Milicianos presos em ação da polícia no Rio lucravam R$ 1 milhão por mês

Grupo controlava até venda de cerol e pipa para demonstrar poder Milicianos presos na operação Armagedom, deflagrada na manhã desta quarta-feira (10), lucravam cerca de R$ 1 milhão por mês com a exploração de atividades criminosas nas comunidades do Fubá e Caixa D´Agua, no Subúrbio do Rio, e no Campinho, Zona Oeste. As informações […]

Por Editoria Delegados

Grupo controlava até venda de cerol e pipa para demonstrar poder

 

Milicianos presos na operação Armagedom, deflagrada na manhã desta quarta-feira (10), lucravam cerca de R$ 1 milhão por mês com a exploração de atividades criminosas nas comunidades do Fubá e Caixa D´Agua, no Subúrbio do Rio, e no Campinho, Zona Oeste. As informações são da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

O objetivo da ação, que contou com 450 agentes, é cumprir 48 mandados de prisão e 123 de busca e apreensão. Até as 15h30, 16 pessoas haviam sido presas, 12 devido aos mandados e três em flagrante, por atirarem contra policiais ou por porte ilegal de arma. Entre os detidos estão três PMs. Outros dois estão foragidos. Um ex-PM e um guarda municipal também são procurados.

 

Segundo o delegado Alexandre Capote, titular da Draco, esses grupos controlavam até a venda de pipa e cerol com o objetivo de mostrar aos moradores, desde cedo, quem dominava a região. “Essa foi uma operação importante, porque é um golpe duro nessa milícia altamente perigosa. Eles controlavam a venda de cerol e pipa para as crianças da comunidade. Nós percebemos que isso funcionava como marketing para mostrar para a comunidade quem eram os líderes”, afirmou Capote.
Os três grupos controlavam a distribuição de gás, água e o transporte alternativo nas comunidades. “A organização de canais a cabo, conhecido ‘gatonet’, também era realizada por eles. Outro ponto importante era a exploração de bingos na comunidade”, destacou o delegado, ressaltando que um dos bingos encontrados no Morro do Fubá ficava dentro da associação de moradores do local, onde foi encontrado até uma máquina de caça-níquel. Escutas telefônicas, exibidas no RJTV, mostram dois milicianos falando sobre o dinheiro arrecado.

 

A crueldade com que os milicianos eliminavam suas vítimas também foi alvo das investigações. De acordo com Capote, um dos líderes da milícia postava fotos dos cadáveres no facebook. O grupo que atua na região do Campinho chegou a impedir a realização de uma festa em homenagem a São Jorge. Tortura, roubos, lesões corporais graves, extorsões, ameaças, constrangimentos ilegais e injúrias também eram praticados, segundo a polícia.

De acordo com o delegado adjunto da Draco, Luiz Augusto Braga, na comunidade da Caixa D’Água dois jovens foram assassinados pela milícia por terem ido no baile funk de uma comunidade dominada por um grupo rival. O crime ocorreu na frente da mãe de um deles, que denunciou o caso à polícia. Em função disso, ela perdeu a casa que morava. “Nós temos muita dificuldade para investigar essa organização criminosa porque eles não deixam testemunhas, matam todas. É um grupo muito cruel”, afirmou o delegado.

 

A Operação Armagedom, que começou por volta das 6h, é realizada pela Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Secretaria de Segurança em parceria com o Ministério Público do Rio. A ação conta ainda com apoio da Corregedoria Geral Unificada, Corregedoria da Polícia Militar e da Corregedoria da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

 

Beltrame promete estudo da área de operação

O secretario de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou nesta quarta que após o mapeamento da área feito pela operação, será feito um estudo de como patrulhar a região. O objetivo do estudo é evitar que o tráfico de drogas assuma o controle das comunidades. Alem disso, Beltrame afirmou que a polícia não é responsável pela questão da segurança pública da cidade.

“O que eu queria dizer é que a sociedade definitivamente abra seus olhos porque, desses 48 mandados de prisão, 14 já estavam em livramento condicional. A policia levou até nove meses para re prender essas pessoas, não da para colocar na conta só da policia a questão da segurança pública” disse o secretario de Segurança do Rio.

 

G1

 

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