Lei de Segurança Nacional não se aplica a crime contra agente de Estado

    Já há alguns anos, São Paulo vive ondas de violência, ora por parte da polícia, ora por parte do que se tem creditado como crime organizado. O governo paulista não admite, mas o que vem sendo noticiado é que a parte das chacinas na capital paulista são de responsabilidade da facção criminosa PCC. […]

Por Editoria Delegados

 

 

Já há alguns anos, São Paulo vive ondas de violência, ora por parte da polícia, ora por parte do que se tem creditado como crime organizado. O governo paulista não admite, mas o que vem sendo noticiado é que a parte das chacinas na capital paulista são de responsabilidade da facção criminosa PCC.

 

No mundo jurídico, a discussão girou em torno da aplicação da Lei de Segurança Nacional, que estabelece regime diferenciado para processar e julgar os crimes considerados contra a segurança nacional, a integridade territorial e a soberania nacional. O tráfico de armas de uso exclusivo das Forças Armadas, por exemplo, é um deles. Já o artigo 30 dá à Justiça Militar a competência de julgar esses crimes.

 

Mas, para a ministra Maria Elizabeth, do Superior Tribunal Militar, essa análise deve ser feita com cautela. Ela explica que a Lei de Segurança Nacional é destinada a crimes contra o Estado, de forma institucional, e não contra seus agentes. No caso do PCC, sigla para Primeiro Comando da Capital, segundo ela, deve ser feita a análise sob a ótica da lei penal comum.

 

A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, conta, é no sentido de que a lei só se aplica aos casos em que a intenção for manifestamente atingir o Estado e desestabilizar suas instituições. O caso paulista, para a ministra, “resulta de uma marginalidade crescente no interior da ordem social, que a deteriora de forma paulatina, pelas razões mais diversas”.

 

“Temerário pensar, então, na aplicação da Lei de Segurança Nacional, já que a motivação política deve ser analisada com cautela, sob risco de se abrir precedente perigoso para a estabilidade institucional.”

 

O ministro Gilmar Mendes, do STF, no entanto, acredita que a morte de policiais em São Paulo configurou atos de terrorismo. “Em alguns casos está claro que o alvo dos ataques não são as vítimas, mas o Estado”, disse à reportagem da revista Consultor Jurídico.

 

Os advogados Sergio Tostes e Gustavo Nunes Pinto discordam da análise da ministra Maria Elizabeth. Em artigo publicado na ConJur em novembro de 2012, eles argumentaram que a lei deve ser aplicada, pois o estado paulista claramente vive uma situação de crise. Segundo eles, a crise de Estado é uma “incapacidade momentânea” de os órgãos responsáveis em evitar ou reagir a determinada situação.

 

“A crise por que passa São Paulo e que, perigosamente, pode servir de paradigma para ações semelhantes em diversas partes do país coloca em risco a própria estrutura do poder constituído”, escreveram.

 

O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira discorda. Para ele, não é uma questão normativa, mas prática. Também em artigo publicado na ConJur, Oliveira defendeu que aplicar a Lei de Segurança Nacional “não resolve”.

 

Disse que a solução para situações como a de São Paulo é uma atuação integrada entre todas as esferas de poder, e não a aplicação de um regime jurídico diferenciado. “A lei penal comum, para o juiz, traria mais benefícios. Nesse confronto normativo, a priori, ultrapassada hipoteticamente a questão da aplicabilidade ou não da Lei de Segurança Nacional, a legislação penal comum, nas condições atuais, ainda seria mais vantajosa para o combate ao crime organizado e para crimes de homicídio generalizado de policiais e outros delitos violentos acima citados, cuja solução emergencial, aliás, não é simplesmente de aplicação de lei.”

 

Conjur

 

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

Veja mais

A exigência do contraditório e da ampla defesa no inquérito policial

Por Rafael Francisco Marcondes de Moraes e Francisco Sannini

Delegado Michel Sampaio rebate acusação de perseguição e aponta retaliação de servidora

(MA) Michel Sampaio formalizou uma representação criminal junto à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, apontando possíveis crimes de abandono de função, peculato-desvio e fraude processual

Lei Orgânica Nacional: ainda sobre a aglutinação de cargos. A questão da constitucionalidade

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Delegado Charles Pessoa lidera pesquisa para deputado federal no Piauí!

(PI) Delegado do Povo: Charles Pessoa conquista os corações dos piauienses nas ruas e nas redes

Delegados da PF cobram cúpula da Academia Nacional sobre exclusão de colega por ‘incompatibilidade de ideias’

ADPF oficia ANP para obter justificativas sobre exclusão de Delegado Federal da equipe docente

Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis: As Alterações dos Cargos Policiais

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

PL da Misoginia: quando o ódio às mulheres deixa de ser opinião e se torna crime

Por Francini Imene Dias Ibrahin (Sindpesp)*
Veja mais

Chico Lucas assume coordenação de escritórios nacionais de combate às facções

08JUL26 -
Secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, fortalece a atuação integrada entre as forças de segurança estaduais e federais no enfrentamento às organizações criminosas

Paulo Gondim segue, pela 3ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 PAULO GONDIM
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Crescente popularidade das plataformas digitais baseadas em aplicativos

07JUL26 - (1)

O entretenimento digital evolui cada vez mais em torno dos aplicativos móveis, pois eles se ajustam melhor aos hábitos do público moderno. No Brasil, onde o smartphone se tornou o

Três são presos após sequestro de idosos e comemoração em hotel, na PB

04JUL26 -
(PB) Atuou na investigação o delegado Lucas Sá, da PCPB

Em João Pessoa, secretário do Governo Lula destaca integração entre estados e reforça combate às facções criminosas com ‘cooperação’

Francisco Lucas, Secretário Nacional de Segurança Pública
(PB) Representando o ministro da Justiça, Chico Lucas apresentou ações do programa Brasil Contra o Crime Organizado e defendeu cooperação entre forças de segurança de todo o país

Duelos, Desafios e Legítima Defesa

04JUL26 -
Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Entidades de Delegados de Polícia emitem nota de pesar pelo falecimento do delegado Michel Saliba

Delegado de Polícia Federal Michel Brasil Saliba
Michel Brasil Saliba foi atingido durante cumprimento de mandado de busca no apartamento da companheira do policial militar. Delegado foi levado ao hospital em estado grave, mas não resistiu
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.