Câmera de segurança mostra início da confusão antes da morte de João Alberto no RS

RS: Imagens obtidas pelo Fantástico mostram um ângulo diferente das agressões brutais e da imobilização do cidadão negro, que duraram mais de cinco minutos Novas imagens das câmeras de segurança de uma unidade do Carrefour de Porto Alegre mostram por outro ângulo a confusão antes do assassinato brutal de João Alberto Silveira Freitas por dois […]

Por Editoria Delegados

RS: Imagens obtidas pelo Fantástico mostram um ângulo diferente das agressões brutais e da imobilização do cidadão negro, que duraram mais de cinco minutos

Novas imagens das câmeras de segurança de uma unidade do Carrefour de Porto Alegre mostram por outro ângulo a confusão antes do assassinato brutal de João Alberto Silveira Freitas por dois seguranças na noite de quinta-feira (19). Veja ao final.

No novo vídeo, obtido pelo “Fantástico” neste sábado (21), é possível ver toda a sequência do espancamento:

  • João Alberto é seguido por dois seguranças e dá um soco em um dos funcionários.
  • Ele é agarrado e começa a ser agredido com chutes e socos, resistindo ainda de pé à tentativa de imobilização.
  • Quinze segundos depois, um segurança pega uma das pernas de João Alberto e o derruba pela primeira vez.
  • João Alberto fica de cócoras, com um segurança agarrado às suas costas enquanto outro dá socos em sequência em sua cabeça. A cena é acompanhada por uma funcionária não identificada.
  • Após levar uma primeira série de socos na cabeça, João Alberto tem dificuldade para se defender e passa a ser agredido com socos no abdômen. Ele é atingido ainda por uma joelhada na cabeça.
  • Quase um minuto depois, um homem, de bermuda e não identificado, chega e faz um gesto pedindo calma. João Alberto permanece imobilizado de cócoras.
  • Dois homens uniformizados chegam correndo do interior da loja. Um deles, de camiseta branca e gravata, ajuda os dois seguranças que já estavam segurando João Alberto. O outro homem de gravata e paletó observa a ação.
  • João Alberto passa a ser mantido deitado no chão por três pessoas. O espancamento continua com mais socos na cabeça, inclusive desferidos por um dos dois homens uniformizados que não tinha participado do começo das agressões.
  • O homem de paletó que acompanhava o espancamento passa a ajudar na imobilização, colocando a perna sobre João Alberto e jogando o peso do corpo sobre a vítima.
  • Depois de João Alberto ser espancado por mais de 1 minuto e meio, a mulher dele, Milena Borges Alves, se aproxima e tenta impedir as agressões contra o companheiro, que permanecia no chão.
  • Três homens uniformizados afastam Milena.
  • A dupla de seguranças permanece sobre o corpo de João Alberto, que é espremido de peito contra o chão.
  • Um dos funcionários fica com o joelho nas costas de João Alberto, perto do pescoço.
  • João Alberto para de se mexer depois de mais de quatro minutos de agressão, sendo três deles sufocado e imobilizado com o joelho de um dos seguranças perto do seu pescoço.

Foram presos pelo crime duas pessoas que atuavam na vigilância da loja: o policial militar Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, e o segurança Magno Braz Borges, de 30.

Sobre as agressões brutais dos seguranças após um deles ter levado um soco, a delegada disse: “Jamais se justificaria qualquer tipo de desentendimento, seja ele qual for, para que levasse a efeito tamanha violência como a que ocorreu durante a ação desses seguranças nesse supermercado.”

A delegada Roberta Bertoldo afirmou na sexta-feira (20) que colheria depoimento de todos os que “assistiram passivamente” ao crime.

O pai de João Alberto, João Batista Rodrigues Freitas, disse ao G1 na sexta-feira (20): “Mesmo que fosse um soco, acho que isso não é motivo para tirar a vida de uma pessoa”. Ele classificou de “agressão covarde” e um “ato de racismo” o assassinato do filho.

“Uma monstruosidade, com certeza. Podiam ter imobilizado ele, podia ter esperado a brigada chegar. Não precisa fazer tudo o que fizeram, porque não se faz com bicho, com animal, com pessoa, com ninguém. Ficou uma coisa na cabeça, que não sai, ainda mais os gritos dele, sabe”, disse nese sábado Tais Alexia Amaral Freitas, filha de João Alberto.

O assassinato de João Alberto gerou manifestações em todo o Brasil contra o assassinato e contra o racismo no país. Autoridades, acadêmicos, entidades sociais e personalidades deram diversas declarações de repúdio ao assassinato.

O presidente Jair Bolsonaro disse que tensões raciais são importadas e “alheias” à história do país. O vice-presidente Hamilton Mourão lamentou a morte, mas afirmou que não há racismo no Brasil.

João Alberto foi enterrado na manhã deste sábado (21), em Porto Alegre. Amigos e familiares fizeram uma última homenagem à vítima.

Muito abalada, a mulher de João Alberto, Milena Borges Alves pediu justiça. “Eu não tenho nada pra falar. Só quero justiça, quero que paguem”.

Uma das filhas dele, Taís Amaral Freitas, agradeceu o apoio que a família tem recebido. “A gente até se sente confortável por isso, mas mesmo assim, não traz a vida de volta. Não tem muito o que falar, depois de ver aquelas imagens”.

Amigo próximo do soldador, Noé Fernando Pithan também prestou uma última homenagem.

“Brincalhão, divertido, parceiro mesmo, até eu tenho camisa de clube que ele me deu, e gostava de andar de boné, camisa de clube. Não tem como aceitar uma coisa dessa, não tem como, ninguém vai te explicar isso daí”, desabafa.

Prisão em flagrante e apuração interna

Os dois agressores – o policial militar Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, e o segurança Magno Braz Borges, de 30 – foram presos em flagrante e tiveram a prisão preventiva decretada na tarde desta sexta.

As análises iniciais do Instituto Geral de Perícias do RS (IGP-RS) apontaram para a possibilidade de asfixia como causa da morte de Beto.

O advogado William Vacari Freitas, que defende Magno, disse ao G1: “Vamos aguardar o resultado das perícias e das demais investigações”.

Já o advogado David Leal, que assumiu a defesa de Giovane, afirma que seu cliente relatou que João Alberto “estava alterado” e “deu um encontrão em uma senhora” no supermercado. Eles devem ser indiciados por homicídio triplamente qualificado.

O presidente global do Grupo Carrefour, Alexandre Bompard, se pronunciou dizendo que a morte de João Alberto Silveira Freitas foi um “ato horrível” e que repudia a intolerância.

Bompard também informou ter pedido para que as equipes do grupo no Brasil colaborem com a Justiça e as autoridades para que “os fatos deste ato horrível sejam trazidos à luz”. Ao afirmar que medidas foram tomadas em relação à empresa de segurança contratada, o executivo apontou que “essas medidas são insuficientes”. Na sexta-feira, o Carrefour no Brasil já havia informado que romperia o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão.

Em nova nota divulgada neste sábado (leia abaixo), a empresa falou que foi o dia mais triste de sua história, que vai doar os resultados de vendas desse dia para entidades de combate ao racismo. O Carrefour rompeu o contrato com a empresa terceirizada, e esta demitiu os funcionários.

O dia 20 de novembro, que deveria ser marcado pela conscientização da inclusão de negros e negras na sociedade, foi o mais triste da história do Carrefour. Palavras não expressarão nossa angústia com a brutalidade.

Daremos todo o apoio à família de João Alberto Silveira Freitas e, em respeito a ele, nossa loja de Passo D’Areia fechou ontem e permanecerá fechada hoje. Além disso, todo o resultado das vendas do dia 20 de novembro das lojas Carrefour Hipermercados será doado para entidades ligadas à luta pela consciência negra. Hoje, abrimos mais tarde para reforçarmos o treinamento antirracista com todos os nossos funcionários e terceiros.

Continuaremos com nossa transparência, informando os próximos passos. Nada trará a vida de João Alberto de volta, mas estamos certos de que este momento de profundo pesar se converterá em ações concretas que impedirão que tragédias como essa se repitam.

G1

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