Laudos apontam que filho de PMs matou a família, diz delegado-geral

    Mais de 100 páginas de laudos entregues aos responsáveis pela investigação “fortalecem” a suspeita de que o garoto Marcelo Pesseghini matou a família e se suicidou em seguida, em 5 de agosto. A afirmação é do delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Luiz Maurício Blazeck.   Peritos ouvidos pelo G1 adiantaram que […]

Por Editoria Delegados

 

 

Mais de 100 páginas de laudos entregues aos responsáveis pela investigação “fortalecem” a suspeita de que o garoto Marcelo Pesseghini matou a família e se suicidou em seguida, em 5 de agosto. A afirmação é do delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Luiz Maurício Blazeck.

 

Peritos ouvidos pelo G1 adiantaram que os exames mostram que as vítimas não foram dopadas e que foi achado “cabelo queimado” no cano da pistola, uma suposta prova do suicídio do garoto.

 

Em entrevista nesta terça-feira (3) ao G1, Blazeck confirmou que os laudos da Polícia Técnico-Científica de São Paulo “caminham na mesma direção” da apuração do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

 

Assim como a investigação, os testes apontam que o adolescente de 13 anos usou uma pistola .40 da mãe para assassinar os pais, policiais militares, a avó materna, a tia-avó e depois se matar na residência onde a família morava na Vila Brasilândia. Todos foram mortos com tiros na cabeça.

 

“Os laudos apontam para a mesma linha de investigação, que é a questão da morte seguida de suicídio”, disse Blazeck. “No sentido geral, eles caminham para o mesmo norte, a mesma linha da investigação. Agora temos de verificar os detalhes de cada um deles, se necessário formar quesitos para alguma dúvida que possa ocorrer”, disse.

 

Segundo ele, é possível que  testemunhas sejam ouvidas novamente para fortalecer a investigação e as provas. “Pode ter divergência de alguns dados, mas, o que eu digo é que, de forma geral, eles corroboram a linha de investigação, eles fortalecem a investigação”, disse.

 

Apesar de receber os laudos, o DHPP pedirá a Justiça mais 30 dias para concluir o inquérito, já que além de ter de analisar os documentos, também aguarda o resultado da perícia psiquiátrica que está sendo feita do perfil psicológico de Marcelo Pesseghini para ser anexado ao caso. Esse exame poderá indicar qual foi o motivo dos crimes.

 

Em entrevista na segunda-feira (2) ao G1 o psiquiatra Guido Palomba, responsável, por essa perícia, afirmou que uma “doença psíquica” levou o adolescente a cometer a chacina e se matar. O nome do transtorno mental será revelado nas próximas semanas.

Ordem das mortes

Peritos e outros policiais civis ouvidos pela equipe de rerportagem informaram ainda que os laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico-Legal (IML) foram entregues na sexta-feira (30) e na segunda-feira (2) houve uma reunião para debater seus resultados. Os testes sugerem a ordem das mortes. As primeiras vítimas de Marcelo foram o pai, depois a mãe, a avó materna e a tia-avó, nessa ordem. A chacina e o suicídio teriam ocorriido entre 0h20 e 14h do dia 5 do mês passado.

 

São mais de 100 páginas de laudos, entre eles o necroscópico e o da cena do local do crime. Enquanto Marcelo morava com os pais num imóvel, a avó e tia-avó residiam em outro, todos no mesmo terreno. Segundo os peritos, por volta da 0h20 Marcelo matou o pai, o sargento das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Luís Marcelo Pesseghini, de 40 anos, com um tiro na cabeça.

 

O PM estaria dormindo, separado da mulher, num cômodo. Como sofria de apnéia e roncava alto, ele dormia sozinho. Com o barulho do tiro, a mãe, a cabo Andreia Bovo Pesseghini, de 36,  acordou e foi ver o que ocorreu com o marido. Nesse momento, ela também foi baleada, mas pelas costas, por um disparo que atingiu sua nuca.

 

Os peritos dizem que após matar os pais, Marcelo caminhou até a outra residência e matou a avó materna Benedita de Oliveira Bovo, 67, que estaria dormindo, e a tia-avó Bernadete Oliveira da Silva, 55, que acordou com o barulho do tiro e depois foi atingida por dois disparos. As duas tinham perfurações na cabeça.

 

Segundo vizinhos disseram à investigação, os últimos disparos foram escutados perto da 0h30. A perícia realizou uma reconstituição acústica que comprovou ser possível escutar o barulho dos tiros efetuados por uma pistola .40, a mesma usada nos crimes.

 

Suicídio

Análises feitas pelo IC em câmeras de segurança mostram ainda que o garoto foi para a escola onde estudava horas depois do crime, por volta da 0h40. Para a investigação, ele pegou o carro da mãe, o estacionou perto do Colégio Stella Rodrigues, por volta da 1h, e dormiu no veículo até o horário de entrada, pela manhã. Em seguida, assistiu as aulas e comentou, segundo o depoimento dos colegas, que havia matado a família.

 

Depois, às 13h, Marcelo voltou para a casa de carona com o pai de um amigo. Lá, teria se matado com um tiro na cabeça, por volta das 14h. Peritos disseram que foram encontrados fios de cabelo queimado perto do cano da pistola, o que demonstraria que ele encostou o cano na cabeça e disparou contra si, cometendo o suicídio. Outro dado que reforça o suicídio é a posição da sua mão esquerda segurano a pistola. O menino era canhoto.

 

Exames do IML não detectaram substâncias químicas nas vítimas que poderiam ter sido usadas para dopá-las.

 

Doença psíquica

Para o psiquiatra forense Guido Palomba, chamado pelo DHPP para traçar o perfil psicológico de Marcelo, o garoto sofria de uma “doença psíquica” que o levou a matar toda a família e cometer suicídio em 5 de agosto. “Ele tinha uma doença psíquica que o levou a cometer os crimes. Pessoas normais não fazem o que ele fez”, disse Palomba na segunda-feira (2) ao G1.

 

O especialista vai produzir uma “perícia psiquiátrica” que será anexada ao inquérito policial sobre os crimes. Palomba avaliará a saúde mental de Marcelo à época dos crimes. Para isso, teve acesso aos quase 50 depoimentos de testemunhas que conviveram com as vítimas e com o investigado.

 

Palomba também irá requisitar os resultados dos laudos da Polícia Técnico-Científica entregues recentemente à Polícia Civil. Só depois dirá qual é o nome do transtorno mental que acometia Marcelo. “Eu tenho determinada suspeita, mas não posso adiantar porque quero confirmar e recolher mais dados”, alegou Palomba.

 

G1

 

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