Preso foge para ir ao velório da mãe, mas volta

      Às 9h30 da manhã desta segunda-feira (23), W. V. S. comprou uma passagem e saiu da rodoviária Barra Funda, zona Norte de São Paulo, em direção a Bauru.   Escolheu a poltrona 25, na janela. Olhar o caminho pela rodovia, que aos olhos parece ilimitada, dá mesmo uma sensação de liberdade. Ele […]

Por Editoria Delegados

 

 

 

Às 9h30 da manhã desta segunda-feira (23), W. V. S. comprou uma passagem e saiu da rodoviária Barra Funda, zona Norte de São Paulo, em direção a Bauru.

 

Escolheu a poltrona 25, na janela. Olhar o caminho pela rodovia, que aos olhos parece ilimitada, dá mesmo uma sensação de liberdade. Ele garante, no entanto, que em momento algum pensou em desistir. “Desse jeito que eu vivia, eu já não era livre”. Usou as quatro horas e meia de viagem para deixar  mais firme a  decisão. “Eu vim  aqui  pra ser preso”.

 

Há dois meses, W. vivia escondido entre a multidão que habita a metrópole paulistana, sua cidade natal. Na manhã desta segunda-feira, tomou a escolha decisiva: “Eu decidi me entregar porque como procurado da polícia eu não podia fazer a vida”.

 

Desceu do ônibus, tomou um lanche e foi direto para o Fórum. “Eu tava preso no P2, mas fugi pra ir no velório da minha mãe e hoje vim me entregar”.

 

A Polícia Militar foi acionada imediatamente, mas não foi preciso correria, perseguição e o processo comum na relação polícia versus preso em fuga.  Alexandre Vieira, o cabo que atendeu a ocorrência, nunca viu tanta passividade: “Desse jeito eu nunca vi. Ele veio até a gente e falou: ‘me prendam!’”.

 

W. esteve tranquilo todo o tempo. Foi algemado e colocado no camburão. Em momento algum fez cara feia ou emitiu uma só palavra. Antes de falar ao BOM DIA repetia aos policiais a única frase: “Eu fugi pra ir no velório da minha mãe”.

 

Segundo a polícia, ele foi preso em 2009, por roubo a malote, praticado em São Paulo e  também teria antecedentes por furto. Em Bauru, cumpria pena em regime semi-aberto.

 

W. é um jovem. Tem 23 anos e já conhece o álcool, as drogas, o crime e a prisão. Ao longo da conversa, deixa claro o porquê de tantas más experiências. “Na vida, eu tive necessidade de tudo”. Se envolveu com as drogas quando tinha 9 anos. Foi por aí que começou o crime e que deixou a escola. Aos 14, fugiu de casa. O pai era alcoólatra e a mãe “distante”. O tio, mecânico, foi a única boa imagem da infância. W. quer estudar para ser igual a ele. “Meu sonho era ser mecânico”.

 

Soube que a mãe tinha morrido dia 26 de fevereiro desse ano, por uma visita. Já fazia dois anos e meio que ele estava preso e desde que fugiu de casa, nunca mais tinha visto a mãe. “Eu decidi fugir da cadeia porque queria ver minha mãe de novo, pelo menos no velório”.

 

No mesmo dia,usando uma corda, pulou o alambrado do CDP II, , que fica às margens da Rondon e fugiu para São Paulo.

A visita que lhe deu a informação, no entanto, teria se esquecido de dizer a data da morte e das burocracias. W. não chegou a tempo. “Fugi, mas não vi ela nem morta”.  

 

Ele decidiu viver fugido por um tempo. Conta que fez  bicos, voltou a ver a família: o tio mecânico, a tia, os primos. Diz que decidiu voltar porque “fugido” não ia conseguir nada. “Eu não tinha trabalho e nem como estudar. Quero cumprir o que devo pra ser livre e ter uma vida”.  

 

Na manhã desta segunda-feira, tomou um ônibus e o sol de hoje já viu nascer quadrado. Foi mandado para a cadeia de Duartina. Ele ainda tem um ano e nove meses de pena para cumprir.  

 

Sua história conseguiu deixar mais esperança do que dúvidas entre os policiais. O cabo Alexandre quer acreditar que o que W. diz é verdade. “Se ele voltou porque quer retomar a vida e não por estar fugindo de algo aqui fora, é uma atitude válida e uma bela história”.  

 

Diário de SP

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

Veja mais

Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre direção da PF

Fachin suspende decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da PF e decisão de Dino que reintegrou diretor

Salário de agente, escrivão e investigador não pode ficar vinculado ao de delegado, decide STF

Supremo invalida vinculação da remuneração de policiais civis à de delegados de Polícia Civil

Dino determina reintegração de diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues

Flávio Dino reverte afastamento de cúpula da PF, critica 'decisão em causa própria' e aponta risco a investigações do caso 'Dark Horse'

Fenadepol e ADPF divulgam notas de repúdio após afastamento de dirigentes da Polícia Federal

Entidades Federais defenderam a preservação das prerrogativas institucionais do órgão

11 Diretores da Polícia Federal apoiam Andrei Rodrigues e entregam cargos

O pedido de vista não derruba a liminar de André Mendonça, que continua valendo. Com o afastamento de Andrei, o diretor-executivo da PF, William Murad, deve ficar interinamente na chefia

Advogado é preso após filmar pernas de guarda municipal em supermercado

(PI) Um advogado foi preso sob suspeita de importunação sexual. O homem teria filmado, com um telefone celular, as pernas de uma guarda municipal no supermercado Pão de Açúcar, na

Ministro André Mendonça afasta Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal

Ministro do STF diz que 'há mais de 30 dias tem sido monitorado pela Polícia Federal' e submete decisão para análise da Segunda Turma
Veja mais

Uso de algemas em advogado no ‘exercício da advocacia’: decisões jurídicas policiais adotadas

Tipicidade, metodologia de abordagem, itinerário de atos, captura, uso de algemas, condução e autuação

Piauí completa quatro meses consecutivos sem registros de latrocínio

02SET26 -
(PI) Dados da Segurança Pública apontam redução contínua nos últimos três anos

Aviator online: como a regulação brasileira enquadrou os crash games e o que isso muda para o jogador

01SET26 -
Em 2026, com mais de 25 mil URLs de plataformas bloqueadas pelo SPA e 550 contas bancárias encerradas, o mercado regulado tem ferramentas reais para fazer cumprir essas garantias, e

Promotor de justiça abandona apurações de concursos por temer pistolagem, CV e PCC

Promotor Coaracy (direita) é um nome conhecido no estado porque foi procurador-Geral de Justiça de Alagoas
(AL) Titular da 17ª Promotoria de Justiça da Capital/Fazenda Pública Estadual, Coaracy é um nome conhecido no estado porque foi Procurador-Geral de Justiça de Alagoas entre 2005 e 2008.

Designer cria camisa capaz de ‘esconder’ pessoas de câmeras de vigilância com IA

Designer Simon Weckert criou camisa capaz de esconder pessoas de câmeras de vigilância com IA
'Camisa havaiana mais feia já vista no planeta' de Simon Weckert impede que tecnologia identifique o usuário como um 'ser humano padrão'

Ministério Público de SC arquiva caso de policial que matou detenta dentro de viatura para salvar colega enforcada

MP POST270826 -
(SC) Investigação e perícia concluíram que agente disparou contra presa em legítima defesa para salvar motorista que estava sendo sufocada com algemas.

“Mãe te avisou”: mulher lamenta morte de filho após roubar delegado

(SP) Nas redes sociais, a mãe do jovem diz que sempre batalhou e ensinou os caminhos certos, mas acabou perdendo o filho para a ostentação
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.