“Por que os ataques e incêndios a ônibus no Rio de Janeiro não são considerados atos de terrorismo na lei atual?”

Por Raquel Gallinati A crescente expansão das milícias no Rio de Janeiro é uma consequência direta da ineficiência do Estado na segurança pública. Essas organizações assumem um controle territorial que ultrapassa o das facções de tráfico, estabelecendo domínio, extorquindo moradores e infiltrando-se nas instituições estatais, corroendo ainda mais a segurança pública na região. Os […]

Por Editoria Delegados

Por Raquel Gallinati

 

A crescente expansão das milícias no Rio de Janeiro é uma consequência direta da ineficiência do Estado na segurança pública. Essas organizações assumem um controle territorial que ultrapassa o das facções de tráfico, estabelecendo domínio, extorquindo moradores e infiltrando-se nas instituições estatais, corroendo ainda mais a segurança pública na região. Os conflitos violentos com as facções geram instabilidade e violência crescente.

Além disso, as milícias operam internacionalmente como complexas organizações criminosas, desafiando as autoridades. Enfrentar o crime organizado, especialmente as milícias transnacionais, exige esforços conjuntos que abrangem medidas de repressão e prevenção da lavagem de dinheiro.

A situação já era preocupante devido à influência desses grupos paralelos, porém, agora parece estar atingindo proporções ainda mais alarmantes. Relatórios de inteligência indicam possíveis alianças entre as milícias e o Comando Vermelho, o que, se comprovado, representaria um aumento significativo do poder paralelo, constituindo um sério risco para a segurança pública não apenas em um estado, mas em todo o país.

No entanto, de acordo com a atual legislação brasileira, as condutas das milícias não se enquadram no conceito normativo de terrorismo, estabelecido pela Lei 13260/16, que requer intenção específica de agir movida por xenofobia ou ideologia, visando atacar um grupo com base em etnia ou procedência nacional, com caráter político. Os atos de incêndio em ônibus, como os que ocorreram no Rio de Janeiro, não devem ser tipificados como atos de terrorismo.

Classificar as facções criminosas associadas ao narcotráfico ou a outras atividades ilícitas como organizações terroristas seria equivalente a legitimar e institucionalizar esses grupos de natureza sócio-política. A Convenção das Nações Unidas sobre o combate ao terrorismo enfatiza de maneira inequívoca o componente político subjacente às ações terroristas, assim como o uso de métodos violentos de intimidação. Um exemplo ilustrativo dessa questão é a Colômbia, que enfrentou dificuldades consideráveis ao empregar tal abordagem nos anos 90, quando lidava com os cartéis de drogas.

Embora os atos que vimos no Rio de Janeiro não sejam classificados como terrorismo de acordo com a legislação atual, é imperativo que ações destinadas a semear o terror na população em busca de lucro sejam tratadas com rigor e reprimidas com veemência, podendo ser tipificadas em uma série de crimes, tais como associação criminosa, incêndio, destruição do patrimônio público, colocando em risco a incolumidade pública, entre outros e que essas medidas sejam coordenadas de forma urgente para garantir a segurança pública.

Sobre a autora

*Raquel Gallinati, delegada de polícia. Diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil. Mestre em Filosofia. Pós-graduada em Ciências Penais, Direito de Polícia Judiciária e
Processo Penal.

 

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

Veja mais

A exigência do contraditório e da ampla defesa no inquérito policial

Por Rafael Francisco Marcondes de Moraes e Francisco Sannini

Delegado Michel Sampaio rebate acusação de perseguição e aponta retaliação de servidora

(MA) Michel Sampaio formalizou uma representação criminal junto à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, apontando possíveis crimes de abandono de função, peculato-desvio e fraude processual

Lei Orgânica Nacional: ainda sobre a aglutinação de cargos. A questão da constitucionalidade

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Delegado Charles Pessoa lidera pesquisa para deputado federal no Piauí!

(PI) Delegado do Povo: Charles Pessoa conquista os corações dos piauienses nas ruas e nas redes

Delegados da PF cobram cúpula da Academia Nacional sobre exclusão de colega por ‘incompatibilidade de ideias’

ADPF oficia ANP para obter justificativas sobre exclusão de Delegado Federal da equipe docente

Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis: As Alterações dos Cargos Policiais

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

PL da Misoginia: quando o ódio às mulheres deixa de ser opinião e se torna crime

Por Francini Imene Dias Ibrahin (Sindpesp)*
Veja mais

Chico Lucas assume coordenação de escritórios nacionais de combate às facções

08JUL26 -
Secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, fortalece a atuação integrada entre as forças de segurança estaduais e federais no enfrentamento às organizações criminosas

Paulo Gondim segue, pela 3ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 PAULO GONDIM
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Crescente popularidade das plataformas digitais baseadas em aplicativos

07JUL26 - (1)

O entretenimento digital evolui cada vez mais em torno dos aplicativos móveis, pois eles se ajustam melhor aos hábitos do público moderno. No Brasil, onde o smartphone se tornou o

Três são presos após sequestro de idosos e comemoração em hotel, na PB

04JUL26 -
(PB) Atuou na investigação o delegado Lucas Sá, da PCPB

Em João Pessoa, secretário do Governo Lula destaca integração entre estados e reforça combate às facções criminosas com ‘cooperação’

Francisco Lucas, Secretário Nacional de Segurança Pública
(PB) Representando o ministro da Justiça, Chico Lucas apresentou ações do programa Brasil Contra o Crime Organizado e defendeu cooperação entre forças de segurança de todo o país

Duelos, Desafios e Legítima Defesa

04JUL26 -
Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Entidades de Delegados de Polícia emitem nota de pesar pelo falecimento do delegado Michel Saliba

Delegado de Polícia Federal Michel Brasil Saliba
Michel Brasil Saliba foi atingido durante cumprimento de mandado de busca no apartamento da companheira do policial militar. Delegado foi levado ao hospital em estado grave, mas não resistiu
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.