Delegada registra tentativa de agressão por PM durante discussão em DP de SP

SP: PMs da Rota estavam em “aparentemente abordagem” dentro da delegacia, segundo BO Policiais militares da Rota, a tropa de elite da polícia paulista, vão ter a conduta apurada pela corregedoria da corporação depois de uma delegada ter registrado, em BO (boletim de ocorrência), que quase foi agredida por um deles dentro de uma delegacia […]

Por Editoria Delegados

SP: PMs da Rota estavam em “aparentemente abordagem” dentro da delegacia, segundo BO

Policiais militares da Rota, a tropa de elite da polícia paulista, vão ter a conduta apurada pela corregedoria da corporação depois de uma delegada ter registrado, em BO (boletim de ocorrência), que quase foi agredida por um deles dentro de uma delegacia de São Paulo, durante uma discussão.

Por volta das 16h desta terça-feira (17), policiais da Rota levaram até o 6º Distrito Policial, no Cambuci, região central, três adolescentes mulheres e um homem, maior, suspeitos de traficarem drogas. No entanto, os PMs estacionaram a viatura dentro da delegacia e demoraram para apresentar a ocorrência e os suspeitos.

Uma investigadora avisou à delegada Sabrina Rodrigues de Almeida, que estava de plantão no 6º DP, que os PMs não haviam pedido autorização para parar no estacionamento, que estavam em aparentemente abordagem, e que não haviam apresentado a ocorrência, como de costume.

De acordo com o BO registrado, a delegada se dirigiu até a viatura e perguntou os motivos pelos quais os policiais estavam ali e quem havia autorização a permanência deles no local. Ainda segundo relato da delegada, ela pediu que os militares saíssem do estacionamento e apresentassem a ocorrência no DP.

Segundo o registro, um militar da Rota identificado como Gledson “passou a gritar agressivamente” com a delegada. Ele teria dito: “Quem é você? Quem disse que eu preciso de autorização para ingressar em prédio público?”

A delegada afirmou ter pedido respeito, que o PM abaixasse o tom de voz e comunicou que a área em que se encontravam não era de acesso ao público, que só podiam ingressar com autorização, o que não foi feito.

Um outro PM da Rota, identificado como Ederson, teria passado a apontar o dedo contra o rosto da delegada e, segundo o relato, “aos berros, passou a dizer que esta [delegada] era ‘grossa, mal educada e você não manda em mim'”.

Na sequência, o PM Gledson teria “investido” contra a delegada, que, ainda de acordo com o BO, só não foi agredida porque uma investigadora interveio. O GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil chegou a ir ao local para tentar amenizar a situação.

O 1º tenente da Rota Alisson Guimarães Pereira de Souza tentou acalmar os ânimos de todos. No entanto, enquanto um outro investigador teria tentado ajudar a solucionar o impasse, também teria sido “brutalmente ofendido” pelo PM Ederson, o mesmo que apontou o dedo para a delegada.

“Infelizmente, diante das circunstâncias, a autoridade policial signatária se viu obrigada a acionar a Corregedora da PM para relatar o ocorrido, vez que diversas circunstâncias foram ocasionadas por parte dos milicianos”.

O corregedor da PM, o coronel Marcelino Fernandes, afirmou ao UOL que o caso está sendo apurado e tenta localizar imagens. Ainda na noite de ontem, a Tropa de Choque já estava apurando as circunstâncias do caso, segundo o corregedor. Procurada, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) confirmou a apuração interna.

A reportagem tentou contato telefônico com os PMs envolvidos, diretamente através do batalhão. Por telefone, o batalhão informou que as informações seriam cedidas apenas através da assessoria de imprensa da SSP.

Um membro da alta cúpula da Polícia Civil classificou o caso como “coisas de polícia”. Outro membro do alto escalão afirmou que isso tem acontecido algumas ocorrências em que homens da Rota e delegados batem boca durante apresentação de ocorrência nas delegacias.

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de SP, Raquel Kobashi Gallinati, afirmou lamentar o ocorrido. “Os PMs, com tais condutas, estão subvertendo a ordem jurídica e agindo fora dos limites da lei. Mais que um atentado contra o Estado de Direito, agiram de forma violenta contra uma mulher. Se agem assim contra uma Delegada de Polícia, imaginem com o cidadão. Tal postura nos entristece e acreditamos que essa não seja a postura da Corporação”, disse.

UOL

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