos, Desafios e Legítima Defesa

04JUL26 -
Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Entidades de Delegados de Polícia emitem nota de pesar pelo falecimento do delegado Michel Saliba

Delegado de Polícia Federal Michel Brasil Saliba
Michel Brasil Saliba foi atingido durante cumprimento de mandado de busca no apartamento da companheira do policial militar. Delegado foi levado ao hospital em estado grave, mas não resistiu
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.