Polícia liga execução no aeroporto de Porto Alegre com disputa de facções

RS: Vítima não tinha antecedentes; seria ‘demonstração de força’, diz polícia A Polícia Civil do Rio Grande do Sul acredita que o jovem executado a tiros no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, na manhã de segunda-feira (19), tenha sido morto em meio a uma guerra entre facções criminosas que atuam na capital gaúcha. […]

Por Editoria Delegados

RS: Vítima não tinha antecedentes; seria ‘demonstração de força’, diz polícia

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul acredita que o jovem executado a tiros no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, na manhã de segunda-feira (19), tenha sido morto em meio a uma guerra entre facções criminosas que atuam na capital gaúcha. Mesmo que a vítima não tenha passagens pela polícia, como aponta a investigação. Seria uma “demonstração de força”, resume o delegado Adriano Melgaço.

 


Marlon foi morto a tiros no aeroporto de Porto Alegre (Foto: Reprodução/Facebook)

A primeira hipótese levantada, de crime passional – pelo envolvimento do jovem com a ex-namorada de algum criminoso -, tem se afastado conforme caminham as investigações, afirma o delegado responsável pelo inquérito. “A hipótese de crime passional não tem se confirmado”, disse ao G1.

De acordo com ele, apesar das investigações não apontarem envolvimento do jovem com atividades criminosas, na hora em que foi executado, Marlon estava acompanhado de um grupo de pessoas, entre as quais estavam algumas que já tinham passagens pela polícia. Isso leva a polícia a suspeitar que ele possa ter sido morto por engano em meio a uma disputa de facções.

“Por hora, trabalhamos com a hipótese de demonstração de força entre as facções rivais. Não que a vítima tivesse qualquer envolvimento com atividades criminosas, nossa investigação aponta que ele não tem passagens pela polícia, e nossas diligências não mostram qualquer envolvimento com a criminalidade. Então, pode ser que ele tenha sido morto por engano, que não fosse o alvo, que poderia ser alguém que estava no grupo. Mas vamos seguir com a investigação para ter a confirmação”, disse.

(…) trabalhamos com a hipótese

de demonstração de força entre as facções rivais. Não que a vítima tivesse qualquer envolvimento com atividades criminosas, nossa investigação aponta que ele não tem passagens pela polícia (…)”
Adriano Melgaço, delegado

Melgaço acrescenta ainda que somente a captura dos suspeitos poderá confirmar as hipóteses levantadas na investigação.

O corpo do jovem será sepultado na tarde desta terça-feira (20).

Suspeitos identificados

Os dois suspeitos que aparecem nas imagens divulgadas pela polícia, executando Marlon Roldão, de 18 anos, já foram identificados. Os nomes não foram revelados para não atrapalhar as investigações.

As imagens mostram dois homens sentados em uma cafeteria momentos antes do crime. Quando identificam a chegada do grupo, eles caminham em direção e efetuam os disparos contra Marlon. Em seguida eles correm em direção a um veículo Cobalt, que os aguardava do lado de fora, e deixam o local.

O carro, clonado e usado na fuga, foi encontrado perto do aeroporto. Peritos fizeram o trabalho de coleta de impressões digitais.

Responsabilidade pelo policiamento

Por meio de nota, a Infraero informou que vai colaborar com a investigação da polícia. “O assassinato ocorreu em área pública do aeroporto, onde a responsabilidade pela segurança é da Polícia Militar, conforme o Programa Nacional de Segurança Civil contra Atos de Interferência Ilícita”.

A Brigada Militar classificou, em nota, como “equívoco” a interpretação do decreto, citado pela Infraero em nota. “O artigo 12 demonstra claramente que a principal responsabilidade pela segurança nos aeroportos cabe à Polícia Federal. O artigo 13 elucida que as funções de polícia judiciária e ostensiva para preservação da ordem pública podem ser executadas pelos órgãos estaduais, por meio de convênio.”

A corporação informou que não existe nenhum convênio entre o estado do Rio Grande do Sul, Brigada Militar e Infraero.

“Cabe, ainda, diferenciar que o crime ocorreu em área interna, de acesso e circulação de público, porém particular. Seria o mesmo que cobrar da Brigada Militar e do estado do Rio Grande do Sul policiamento em áreas internas de shoppings ou supermercados. A Infraero deve ter conhecimento a respeito das áreas de utilização pública de suas dependências e de suas responsabilidades para não confundir o cidadão como se fosse uma área de administração pública.”

Por meio de nota, a Polícia Federal informou que “como polícia aeroportuária, sua atuação se dá na repressão aos atos ilícitos contra a aviação civil, controle migratório, além das atividades de Polícia Judiciária da União. Não há atribuição legal para que a PF atue em crimes comuns cometidos no perímetro do Aeroporto, a não ser que haja prejuízo à União”, diz um trecho do comunicado, no qual a PF afirma que seguirá auxiliando as forças de segurança envolvidas com a ocorrência.
Diariamente, quase seis mil pessoas circulam pelo terminal.

 

G1

 

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