Polícia Civil de SP perde 381 agentes aposentados em 2017 e atua sem 25% da equipe

SP: Desfalque de investigadores e escrivães supera 5,2 mil profissionais A Polícia Civil de São Paulo já perdeu quase 400 policiais aposentados só neste começo de 2017. A debandada escancara ainda mais a defasagem de funcionários na instituição que, segundo a última atualização do Portal da Transparência, já atinge 25%. Ou seja, um quarto dos […]

Por Editoria Delegados

SP: Desfalque de investigadores e escrivães supera 5,2 mil profissionais

A Polícia Civil de São Paulo já perdeu quase 400 policiais aposentados só neste começo de 2017. A debandada escancara ainda mais a defasagem de funcionários na instituição que, segundo a última atualização do Portal da Transparência, já atinge 25%. Ou seja, um quarto dos cargos estão vagos.

Conforme levantamento realizado pelo G1, em janeiro, foram 332 aposentadorias publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE) e, só na primeira semana de fevereiro, outras 49, totalizando 381 policiais a menos na instituição em pouco mais de um mês.

As carreiras mais afetadas pelas aposentadorias foram as de escrivão e investigador, que perderam 125 e 108 policiais, respectivamente, no período. Os cargos já contavam, juntos, com um déficit de mais de 5,2 mil profissionais.

13 delegados, 22 agentes policiais, 26 agentes de telecomunicações, 5 papiloscopistas e 11 auxiliares de papiloscopistas também abandonaram o barco e engrossam a crise na Polícia Civil.

Para o especialista em segurança pública Rafael Alcadipani, as aposentadorias em massa são frutos da falta de investimento e planejamento do governo, já que é sabido que muitos policias estavam e estão próximo da idade de aposentadoria. “Mas não realizam os concursos na quantidade que deveriam ser realizados. Historicamente, não têm realizado a reposição necessária”, ressalta.

Dados obtidos pelo G1 e referentes ao segundo semestre de 2016 mostram que a instituição está com profissionais com idade avançada. Apenas 3% dos policiais civis de São Paulo têm menos de 30 anos e 44% dos delegados serão idosos nos próximos anos. 75% dos escrivães têm 40 anos ou mais e a idade média do investigador paulista é de 47 anos.

De acordo com Alcadipani, esse envelhecimento dos policiais tende a provocar “um colapso” na instituição em breve. Se por um lado os agentes têm experiência, por outro já não têm o vigor físico que a profissão exige. “Quanto mais velho você fica, mais sem paciência com as coisas costuma ficar. Você perde a energia de querer fazer diferente”, acrescentou.

 


Policiais e aprovados em concurso de 2013 protestaram por novas contratações na Alesp no ano passado (Foto: Roberto Sungi/Futura Press/Estadão Conteúdo)

 

Polícia Científica

Nas carreiras ligadas à Polícia Técnico-Científica (PTC), responsável pelos trabalhos de perícia nos crimes ocorridos no estado, a situação não é diferente. A corporação é um braço da Polícia Civil e conta com seis carreiras: auxiliar de necropsia, atendente de necrotério, desenhista, fotógrafo, médico-legista e perito, que perderam, juntas, outros 30 policiais aposentados só no começo deste ano.

Na PTC, quase 40% das vagas estavam desocupadas em dezembro. Não à toa, a instituição ainda emitia, no último trimestre de 2016, 11,5 mil laudos de exames necroscópicos, criminalísticos, clínicos e laboratoriais realizados em 2015.

O atraso compromete a elucidação dos crimes e, segundo Alcadipani, aumenta a sensação de impunidade: “Não se consegue ter a prova técnica dos crimes. Com a ausência dessas provas, é mais difícil condenar os criminosos”.

Ainda na opinião do especialista, o sucateamento da polícia judiciária é proposital. “É interessante para o governo. A [operação] Lava Jato mostra o que acontece quando se tem uma polícia investigativa funcionado bem. Uma polícia de investigação autônoma incomoda muito, principalmente os poderosos. Por isso o movimento no Brasil inteiro é favorecer a PM e um policiamento de confronto”, explica.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirma que “investe na contratação para a ampliação de efetivo das policias, tanto que, apenas para a Polícia Civil, foram contratados 3.338 agentes desde 2011”.

A pasta ressalta também que nomeou, em novembro, 78 delegados, 106 investigadores e 292 escrivães para minimizar o problema do déficit de funcionários na instituição. Eles, no entanto, ainda estão no curso de formação da Academia de Polícia (Acadepol) e, por isso, fora da ativa.

 

G1

 

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