A violência enfrentada diariamente pelos policiais brasileiros vai muito além dos confrontos com criminosos. Embora o risco da atividade policial esteja historicamente associado ao enfrentamento da criminalidade, especialistas e representantes da categoria têm chamado atenção para um inimigo menos visível, porém igualmente devastador: o próprio sistema.
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Jornadas exaustivas, pressão psicológica constante, baixos efetivos, falta de reconhecimento institucional e insuficiência de políticas permanentes de saúde mental transformam a rotina desses profissionais em um ambiente de desgaste contínuo. Estudos recentes também apontam que o sofrimento psíquico dos agentes está fortemente relacionado às condições de trabalho e à necessidade de políticas preventivas.
Além da exposição permanente ao perigo, diversos policiais relatam a sensação de abandono após ocorrências críticas. Em muitos casos, o acompanhamento psicológico é insuficiente, programas de prevenção são limitados e o suporte às famílias ainda é precário.
A discussão também evidencia que preservar a saúde física e emocional dos agentes representa um benefício direto para toda a sociedade. Policiais mais preparados, amparados e emocionalmente saudáveis tendem a desempenhar suas funções com maior equilíbrio, capacidade de tomada de decisão e qualidade no atendimento à população.
Nesse contexto, a frase “Não é o criminoso que mais mata policiais no Brasil… é o sistema” simboliza uma crítica às deficiências estruturais que afetam milhares de profissionais da segurança. Mais do que apontar culpados, a mensagem busca provocar reflexão sobre a necessidade de políticas públicas efetivas, gestão humanizada, prevenção do adoecimento mental, valorização profissional e assistência permanente aos agentes.
O enfrentamento da criminalidade continuará sendo uma missão essencial das forças policiais, mas cuidar daqueles que assumem diariamente essa responsabilidade é igualmente indispensável para reduzir perdas, preservar vidas e fortalecer a segurança pública brasileira.
Sobre a autora
Raquel Gallinati é Delegada de Polícia Civil do Estado de São Paulo, diretora da Adepol do Brasil e ex-deputada estadual/SP.
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