Delegados deixam Pernambuco em meio à desvalorização da carreira

(PE) Para o presidente da ADEPPE, delegado Diogo Victor, o cenário reflete uma política de desvalorização da carreira no estado, especialmente quando comparada a outras funções do sistema de Justiça

Por Editoria Delegados

Delegado Diogo Victor, presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil de Pernambuco

Um movimento considerado inédito está acendendo um alerta na segurança pública de Pernambuco: delegados e até alunos em formação estão deixando o estado para assumir cargos em outras regiões do país. A informação é da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (ADEPPE), que classifica o cenário como uma “debandada” de profissionais qualificados.

De acordo com a entidade, candidatos em formação já abandonaram o curso de delegados para ingressar nas Polícias Civis da Paraíba, Amazonas e São Paulo. Há ainda a previsão de novas saídas já no mês de maio, incluindo delegados que devem migrar para a Polícia Civil do Ceará. Também foram registrados casos de profissionais que deixaram a carreira para assumir cargos no Ministério Público em estados como Ceará e Rio Grande do Norte.

Para o presidente da ADEPPE, delegado Diogo Victor, o cenário reflete uma política de desvalorização da carreira no estado, especialmente quando comparada a outras funções do sistema de Justiça.

“Estamos vivendo uma situação inédita. Pernambuco, que antes atraía profissionais, hoje perde seus quadros. Isso não acontece por acaso. Enquanto outras carreiras jurídicas, como a Defensoria Pública, vêm sendo valorizadas, com reajustes e reconhecimento institucional, os delegados enfrentam uma realidade de desvalorização salarial e estrutural. Hoje, um defensor público chega a receber cerca de 3,5 vezes mais que um delegado substituto. Essa distorção acaba sinalizando que é melhor defender o criminoso do que colocá-lo atrás das grades”, afirma Diogo.

Mais delegados vão embora de Pernambuco

Segundo a associação, o impacto vai além da carreira e atinge diretamente a população, com risco de enfraquecimento da capacidade investigativa e do funcionamento da Polícia Civil no estado.

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