Ministério Público autoriza que investigado se livre de processo

Norma, semelhante ao plea bargain, permite que o autor do delito não seja denunciado, desde que confesse a autoria e não seja reincidente Desde setembro de 2017, está em vigor no Brasil uma resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) regulamentando um instituto que muito se aproxima do plea bargain ,o acordo de não […]

Por Editoria Delegados

Norma, semelhante ao plea bargain, permite que o autor do delito não seja denunciado, desde que confesse a autoria e não seja reincidente

Desde setembro de 2017, está em vigor no Brasil uma resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) regulamentando um instituto que muito se aproxima do plea bargain ,o acordo de não persecução penal. O instrumento possibilita que, caso sejam preenchidos alguns requisitos pelo autor do delito, ele pode fazer um acordo com o Ministério Público, deixando de ser denunciado pelo órgão. Assim, sequer enfrentará um processo criminal e terá que cumprir medidas alternativas.

A resolução causa polêmica desde que entrou em vigor. Duas ações foram propostas no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a norma seja declarada inconstitucional. Enquanto isso, a maioria dos estados brasileiros já está aplicando a resolução e firmando acordos, como é o caso de São Paulo, Ceará e Santa Catarina. Outros, no entanto, ainda permanecem sem colocar a norma em prática, caso do Rio de Janeiro.

A resolução nº 181 do CNMP prevê como requisitos para a celebração do acordo, por exemplo, que o crime tenha pena mínima inferior a quatro anos, além de não ter sido cometido com violência ou grave ameaça. O indiciado também precisa confessar o delito e não pode ser reincidente. O texto inicial, no entanto, não previa necessidade de aprovação judicial do acordo firmado entre o MP e o acusado, o que foi um dos principais pontos de polêmica. Em janeiro do ano passado, foi publicada uma nova resolução, prevendo a necessidade da homologação judicial.

Limites

Conselheiro do CNMP, Dermeval Faria ressalta as diferenças entre o acordo de não persecução penal e o plea bargain;

— O acordo não gera aplicação de pena, como é o caso do plea bargain , que tem possibilidade de prisão e gera reincidência. O acordo gera um compromisso de cumprimento de medidas alternativas que não possuem natureza de pena.

Logo após a publicação da primeira resolução, ainda em setembro de 2017, o Ministério Público de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e do Distrito Federal e Territórios editaram recomendações para que os promotores não aplicassem a nova norma. Após uma reclamação no CNMP, o conselheiro Orlando Rochadel determinou que a resolução fosse cumprida. As recomendações, então, acabaram revogadas. Apesar disso, não houve nenhum acordo de não persecução penal celebrado no Rio até hoje. O MP do estado não se pronuncia oficialmente contra a medida, mas também não vem estimulando sua aplicação.

— Criamos um Grupo de Estudos para pensar como aplicaremos (o acordo) porque ainda não temos certeza se isso será bem aceito pelos tribunais. — afirma a promotora do Rio Somaine Cerruti, que coordena o Grupo de Estudos e também o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Criminais.

No Distrito Federal e em Minas, os promotores acabaram aderindo ao acordo após as mudanças do texto inicial trazidas pela segunda resolução. O mesmo aconteceu com outros estados que, embora não tenham criado normas impedindo a aplicação do acordo, também estavam inicialmente resistentes. Em Minas, a aplicação tem sido feita, principalmente, nos crimes de trânsito e contra a fé pública, como uso de documento falso e falsificação de documento público.

Questionamento no STF

Em São Paulo, o MP calcula que já tenham sido feitos cerca de 50 acordos de não persecução penal desde janeiro do ano passado. De acordo com o promotor Arthur Pinto Lemos, o MP do estado vem incentivando a medida:

— É mais eficaz como forma de buscar uma reparação para a vítima e de uma mudança de comportamento.

As Ações Diretas de Inconstitucionalidade propostas no STF contra a resolução 181 do CNMP foram apresentadas pelo Conselho Federal da OAB e Associação dos Magistrados Brasileiros. Uma das argumentações de ambas as ações é de que cabe privativamente à União legislar sobre matéria processual e penal. O STF negou as liminares. No meio jurídico, o delegado de Polícia Civil do Paraná Henrique Hoffmann é um dos que não concordam com a resolução:

— Não sou contra o instituto, mas em relação à forma como foi implementado, não sou a favor. Não se pode criar um instituto como esse sem previsão na lei, apenas por resolução.

O Globo

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

 

Veja mais

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para sindicalizados do Sindepol Amazonas

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para delegados de polícia associados e sindicalizados!

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para associados da Adepol Santa Catarina

Sorteio de Assinaturas Premium Anual e Vitalícia do Portal Delegados para delegados de polícia associados e sindicalizados!

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para sindicalizados do Sindelpol Rio de Janeiro

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para delegados de polícia associados e sindicalizados!

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para associados da Adepol do Distrito Federal

Sorteio de Assinaturas Premium Anual e Vitalícia do Portal Delegados para delegados de polícia associados e sindicalizados!

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para sindicalizados do Sindpesp São Paulo

Sorteio de Assinaturas Premium Anual e Vitalícia do Portal Delegados para delegados de polícia associados e sindicalizados!

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para associados da Adpesp

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para delegados de polícia associados e sindicalizados!

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para associados da Adepol Sergipe

Sorteio de Assinaturas Premium Anual e Vitalícia do Portal Delegados para delegados de polícia associados e sindicalizados!
Veja mais

Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para associados da Adepol Pará

PA ADEPOL BANNER SORTEIO POST
Sorteio de Assinaturas Anual e Vitalícia do Portal Delegados para delegados de polícia associados e sindicalizados!

Paulo Berenguer entra na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2025

POST-MELHORES-DELEGADOS-2025- PAULO BERENGUER
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Amanda Bezerra entra na Lista das Melhores Delegadas de Polícia do Brasil! Censo 2025

POST-MELHORES-DELEGADOS-2025- AMANDA BEZERRA
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Marcelo Dias segue, pela 3ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2025

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Delegada Raquel Gallinati toma posse como deputada do Estado de São Paulo

(SP) "A defesa das mulheres ultrapassa discussões de gênero e ideologias políticas. É simplesmente o lado certo. Combater a violência dos crimes contra mulheres e outras pessoas vulneráveis é o

Veja como os delegados de polícia analisam ocorrências e tomam decisões

Um dos maiores desafios enfrentados pelos delegados está na transposição do conhecimento teórico para os casos concretos, especialmente diante da necessidade de decisões rápidas impostas pelos prazos processuais e pela

Denúncia anônima: investigação preliminar sumária ou inquérito policial?

Procedimento de análise de denúncia anônima com o fim de coletar informações e instruir a persecução penal - modelos de peças
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.