“O Aumento Alarmante de Estupros no Brasil: revela uma atordoante realidade: 80% das vítimas são menores de 18 anos.”

Por Raquel Gallinati *Raquel Gallinati é delegada de polícia; pós-graduada em Ciências Penais, em Direito de Polícia Judiciária e em Processo Penal; mestre em Filosofia; diretora da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Brasil; e embaixadora do Instituto Pró-Vítima. O relatório recentemente divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre o alarmante aumento nos […]

Por Editoria Delegados

Por Raquel Gallinati

*Raquel Gallinati é delegada de polícia; pós-graduada em Ciências Penais, em Direito de Polícia Judiciária e em Processo Penal; mestre em Filosofia; diretora da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Brasil; e embaixadora do Instituto Pró-Vítima.

O relatório recentemente divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre o alarmante aumento nos casos de estupro no Brasil nos remete a uma realidade cruel que necessita de uma dissecção detalhada para entender os elementos que contribuíram para este cenário horrível. É atordoante constatar que 80% das vítimas de estupro são menores de 18 anos, conforme dados consolidados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Essa estatística nos abre os olhos para a severidade e urgência dessa situação.

A exploração sexual de menores é uma sombria realidade que ainda assola o Brasil. É aterrorizante observar o aumento drástico nos crimes sexuais contra crianças em nossa sociedade. Esse cenário aterrador exige uma avaliação cautelosa das possíveis razões por trás desta situação perturbadora.

Este é um crime hediondo contra os direitos humanos, além de ser uma forma horrenda de violência contra crianças. Sendo presas fáceis para os criminosos, essas crianças são frequentemente forçadas a participar de atos sexuais involuntários em troca de sustento e abrigo. A exploração pode acontecer de várias maneiras, seja por meio do tráfico de pessoas, turismo sexual ou outras formas insidiosas de exploração sexual.

O cenário assustador, alimentado por pobreza, desigualdade social e falta de acesso à educação e serviços de saúde, assim como a falta de políticas eficazes de prevenção e combate, tem consequências devastadoras. Crianças e adolescentes são privados de uma infância saudável, padecendo traumas que podem afetar seu futuro, deixando cicatrizes emocionais e psicológicas profundas, além de graves danos físicos.

No passado, proteger crianças dos perigos nas ruas era uma prioridade. No entanto, com o advento da tecnologia e o fácil acesso à internet, surgiu uma nova ameaça: a exposição à pornografia.

A disponibilidade ilimitada de conteúdo pornográfico pode moldar erroneamente sua percepção de sexualidade, distorcer sua visão sobre sexo e relacionamentos, causando confusão entre a ideia de consentimento e submissão. Pior ainda, pode atrair predadores sexuais que exploram a inocência e vulnerabilidade das crianças, levando-as a situações de abuso.

A ausência de programas de educação sexual abrangente nas escolas contribui para o aumento desses crimes. A impunidade dos autores e a falta de denúncias por parte das vítimas dificultam a identificação e condenação desses criminosos. O medo, a vergonha social, a descrença nas autoridades e a falta de apoio solidário podem impedir que essas crianças notifiquem os crimes.

Precisamos quebrar o ciclo de impunidade e lidar com essas causas para proteger nossas crianças. Para erradicar esse cenário cruel, é necessária uma ação coletiva. Governos, instituições, sociedade civil e comunidades precisam unir forças para implementar medidas efetivas de prevenção, proteção e penalização dos autores. Isso inclui políticas públicas abrangentes, leis mais rigorosas, investimento em programas de educação, conscientização e apoio à vítimas, além de programas de reabilitação.

Além disso, precisamos de uma mudança cultural na sociedade que encoraje a proteção das crianças e rechace a exploração sexual infantil. A luta contra a exploração sexual infantil é responsabilidade de todos.

Por Raquel Gallinati

*Raquel Gallinati é delegada de polícia; pós-graduada em Ciências Penais, em Direito de Polícia Judiciária e em Processo Penal; mestre em Filosofia; diretora da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Brasil; e embaixadora do Instituto Pró-Vítima.

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

Veja mais

Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre direção da PF

Fachin suspende decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da PF e decisão de Dino que reintegrou diretor

Salário de agente, escrivão e investigador não pode ficar vinculado ao de delegado, decide STF

Supremo invalida vinculação da remuneração de policiais civis à de delegados de Polícia Civil

Dino determina reintegração de diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues

Flávio Dino reverte afastamento de cúpula da PF, critica 'decisão em causa própria' e aponta risco a investigações do caso 'Dark Horse'

Fenadepol e ADPF divulgam notas de repúdio após afastamento de dirigentes da Polícia Federal

Entidades Federais defenderam a preservação das prerrogativas institucionais do órgão

11 Diretores da Polícia Federal apoiam Andrei Rodrigues e entregam cargos

O pedido de vista não derruba a liminar de André Mendonça, que continua valendo. Com o afastamento de Andrei, o diretor-executivo da PF, William Murad, deve ficar interinamente na chefia

Advogado é preso após filmar pernas de guarda municipal em supermercado

(PI) Um advogado foi preso sob suspeita de importunação sexual. O homem teria filmado, com um telefone celular, as pernas de uma guarda municipal no supermercado Pão de Açúcar, na

Ministro André Mendonça afasta Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal

Ministro do STF diz que 'há mais de 30 dias tem sido monitorado pela Polícia Federal' e submete decisão para análise da Segunda Turma
Veja mais

Uso de algemas em advogado no ‘exercício da advocacia’: decisões jurídicas policiais adotadas

Tipicidade, metodologia de abordagem, itinerário de atos, captura, uso de algemas, condução e autuação

Piauí completa quatro meses consecutivos sem registros de latrocínio

02SET26 -
(PI) Dados da Segurança Pública apontam redução contínua nos últimos três anos

Aviator online: como a regulação brasileira enquadrou os crash games e o que isso muda para o jogador

01SET26 -
Em 2026, com mais de 25 mil URLs de plataformas bloqueadas pelo SPA e 550 contas bancárias encerradas, o mercado regulado tem ferramentas reais para fazer cumprir essas garantias, e

Promotor de justiça abandona apurações de concursos por temer pistolagem, CV e PCC

Promotor Coaracy (direita) é um nome conhecido no estado porque foi procurador-Geral de Justiça de Alagoas
(AL) Titular da 17ª Promotoria de Justiça da Capital/Fazenda Pública Estadual, Coaracy é um nome conhecido no estado porque foi Procurador-Geral de Justiça de Alagoas entre 2005 e 2008.

Designer cria camisa capaz de ‘esconder’ pessoas de câmeras de vigilância com IA

Designer Simon Weckert criou camisa capaz de esconder pessoas de câmeras de vigilância com IA
'Camisa havaiana mais feia já vista no planeta' de Simon Weckert impede que tecnologia identifique o usuário como um 'ser humano padrão'

Ministério Público de SC arquiva caso de policial que matou detenta dentro de viatura para salvar colega enforcada

MP POST270826 -
(SC) Investigação e perícia concluíram que agente disparou contra presa em legítima defesa para salvar motorista que estava sendo sufocada com algemas.

“Mãe te avisou”: mulher lamenta morte de filho após roubar delegado

(SP) Nas redes sociais, a mãe do jovem diz que sempre batalhou e ensinou os caminhos certos, mas acabou perdendo o filho para a ostentação
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.