O delegado deve ser o “Juiz de Garantias”

Por Renato Nalini José Renato Nalini O que algumas propostas chamam de “juiz de garantias”, não é senão o “juizado de instrução”, que funciona adequadamente em países como a França. No Brasil, há absurdos que perduram e que ninguém tem a coragem de alterar. Um deles é a necessidade de um inquérito policial, que não […]

Por Editoria Delegados

Por Renato Nalini


José Renato Nalini

O que algumas propostas chamam de “juiz de garantias”, não é senão o “juizado de instrução”, que funciona adequadamente em países como a França.

No Brasil, há absurdos que perduram e que ninguém tem a coragem de alterar. Um deles é a necessidade de um inquérito policial, que não pode servir de alicerce para a condenação criminal.

A colheita de provas imediatamente após a prática de um ilícito se faz pela chamada “polícia judiciária”. A autoridade que a preside se chama Delegado de Polícia. Desde 1988, esse inquérito há de ser feito sob a égide do contraditório e da amplitude de defesa. Ou seja: tem o componente essencial a que se o considere como peça chave para que se faça justiça. Com a punição do acusado que se provar efetivamente culpado e a absolvição daquele cuja prova considerar inocente.

O inquérito policial se converte em peça inócua, porque não é suscetível de amparar a condenação judicial. Em juízo, repete-se toda a colheita de provas. Retrabalho incrível e contraproducente.

A testemunha foi ouvida na fase do inquérito e, depois de meses – ou até anos – é novamente chamada para repetir o seu depoimento em juízo. Natural não se recorde mais dos fatos. Mesmo assim, chega a ser ameaçada: mentiu lá na polícia ou está mentindo aqui, perante o juízo?

A solução é converter a carreira de delegado de polícia em juiz de instrução. Encerrado o inquérito, esse material é encaminhado ao juiz que julgará. Sem a necessidade de reproduzir toda a prova colhida.

Ganha a celeridade, ganha a segurança, ganha o merecido reconhecimento ao delegado de polícia. Acaba a sensação de impunidade. A apuração e a condenação – ou absolvição – será muito mais próxima ao fato e isso dissuadirá o infrator a perpetrar atos infracionais que hoje não amedrontam os mais espertos.

Essa proposta já foi formulada há muitos anos em palestras, em conferências, em livros. Mas no Brasil, o óbvio precisa ser reiterado a cada instante, até que alguém se proponha a ouvir.

Não é preciso criar mais uma figura, o “juiz de garantias”, se o delegado de polícia, na prática, já realiza essa tarefa e, sendo portador do grau de bacharel em ciências jurídicas, concursado e efetivado, tem todas as condições para servir como “juiz de instrução”. Estratégia racional, pragmática e econômica. Por que criar mais uma carreira jurídica, se existe aquela que já se ajusta, à perfeição, nas tarefas hoje cometidas ao delegado de polícia? Não haverá necessidade de concurso e o ganho será imediato e manifesto. Mas nem sempre o bom senso impera em terra brasilis…

Sobre o autor

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020. Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

 

Veja mais

Criança surpreende ao dar presente a delegado durante prisão do tio

(GO) Segundo o delegado, a criança vive no lote em que mora o tio e ficou rodeando a equipe policial durante a prisão. O tio foi preso suspeito de perseguição,

Policiais morrem mais por suicídio do que em confrontos

(MG) Suicídios entre policiais superam mortes em confrontos e crescem 40%

Rafael Fonteles fala sobre anuário da segurança e aponta avanço no Piauí

Piauí é o estado menos violento de toda a Região Nordeste

Piauí é o estado menos violento da Região Nordeste

(PI) Governador Rafael Fonteles fala sobre anuário da segurança e aponta avanço no Piauí

A exigência do contraditório e da ampla defesa no inquérito policial

Por Rafael Francisco Marcondes de Moraes e Francisco Sannini

Delegado Michel Sampaio rebate acusação de perseguição e aponta retaliação de servidora

(MA) Michel Sampaio formalizou uma representação criminal junto à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, apontando possíveis crimes de abandono de função, peculato-desvio e fraude processual

Lei Orgânica Nacional: ainda sobre a aglutinação de cargos. A questão da constitucionalidade

Por Eduardo Luiz Santos Cabette
Veja mais

Delegado Charles Pessoa lidera pesquisa para deputado federal no Piauí!

20JUL26 -(1)
(PI) Delegado do Povo: Charles Pessoa conquista os corações dos piauienses nas ruas e nas redes

Delegados da PF cobram cúpula da Academia Nacional sobre exclusão de colega por ‘incompatibilidade de ideias’

20JUL26 -
ADPF oficia ANP para obter justificativas sobre exclusão de Delegado Federal da equipe docente

Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis: As Alterações dos Cargos Policiais

17JUL26 -
Por Eduardo Luiz Santos Cabette

PL da Misoginia: quando o ódio às mulheres deixa de ser opinião e se torna crime

16JUL26 -
Por Francini Imene Dias Ibrahin (Sindpesp)*

Chico Lucas assume coordenação de escritórios nacionais de combate às facções

08JUL26 -
Secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, fortalece a atuação integrada entre as forças de segurança estaduais e federais no enfrentamento às organizações criminosas

Paulo Gondim segue, pela 3ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 PAULO GONDIM
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Crescente popularidade das plataformas digitais baseadas em aplicativos

07JUL26 - (1)

O entretenimento digital evolui cada vez mais em torno dos aplicativos móveis, pois eles se ajustam melhor aos hábitos do público moderno. No Brasil, onde o smartphone se tornou o

Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.