Número de furtos e roubos recua, mas ao menos um celular é levado por minuto em São Paulo

SP: Levantamento do R7 mostra mais de 42 mil ocorrências registradas no primeiro bimestre, contra 52,3 mil no mesmo período de 2022 O estado de São Paulo registrou mais de 42 mil roubos e furtos de celulares em janeiro e fevereiro deste ano, o que corresponde a um caso a cada um minuto, em média. […]

Por Editoria Delegados

SP: Levantamento do R7 mostra mais de 42 mil ocorrências registradas no primeiro bimestre, contra 52,3 mil no mesmo período de 2022


O estado de São Paulo registrou mais de 42 mil roubos e furtos de celulares em janeiro e fevereiro deste ano, o que corresponde a um caso a cada um minuto, em média. Os dados são do levantamento do R7, feito a partir das informações dos boletins de ocorrência disponibilizados pela SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo).

Os números não refletem a realidade com precisão e podem ser maiores, pois muitas vítimas não registram boletins de ocorrência. Além disso, os crimes se referem ao número de furtos e roubos, e não à quantidade total de celulares levados (entenda melhor no quadro abaixo).

De acordo com o levantamento, os dados revelam que:

• 42.148 roubos e furtos de celulares ocorreram somente no primeiro bimestre no estado de São Paulo;

• Foi registrada uma queda de 19,5% no número de casos em relação ao mesmo período do ano passado;

• Seis em cada dez furtos e roubos de celulares ocorrem na capital;

• Os períodos da noite e da tarde concentram o maior número de crimes com, respectivamente, 14.608 e 11.785, no estado.

Smartphones cobiçados

Para os especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem, o celular é um dos objetos mais cobiçados pelo mundo do crime, já que o aparelho armazena diversas informações pessoais, principalmente bancárias.

De acordo com a diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, a delegada Raquel Gallinati, os dados pessoais e a possibilidade de realizar transações fraudulentas pelos aplicativos de banco tornam o smartphone um objeto extremamente desejado “na cadeia criminosa”.

A delegada também afirma que existe um mercado paralelo em que esses aparelhos roubados e furtados são vendidos. “Enquanto houver pessoas que adquirem esses produtos sem nota fiscal e sem saber a origem, essa cadeia vai continuar operando”, alerta.

O professor titular da FGV/Eaesp e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Rafael Alcadipani reitera que o valor agregado e as possibilidades dentro do aparelho são grandes. “Hoje você tem a vida inteira no celular com aplicativos de banco, aplicativos de mensagens, além do valor do próprio aparelho que está cada vez mais caro”, afirma.

Queda do número de casos

No primeiro bimestre do ano passado, São Paulo registrou 52.349 furtos e roubos de celulares, segundo o levantamento da reportagem. O número foi para 42.148 em janeiro e fevereiro deste ano, representando uma queda de 19,5%.

Alcadipani adverte que os números são referentes apenas aos primeiros dois meses do ano, por isso é necessário acompanhar os dados ao longo de 2023 para analisar se esse padrão se manterá.

“Houve muita chuva no começo do ano, principalmente no período de carnaval. Os fatores de tempo podem impactar esse indicador, mas ainda é uma análise prematura e precisa ser feita de forma mais detalhada”, reforça o professor.

Para Alcadipani, muitas pessoas deixaram de registrar o boletim de ocorrência pela descrença no sistema de segurança, o que pode afetar a contabilização do número de ocorrências registradas no estado.

Período do dia

De acordo com o levantamento, em média um em cada três furtos de celulares no estado de São Paulo ocorreu no período da tarde em janeiro e fevereiro de 2023, ou seja, 7.713 de 21.773 casos. Em seguida, as vítimas estão mais suscetíveis a esse tipo de crime durante a noite (5.943), a manhã (4.808) e a madrugada (2.881).

No total, o estado registrou 20.375 casos de roubos de celulares no primeiro bimestre. O período noturno se mostrou o mais perigoso para os paulistas com 8.665 ocorrências, o que representa 42%. Depois, os períodos com maior número de casos são: tarde (4.072), madrugada (3.789) e manhã (3.783).


Seis em cada dez furtos e roubos de celulares ocorrem na capital

O analista de sistema de informações Marcos Felipe Silva foi um dos 25.730 paulistanos que tiveram o celular furtado no começo do ano. Ao R7, o jovem conta que estava com alguns amigos assistindo ao show da cantora Ludmilla, na Barra Funda, na zona oeste da capital, quando foi vítima do crime.

De acordo com Marcos, ele só percebeu o crime quando foi pegar do bolso o celular, comprado havia menos de um ano, para tirar uma foto. “Assim que terminou o show, eu fui para casa e fiz o boletim de ocorrência online. Eu me dei conta de que eles conseguiram acessar meu celular. Minha conta bancária foi bloqueada por tentativas de senhas erradas”, relembra.

Após sofrer o furto, o analista relata que passou a tomar mais cuidado ao frequentar locais com grandes aglomerações como shows. “Agora eu utilizo uma shoulder bag [uma bolsa de ombro compacta] para conseguir colocar o celular na altura do peito, na parte da frente. Dessa forma, fica mais difícil esse tipo de coisa acontecer”, afirma.

O mestre cervejeiro Vinicius Calandrelli também foi vítima de um furto em fevereiro, durante o pré-carnaval, porém não registrou o boletim de ocorrência, como é recomendado pela SSP. Ele conta que estava em uma casa noturna com um amigo na rua Augusta, famoso endereço do centro de São Paulo, quando decidiu ir ao fumódromo, na área externa.

De acordo com Vinicius, a rua estava bastante movimentada durante a madrugada. Em determinado momento, ele decidiu dar passagem para um homem, momento em que percebeu o crime.

“A ação durou segundos. Eu dei abertura para uma pessoa e acabei sendo furtado. Depois, eu andei pela região para ver se eu reconhecia a pessoa até umas 2h. Entretanto, me dei conta que eu estaria me colocando em risco e parei de fazer isso”, desabafa.

Veja dicas de segurança da delegada Raquel Gallinati:

• Evitar andar em ruas desertas com pouca iluminação e sozinho;

• Em grandes aglomerações, como shows, festivais e blocos de carnaval, guardar o celular em pochetes ou doleiras;

• Evitar falar ao celular enquanto caminha na rua;

• Não deixar senhas, principalmente de bancos, salvas no celular e desabilitar pagamentos por aproximação;

• Não andar com objetos de valor, como relógios e celulares, para não chamar a atenção de possíveis assaltantes.

O que diz a SSP?

“A situação apontada pela reportagem é de extrema preocupação da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, que vem desenvolvendo ações para combater a criminalidade. São vários pontos de enfrentamento: trabalho de patrulhamento da Polícia Militar, para realizar a prisão dos autores; trabalho de investigação da Polícia Civil, para prender receptadores, que são grandes responsáveis pela cadeia ilícita; e combate ao tráfico de drogas, a fim de asfixiar financeiramente o crime em nosso Estado.

R7

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