‘O afastamento do sigilo bancário pelo delegado de polícia’, por Rafael Potsch Andreata

  É indiscutível que o afastamento do sigilo bancário do investigado é medida excepcional, tendo em vista tratar-se de direito à privacidade e á intimidade previsto nos incisos X, XI, XII e XIV do art. 5º da CF.       A lei complementar 105/01 em seu art. 6º permite que as autoridades fiscais e os […]

Por Editoria Delegados

 

É indiscutível que o afastamento do sigilo bancário do investigado é medida excepcional, tendo em vista tratar-se de direito à privacidade e á intimidade previsto nos incisos X, XI, XII e XIV do art. 5º da CF.

 

    A lei complementar 105/01 em seu art. 6º permite que as autoridades fiscais e os agentes tributários de todos os entes federados afastem o sigilo de dados bancários dos contribuintes quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso.

 

    O art. 14, § 3º da lei 9613/98 autoriza também que o COAF possa obter dados bancários e financeiros de pessoas envolvidas em atividades suspeitas, muito embora o texto legal faça menção ao termo requerer e não requisitar.

Já houve manifestação por parte do STF autorizando o MP a requisitar diretamente dados bancários de investigados em caso de verba pública envolvida, tendo em vista o poder de requisição conferido pela LC 75/93 e corroborado pela Lei do Sistema Financeiro – L. 7.492 -, no seu art. 29 (STF: MS 21.729, Rel. Min. Marco Aurélio).

    O art. 17-B da lei de lavagem de capitais autorizam o Ministério Público e o delegado de polícia a terem acesso a dados cadastrais de instituições financeiras e administradoras de cartão de crédito. É claro que as atribuições decorrem do poder requisitório de ambas as autoridades conferidos respectivamente pela lei complementar 75/93 e lei 9613/98.

    As CPI´s podem por autoridade própria, ou seja, sem a necessidade de qualquer intervenção judicial, sempre por decisão fundamentada e motivada, observadas todas as formalidades legais, determinar a quebra do sigilo de dados bancários por força do art.58,§ 3º da CF.

    O art. 2º, §2º da recente lei 12.830/2012 veio novamente conferir poderes de requisição de dados aos delegados de polícia na investigação criminal independentemente do delito a ser apurado, o que demonstra a preocupação do legislador em dotar o delegado de instrumentos legais para a elucidação de crimes.

    Mesmo havendo autorização legal permitindo o afastamento do sigilo sem a manifestação jurisdicional, o plenário do STF por 5×4 votos no RE 389.808, entendeu que a Receita Federal do Brasil não pode quebrar sigilo bancário diretamente sob a alegação de que os dados bancários se submetem a cláusula de reserva de jurisdição. Muito embora tenha o plenário se manifestado desta forma, a decisão só vale para as parte envolvidas no processo, pois a LC 105/2001 ainda está pendente de análise pelo Tribunal em sede de controle concentrado, tendo em vista ajuizamento de ADI.

    Com o advento da lei 12.830/2013, que no seu art. 2º, §2º deu poder de requisição de dados ao delegado de polícia, sustentamos que entres estes dados, estariam também incluídos os bancários quando no inquérito policial se apure também algum crime que envolva verba pública, pois entender de modo diverso estar-se-ia dando tratamento diverso a autoridades administrativas que possuem o poder de requisitar dados.

    Por fim, após verificarmos as inúmeras previsões contidas nos textos legais e conjugá-las com a decisão do STF que autorizou o MPF a afastar o sigilo bancário em se tratando de verba pública, podemos concluir que os dados bancários não se sujeitam a reserva de jurisdição, tendo em vista que os membros do ministério público e os congressistas já tiveram reconhecidas as atribuições de afastar sigilo sem autorização judicial, não havendo argumentos que impeçam o delegado de polícia de utilizar os mesmos procedimentos de investigação após inquérito policial devidamente instaurado e submetido a controle judicial.

 

Sobre o autor

Rafael Potsch Andreata é Delegado de Polícia Federal

 

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

Veja mais

Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre direção da PF

Fachin suspende decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da PF e decisão de Dino que reintegrou diretor

Salário de agente, escrivão e investigador não pode ficar vinculado ao de delegado, decide STF

Supremo invalida vinculação da remuneração de policiais civis à de delegados de Polícia Civil

Dino determina reintegração de diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues

Flávio Dino reverte afastamento de cúpula da PF, critica 'decisão em causa própria' e aponta risco a investigações do caso 'Dark Horse'

Fenadepol e ADPF divulgam notas de repúdio após afastamento de dirigentes da Polícia Federal

Entidades Federais defenderam a preservação das prerrogativas institucionais do órgão

11 Diretores da Polícia Federal apoiam Andrei Rodrigues e entregam cargos

O pedido de vista não derruba a liminar de André Mendonça, que continua valendo. Com o afastamento de Andrei, o diretor-executivo da PF, William Murad, deve ficar interinamente na chefia

Advogado é preso após filmar pernas de guarda municipal em supermercado

(PI) Um advogado foi preso sob suspeita de importunação sexual. O homem teria filmado, com um telefone celular, as pernas de uma guarda municipal no supermercado Pão de Açúcar, na

Ministro André Mendonça afasta Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal

Ministro do STF diz que 'há mais de 30 dias tem sido monitorado pela Polícia Federal' e submete decisão para análise da Segunda Turma
Veja mais

Uso de algemas em advogado no ‘exercício da advocacia’: decisões jurídicas policiais adotadas

Tipicidade, metodologia de abordagem, itinerário de atos, captura, uso de algemas, condução e autuação

Piauí completa quatro meses consecutivos sem registros de latrocínio

02SET26 -
(PI) Dados da Segurança Pública apontam redução contínua nos últimos três anos

Aviator online: como a regulação brasileira enquadrou os crash games e o que isso muda para o jogador

01SET26 -
Em 2026, com mais de 25 mil URLs de plataformas bloqueadas pelo SPA e 550 contas bancárias encerradas, o mercado regulado tem ferramentas reais para fazer cumprir essas garantias, e

Promotor de justiça abandona apurações de concursos por temer pistolagem, CV e PCC

Promotor Coaracy (direita) é um nome conhecido no estado porque foi procurador-Geral de Justiça de Alagoas
(AL) Titular da 17ª Promotoria de Justiça da Capital/Fazenda Pública Estadual, Coaracy é um nome conhecido no estado porque foi Procurador-Geral de Justiça de Alagoas entre 2005 e 2008.

Designer cria camisa capaz de ‘esconder’ pessoas de câmeras de vigilância com IA

Designer Simon Weckert criou camisa capaz de esconder pessoas de câmeras de vigilância com IA
'Camisa havaiana mais feia já vista no planeta' de Simon Weckert impede que tecnologia identifique o usuário como um 'ser humano padrão'

Ministério Público de SC arquiva caso de policial que matou detenta dentro de viatura para salvar colega enforcada

MP POST270826 -
(SC) Investigação e perícia concluíram que agente disparou contra presa em legítima defesa para salvar motorista que estava sendo sufocada com algemas.

“Mãe te avisou”: mulher lamenta morte de filho após roubar delegado

(SP) Nas redes sociais, a mãe do jovem diz que sempre batalhou e ensinou os caminhos certos, mas acabou perdendo o filho para a ostentação
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.