Sindepol de Goiás repudia acusações do deputado Bruno Peixoto contra delegado de Silvânia; entenda o caso

Deputado afirma que Leonardo Sanches teria dito que daria votos a Marconi Perillo na região durante oitiva na frente de uma testemunha e seu advogado Deputado Bruno Peixoto afirma que delegado Leonardo Sanches teria dito que daria votos a Marconi Perillo na região durante oitiva na frente de uma testemunha e seu advogado O Sindicato […]

Por Editoria Delegados

Deputado afirma que Leonardo Sanches teria dito que daria votos a Marconi Perillo na região durante oitiva na frente de uma testemunha e seu advogado

Deputado Bruno Peixoto afirma que delegado Leonardo Sanches teria dito que daria votos a Marconi Perillo na região durante oitiva na frente de uma testemunha e seu advogado

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de Goiás (Sindepol) publicou neste sábado (12/3) uma nota de repúdio contra as declarações feita em discurso pelo deputado estadual Bruno Peixoto (MDB) durante evento do governo estadual na terça-feira (8/3) na cidade goiana de Leopoldo de Bulhões, que fica a 62 quilômetros de Goiânia.

“A fala do deputado revelou-se extremamente ofensiva e atingiu não só a honra do delegado de polícia da cidade de Silvânia, Leonardo Sanches, como também a credibilidade e a imparcialidade da Polícia Civil, do Poder Judiciário e do Ministério Público do Estado de Goiás”, diz o Sindepol na nota de repúdio às declarações de Bruno Peixoto.


O que o deputado disse

Na terça-feira, o líder do governo Ronaldo Caiado (União Brasil) na Assembleia Legislativa foi a Leopoldo de Bulhões participar da solenidade de entrega dos cartões do Programa Mães de Goiás. Durante discurso, Bruno Peixoto acusou o delegado Leonardo Sanches de perseguir politicamente o prefeito de Silvânia, Geraldo Luiz Santana, o Doutor Geraldo (PP).

“Eu tenho um irmão aqui na região, que eu gosto demais. É um prefeito sério, honesto e tem enfrentado a perseguição política de um determinado delegado. E pode falar que eu falei. Tem um delegado que deveria era candidatar. Porque enquanto está no uso das suas atribuições, ele tem feito é política. E falou de política durante os depoimentos”, disse o deputado durante o discurso.

Bruno Peixoto continua: “Diga a ele [Leonardo Sanches] que eu estou sabendo o que ele falou no depoimento. Na hora que estava colhendo o depoimento, ele dizendo que ia apoiar determinado candidato a governador. E eu sei até a quantidade de votos que ele falou que vai dar para esse governador, que não é o Caiado”.

Recado ao delegado

O líder do governo Caiado na Assembleia disse saber que o delegado tem usado “a máquina pública, a Justiça, para fazer política”. “E o sr. também vai fazer do mesmo jeito com o Alécio [Mendes (PL), prefeito de Leopoldo de Bulhões]. Sr. delegado da cidade de Silvânia, o sr. tem é que cumprir a lei, prender bandido. Não é ficar atrás de quem está trabalhando por vaidade pessoal, por questão familiar, não. Alécio e Geraldo são prefeitos sérios, honestos e íntegros.”

Ao final do discurso, Bruno Peixoto diz que teve de dar o recado porque sabia que sua fala estava sendo gravada para o recado chegar ao delegado.

As declarações do deputado estadual resultaram na nota de repúdio do Sindepol, que saiu em defesa do servidor da Polícia Civil goiana. “O delegado Leonardo Sanches, titular da Delegacia de Polícia de Silvânia há mais de 12 anos, sempre foi um profissional exemplar e é respeitado e admirado pela população e pelas instituições daquele município.”

O sindicato respondeu na nota que, “de forma leviana e com o claro propósito de constranger e intimidar a autoridade policial de Silvânia”, bem como desqualificar o trabalho dele e dos delegados de polícia da Dercap [Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública]”, acabou por colocar sob suspeita “todo o sistema de persecução penal do País”.

Na nota, a entidade enfatizou que “a imunidade parlamentar não é absoluta e não pode servir de escudo para a prática de ofensas ou para impor a influência política sobre agentes de Estado”. “Dessa forma, o Sindepol disponibilizará sua assessoria jurídica aos delegados de polícia para que busquem a devida e justa reparação”, concluiu.

Investigação

A Operação Apáte foi deflagrada pela Polícia Civil no dia 9 de fevereiro. A força-tarefa investiga suposta fraude em licitação para contratação do serviço de tapa-buracos da Prefeitura de Silvânia realizado no ano de 2021. Seis dias depois (15/2), a Câmara Municipal da cidade aprovou a instalação de uma Comissão Parlamentar Processante para verificar a situação do prefeito Doutor Geraldo no caso.

Além disso, o Legislativo afastou o prefeito pelo prazo de 90 dias. Mas, como informou Bruno Peixoto ao O Hoje, o chefe do Executivo conseguiu suspender a decisão dos vereadores na Justiça e retomou as funções no cargo de prefeito. A decisão da Câmara de abrir a investigação parlamentar e afastar o prefeito foi tomada por unanimidade.

Na nota do Sindepol, a entidade afirma que “a representação pelas medidas cautelares de busca e apreensão, elaborada por quatro delegados de polícia, três lotados na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap) e um lotado na Delegacia Municipal de Silvânia, no bojo do inquérito policial instaurado para apurar a prática de inúmeros delitos, dentre eles fraude à licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa, foi analisada e deferida por um desembargador do TJ-GO [Tribunal de Justiça do Estado de Goiás], após manifestação de um procurador de justiça”.

Resposta do deputado

Procurado pelo O Hoje, Bruno Peixoto enviou um vídeo gravado para os delegados da Polícia Civil goiana. “Parabéns. Vocês fazem um trabalho formidável, imparcial, transparente. Tanto que, na Assembleia Legislativa, não apenas a votação da integralidade de paridade, mas sempre foi favorável às matérias que trazem a essa categoria tão importante.”

Depois de elogiar o trabalho da Polícia Civil, líder do governo Caiado na Assembleia passou a se dirigir “especificamente ao delegado da cidade de Silvânia, dr. Leonardo, que na delegacia, na oitiva de testemunha, disse, inclusive, na presença do advogado que daria mais de 6 mil votos ao ex-governador de Goiás [Marconi Perillo (PSDB)] caso se candidatasse”.

“Se não bastasse – não digo aqui dos seus atos no processo contra o prefeito de Silvânia, mas posterior –, chamou na delegacia os vereadores coagindo para que votassem a cassação [do mandato do prefeito]. Foi a uma rádio e falou sobre um processo com detalhes que estavam, até o momento, em segredo de Justiça, agindo de maneira parcial, diferentemente dos delegados de polícia do Estado de Goiás, que são homens e mulheres brilhantes”, respondeu à nota do Sindepol Bruno Peixoto.

No final do vídeo, o deputado pediu ao delegado Leonardo Sanches que apure “todos os fatos que ora narrei”. “Repito: parabenizo diuturnamente os delegados do nosso Estado. Mas o dr. Leonardo tem agido, sim, de maneira parcial e com os olhos voltados à política. Estou pronto e à disposição para provar tudo que falei.”

Denúncia

Ao O Hoje, o deputado Bruno Peixoto afirmou que dois prefeitos e a testemunha que teriam ouvido o delegado falar em conseguir 6 mil votos para Marconi nas eleições de outubro denunciaram o caso à Corregedoria da Polícia Civil. “Eu não fiz a denúncia contra ele, apenas expus o que me falaram. Não conheço do dr. Leonardo, delegado de Silvânia”, disse o parlamentar.

Bruno Peixoto afirmou à reportagem que não questionou o processo, mas “a ação política pós-processo”.

Leia abaixo a íntegra da nota de repúdio do Sindepol:

“Nota de Repúdio

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de Goiás – Sindepol vem a público repudiar as declarações do Deputado Estadual Bruno Peixoto, proferidas no dia 08/03/222, na cidade de Leopoldo de Bulhões.

A fala do deputado revelou-se extremamente ofensiva e atingiu não só honra do delegado de polícia da Cidade de Silvânia, Leonardo Sanches, como também a credibilidade e a imparcialidade da Polícia Civil, do Poder Judiciário e do Ministério Público do Estado de Goiás.

A representação pelas medidas cautelares de busca e apreensão, elaborada por quatro delegados de polícia, três lotados na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública – DERCAP e um lotado na Delegacia Municipal de Silvânia, no bojo do inquérito policial instaurado para apurar a prática de inúmeros delitos, dentre eles fraude à licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa, foi analisada e deferida por um desembargador do TJGO, após manifestação de um procurador de justiça.

De forma leviana e com o claro propósito de constranger e intimidar a autoridade policial de Silvânia, bem como de desqualificar o trabalho dele e dos delegados de polícia da DERCAP, o deputado colocou sob suspeita todo o sistema de persecução penal do país.

O delegado Leonardo Sanches, titular da Delegacia de Polícia de Silvânia há mais de 12 anos, sempre foi um profissional exemplar e é respeitado e admirado pela população e pelas instituições daquele município.

É cediço que a imunidade parlamentar não é absoluta e não pode servir de escudo para a prática de ofensas ou para impor a influência política sobre os agentes de estado.

Dessa forma, o SINDEPOL disponibilizará sua assessoria jurídica aos delegados de polícia para que busquem a devida e justa reparação”.

 

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