Ninguém assina recibo de corrupção, diz delegado da Lava Jato

Marcio Adriano Anselmo delegado da policia Federal e doutor em Direito Internacional pela USP Em entrevista à Folha, o delegado da Polícia Federal Marcio Anselmo, um dos principais nomes da Operação Lava Jato, afirmou que é muito difícil haver provas diretas em casos de corrupção e lavagem de dinheiro, mas um conjunto de indícios que […]

Por Editoria Delegados

Marcio Adriano Anselmo delegado da policia Federal e doutor em Direito Internacional pela USP

Em entrevista à Folha, o delegado da Polícia Federal Marcio Anselmo, um dos principais nomes da Operação Lava Jato, afirmou que é muito difícil haver provas diretas em casos de corrupção e lavagem de dinheiro, mas um conjunto de indícios que é, sim, suficiente para incriminar alguém.

 

“Ninguém vai assinar um recibo da corrupção”, disse.

 

Na investigação desde os primórdios da Lava Jato, Anselmo é referência em lavagem de dinheiro e cooperação internacional. Doutor em direito internacional pela USP, ele vai lançar um livro sobre delação nesta terça (11).

 

Responsável pelos inquéritos que investigam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele defendeu que há um “conjunto gigantesco” de provas na operação, protegido por lei, que prevê o uso das chamadas provas indiciárias no processo.

 

RECIBO DA CORRUPÇÃO

 

Ninguém vai assinar um recibo da corrupção. Nunca vai ter uma prova desse tipo. Você tem que formar um conjunto de indícios. Essa é a regra, principalmente em casos de corrupção e lavagem de dinheiro, que são crimes mais difíceis de provar.

 

É diferente de um homicídio, em que você tem o autor, a arma, o cadáver, a perícia. Você não vai ter recibo de alguém dizendo que recebeu R$ 100 mil em vantagens indevidas, referente ao contrato tal. Então, o valor da prova indiciária é muito grande.

 

[A prova indiciária] não é a prova direta dos fatos, mas uma série de elementos que te levam a uma determinada conclusão. Por exemplo, no caso do transporte de bens [do ex-presidente Lula]: por que uma empresa vai fazer um pedido, teoricamente de um terceiro, e pagar uma quantia mensal, para guardar o material de outra pessoa? Você estabelece um conjunto de elementos.

 

Em crimes de lavagem de dinheiro, em que há empresas de fachada, você também precisa fazer essa conexão. O sujeito não vai ter uma procuração da empresa, não vai deixar rastro. Isso acontece muito com laranjas.

 

PROVAS E CONVICÇÕES

 

A prova indiciária sempre existiu, desde que existe direito penal. A própria lei autoriza o uso. Não é algo que surgiu na Lava Jato.

 

Aquela frase [“não temos prova, mas temos convicção” ] nem sequer foi dita. Fizeram um jogo de palavras para tentar desconstruir. Mas há um conjunto de provas indiciárias gigantesco.

 

Se o imóvel está em nome de laranjas, é óbvio que não vai estar registrado em nome próprio. Isso a gente viu centenas de vezes na Lava Jato.

 

NOVAS DELAÇÕES

 

A colaboração tem que trazer algo novo. Tem que avançar. Não somos contra novas colaborações, mas contra aquelas que não tenham efetividade. Deve haver elementos novos e efetivos para a investigação.

 

Também não dá para pensar que o sujeito que ficou 20 anos praticando crimes vai pegar três anos de prisão domiciliar, numa mansão. Tem que ter o mínimo de pagamento por esses crimes. O custo social e ético disso é muito grande.

 

‘ESPETACULARIZAÇÃO’

 

Sempre se buscou na Lava Jato dar a maior publicidade possível do que tem sido feito, até para que a sociedade possa ter controle. [Na denúncia contra Lula, não foi feito nada além do que havia sido antes. O Ministério Público fez coletiva em todas as denúncias. Entendo isso como transparência. Quando há crimes contra a administração pública, há que ser dado o máximo de transparência.

 

PRISÕES CAUTELARES

 

A prisão do [ex-ministro Guido] Mantega, especificamente, era temporária –basicamente, para preservar prova. Mas a maioria das prisões foi mantida [nas cortes superiores]. Se não fossem necessárias, o STJ e o STF não manteriam. Tem um quadro de destruição de provas, interferência em testemunhas… todo tipo de requisito. As condutas são individualizadas, na decretação da prisão.

 

VAZAMENTO SELETIVO

 

Isso não existe. Qual seria o interesse, se a gente vai perder a efetividade de uma medida? É muito mais útil que a gente consiga o sigilo. Como a Lava Jato é muito grande, você tem interesse de todos os lados. Tem notícias de colaboração que nem sequer existe. Às vezes usam isso para passar recado.

 

DEZ MEDIDAS

 

Eu fui um dos primeiros a assinar, mas é óbvio que algumas [das dez medidas defendidas pelo Ministério Público] merecem discussão. O teste de integridade, da pegadinha do malandro, acho discutível. É o caso do flagrante preparado: não dá para montar uma historinha para o sujeito praticar crime.

 

Mas tem outras medidas plenamente aceitáveis, como executar a pena a partir da segunda instância.

 

A principal medida não está ali: a revisão do foro privilegiado. É o principal motivo da impunidade no Brasil.

 

Folha de São Paulo

 

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

 

 

 

 

 

 

Veja mais

Policiais Civis do DF passam a ganhar folga no dia do aniversário

(DF) Portaria foi publicada nesta terça (10/3) no DODF. Para que o servidor seja contemplado com o benefício, deverá atender a alguns critérios

Delegada denuncia assédio do Secretário de Segurança Pública do Maranhão

(MA) Delegada Viviane Fontenelle relatou ter sido vítima de assédio em reunião com o secretário de Segurança do MA: “Delegata”. Adepol pede investigação

ADPF comunica mobilização nacional em defesa do encaminhamento do FUNCOC

ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) informa nova fase na Mobilização Nacional

I Congresso Nacional de Delegadas do Brasil “No Combate à Violência conta a Mulher”

Iniciativa da Adepol do Brasil reúne delegadas para debater estratégias, desafios e avanços, além de apresentar carta nacional com propostas institucionais

OAB ‘suspende’ advogado que foi preso após prejudicar trabalho de policiais em delegacia do DF

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro

Jean Nunes e Chico Lucas reforçam protagonismo na articulação pela PEC da Segurança Pública e fortalecimento do SUSP

Em agenda institucional, o presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Segurança e o Secretário Nacional da Segurança Pública evidenciam cooperação federativa, defenderam integração entre entes e destacaram estratégias conjuntas

Advogado que “estuprava” e “defecava” nas vítimas é preso após prejudicar trabalho de policiais na delegacia

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro
Veja mais

Secretário Nacional de Segurança Publica reforça compromisso de acabar com a impunidade e o crime organizado no Brasil

PEC fortalece a integração entre União, estados e municípios e garante financiamento para o enfrentamento da criminalidade

Governador do Piauí comemora aprovação da PEC da Segurança Pública na Câmara dos Deputados

(PI) A proposta visa melhorar a integração dos órgãos de segurança do país e garantir mais recursos para o setor.

Tudo o que você precisa saber sobre o Flagman Casino

O conjunto cobre usabilidade, segurança, pagamentos e ritmo de promoções, fornecendo um recorte prático para decisões de cadastro

Campanha do Sindicato dos Delegados escancara sucateamento da Polícia Civil e promessas não cumpridas de Tarcísio

(SP) Movimento teve início nessa terça-feira (24/2), em diversas cidades do interior paulista; com direito a outdoors espalhados nas principais vias do estado e ofensiva digital, Sindpesp fala em baixos

Por que a morte de líderes do crime organizado raramente desmantela suas estruturas?

Delegada Raquel Gallinati (diretora da Adepol do Brasil) e Delegado Rodolfo Laterza (presidente da Adepol do Brasil)
Por Raquel Gallinati e Rodolfo Laterza

Delegados da PCDF suspendem voluntário e cobram reajuste do governo

(DF) O principal motivo da mobilização dos delegados da PCDF é a falta de reajuste no valor pago pela hora do Serviço Voluntário Gratificado

Piauí amplia sistema de videomonitoramento com instalação de totem inteligente na Capital

(PI) Equipamento reúne monitoramento inteligente, integração entre as forças de segurança e participação direta da população, consolidando uma política pública moderna, orientada pelo uso estratégico de dados
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.