Esquemas com funcionários do Detran e empresários financiaram veículos de luxo e aplicaram R$ 1 bilhão em golpes

PI: As investigações iniciaram há cerca de um ano e meio, quando o Detran procurou a polícia para relatar valores suspeitos encontrados em notas fiscais apresentadas durante a conferência de vistoria de veículos. O delegado Odilo Sena, titular do 13º Distrito Policial, comandou as investigações As investigações iniciaram há cerca de um ano e […]

Por Editoria Delegados

PI: As investigações iniciaram há cerca de um ano e meio, quando o Detran procurou a polícia para relatar valores suspeitos encontrados em notas fiscais apresentadas durante a conferência de vistoria de veículos.

 

O delegado Odilo Sena, titular do 13º Distrito Policial, comandou as investigações

As investigações iniciaram há cerca de um ano e meio, quando o Detran procurou a polícia para relatar valores suspeitos encontrados em notas fiscais apresentadas durante a conferência de vistoria de veículos.

A Operação Hidra de Lerna, deflagrada pela Polícia Civil após denúncia do Detran do Piauí. Servidores do órgão, com apoio de empresários e outros integrantes da organização criminosa, aplicaram quase R$ 1 bilhão em golpes, segundo estima a polícia. Bancos e instituições financeiras eram os alvos do grupo.

As investigações iniciaram há cerca de um ano e meio, quando o Detran procurou a polícia para relatar valores suspeitos encontrados em notas fiscais apresentadas durante a conferência de vistoria de veículos. Segundo o diretor geral do Detran, Garcias Guedes, os valores eram muito superiores aos valores de mercado.

A Polícia Civil descobriu então um esquema de produção de documentos de veículos inexistentes em praticamente todos os estados brasileiros.

Com a obtenção de números de “chassis nus” (carros não emplacados), o grupo criminoso criava números de DUAL (Documento Único Anual de Licenciamento) e DUT (Documento Único de Transferência), para fazer financiamento e consórcios, ficando com o dinheiro obtido junto aos bancos.

As informações foram repassadas à imprensa em entrevista coletiva nesta quarta-feira (30). O delegado Odilo Sena, titular do 13º Distrito Policial, comandou as investigações.

 
Segundo a polícia, há pelo menos 27 suspeitos de participar do esquema, no Piauí, contra os quais foram expedidos mandados de prisão e busca. Ao todo, 15 foram presos nesta quinta-feira (30).

Eles são cinco funcionários do Detran, 7 despachantes, 9 empresários (de emplacadoras de veículos) e 6 laranjas, que juntos atuavam nos golpes.

O esquema funcionava em quantos estados?

Segundo a polícia, há participação de funcionários do Detran em quase todos os estados brasileiros e o grupo atuava há cerca de cinco anos.

Ao todo, durante esse período, a polícia encontrou 37 veículos “criados” pelo grupo no Piauí. Contudo, a estimativa é de que esse número chegue a cerca de 300.

Eles utilizavam números de “chassis nus” (carros não emplacados) de vários estados para “emplacar” o veículo inexistente em vários Detrans pelo país.

Os golpes eram aplicados contra instituições financeiras e bancos, de forma geral.

A polícia informou que, de posse dos documentos criados pelo grupo criminoso, laranjas emprestavam seus nomes para obter financiamentos e realizar consórcios.

Assim, a quadrilha obtinha os valores, que somaram prejuízos de mais de R$ 150 milhões aos bancos só no Piauí. No Brasil todo, a estimativa é de R$ 1 bilhão em golpes.

Como exatamente o esquema funcionava?

Segundo a polícia, o golpe começava com a invasão de sistemas de dados de concessionárias e pequenas empresas corretoras de veículos. Dessa forma, o grupo obtinha os números dos chassis.

Com os dados, o grupo fazia o “emplacamento” dos veículos, gerando números do DUAL e DUT dos veículos, necessários para fazer o financiamento nos bancos.

Com dois laranjas, o grupo simulava uma compra e venda de um veículo, com valor acima do valor de mercado.

O “comprador” então entregava ao “vendedor” de 40% a 60% do valor do carro e os bancos, vítimas do golpe, financiavam o restante. Esses valores do financiamento eram distribuídos entre os criminosos.

Por que o grupo preferia financiar veículos de luxo?

Segundo a polícia, o grupo criminoso focava em financiar veículos mais caros, portanto, de luxo. Assim, obtinham valores mais altos a cada golpe.

Em média, os veículos tinham valores entre R$ 600 mil e R$ 800 mil. Assim, quando financiavam, tinham um alto percentual pago pelo banco.

Como o golpe foi descoberto?

Segundo o diretor do Detran, técnicos do órgão observaram particularidades em algumas notas fiscais, entre elas: valores de veículos muito altos e preços “fechados”.

Nas etapas desde a “compra” até o “emplacamento” do veículo, o grupo tinha membros atuando no Detran para driblar a necessidade de apresentar o carro, fisicamente, no local. Etapas essas que são a vistoria e o emplacamento.

No momento da conferência, contudo, os valores “fechados” chamaram a atenção de outros servidores. “Eu percebi, quando olhei a nota, e achei estranho que o valor do carro estava exatamente em R$ 160 mil, já que é comum um valor mais quebrado, com centavos”, contou o delegado Odilo.

Veja a íntegra da nota do Detran:

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PI), esclarece que não tem maiores informações acerca da operação “Hidra de Lerna, deflagrada pela Polícia Civil, tendo em vista que a investigação corre em sigilo.

Destacamos ainda que, esta operação teve início em 2021 a partir de requerimentos expedidos pela Procuradoria do Detran-PI, que identificou a utilização de notas fiscais frias e encaminhou às entidades policiais para a apuração de eventuais prejuízos cometidos ao Departamento e ao Governo do Estado.

O Detran-PI tem contribuído com as autoridades policiais no que tange ao encaminhamento de documentos necessários ao seguimento da operação. Maiores esclarecimentos serão dados em entrevista coletiva concedida pela Delegacia Geral do Estado.

g1

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