‘Não me arrependi, mas não queria ter feito’, diz idosa que matou ladrão

  A três meses de completar 87 anos, a dona Odete Hoffmann, não consegue tirar da cabeça uma cena que gostaria de não lembrar nunca mais. Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, a idosa falou sobre o assassinato ao assaltante que tentou invadir a sua residência em Caxias do Sul, na Serra do […]

Por Editoria Delegados

 

A três meses de completar 87 anos, a dona Odete Hoffmann, não consegue tirar da cabeça uma cena que gostaria de não lembrar nunca mais. Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, a idosa falou sobre o assassinato ao assaltante que tentou invadir a sua residência em Caxias do Sul, na Serra do Rio Grande do Sul. Mesmo que não se sinta arrependida, lamenta ter passado pela situação. “Não me arrependi, mas não queria ter feito”, disse Odete.

 

A idosa mora sozinha no segundo andar de um prédio. Mesmo com dificuldade para caminhar por causa do reumatismo e da artrite, encontrou forças para se defender de um homem que invadiu seu quarto na tarde de sábado (9) no momento em que havia acabado de acordar, por volta das 17h.

 

Quando ele levantou os braços eu vi que ele ia saltar em mim. Foi o momento em que eu dei o primeiro tiro”

 

“Eu estava só observando, falando com ele carinhosamente, pensando que era o meu neto. Ele não me dava confirança. Quando saiu de costas eu percebi que não era meu neto”. Neste momento, dona Odete buscou uma arma, herança da família há mais de 50 anos. Um revólver calibre 32. “Levantei sem aparelho, sem óculos, sem muleta, sem nada. Eu entrei no quarto e olhei o lugar da arma, estava tudo intacto. Fui à procura dele (do assaltante). Quando ele levantou os braços eu vi que ele ia saltar em mim. Foi o momento em que eu dei o primeiro tiro”, relata.

 

“Aquilo me apavorou porque eu nunca tinha feito coisa parecida. Me deu a impressão que ainda ia acontecer alguma coisa e dei mais dois tiros. Foi o fim”, explica dona Odete, que em seguida ligou para o genro pedindo ajuda. Quando a polícia chegou, encontrou o ladrão caído no chão do apartamento. Márcio Nadal Machado, conhecido como “Cachorrão”, tinha 32 anos e estava em liberdade provisória havia um mês. Já tinha sido preso por roubo, furto e tráfico de drogas.

 

Para os advogados ouvidos pelo Fantástico, este é um caso de legítima defesa. “Ela (idosa) usou de meios que tinha no momento: uma arma. E ela atirou até que conseguisse perceber que aquela pessoa que estava dentro da casa dela não punha mais em risco a vida dela”, afirma o advogado criminal Carlos Kauffmann.

 

Mas, para a polícia, o melhor a se fazer é não reagir. “Se o ladrão tivesse acompanhado de outra pessoa, talvez o desfecho não fosse esse. Todas as pessoas que detêm uma arma de fogo na sua residência de maneira irregular respondem pelo delito de posse ilegal de arma de fogo, não importa a idade”, ressalta o delegado que investiga o caso Joigler Paduano.

 

A promotora Sílvia Becker Pinto, titular da Promotoria Criminal de Caxias do Sul, defende o arquivamento da denúncia contra a idosa. Diante da possibilidade de o inquérito ser encaminhado ao Ministério Público, a promotora ressaltou que a tendência é de que não haja continuidade no processo. “A minha postura é de senso comum, como a mensa maioria dos cidadãos brasileiros. Analisando o caso, diante das circunstâncias postas na imprensa, se entende que ali está escancarado um caso de legítima defesa”

 

O apartamento dela foi invadido outras cinco vezes por bandidos, segundo a família. Eles entraram, furtaram pequenos objetos, comidas e bebidas. Então, os filhos de Dona Odete resolveram reforçar a segurança e colocaram uma grande na porta de entrada. Como encontrou tudo trancado, o assaltante procurou outra forma de acesso. A suspeita é de que ele tenha entrado pela janela da sala.

 

 

g1

 

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