Eduardo Cunha lê carta a Moro em audiência e diz ter aneurisma cerebral; veja o vídeo!

Ex-presidente da Câmara é réu na Lava Jato e está preso desde outubro O deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse que tem um aneurisma cerebral parecido com o que a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva tinha. O vídeo acima mostra Eduardo Cunha lendo uma carta ao juiz federal Sérgio Moro, […]

Por Editoria Delegados

Ex-presidente da Câmara é réu na Lava Jato e está preso desde outubro

O deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse que tem um aneurisma cerebral parecido com o que a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva tinha.

O vídeo acima mostra Eduardo Cunha lendo uma carta ao juiz federal Sérgio Moro, em que faz esta afirmação.

A carta foi lida no fim da audiência realizada na tarde desta terça-feira (7) na Justiça Federal do Paraná, em Curitiba. A oitiva era sobre uma ação penal oriunda da Operação Lava Jato, em que o deputado cassado é réu.

“Eu gostaria de dizer que eu também sofro do mesmo mal que acometeu a ex-primeira dama Marisa Letícia, o aneurisma cerebral. Aproveito até para prestar à minha solidariedade a família pelo passamento”, disse o ex-presidente da Câmara.

Primeiro interrogatório

O deputado cassado foi interrogado pela primeira vez por Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância. Foram três horas de audiência, que começou às 15h e terminou por volta das 18h.

“O presídio onde ficamos não tem a menor condição de atendimento, se alguém passar mal. São várias as noite em que presos gritam sem sucesso por atendimento médico que não são ouvidos pelos poucos agentes que lá ficam à noite”, alegou Eduardo Cunha.

Preso em 19 de outubro, em Brasília, o ex-presidente da Câmara é acusado de receber propina de contrato da Petrobras para exploração de petróleo no Benin, na África, e usar contas na Suíça para lavar o dinheiro. Eduardo Cunha está detido no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana da capital paranaense.

Eduardo Cunha criticou sentença de Sérgio Moro, mencionando empresas estrangeiras que não foram condenadas. “As punições não podem ser seletivas e poupar os corruptores internacionais. Falo com a autoridade de quem foi responsável pelo impeachment da ex-presidente da República para defender a legalidade do nosso país”.

Ao ler a carta, Cunha disse ainda que não é a prisão que vai impedi-lo de elencar opiniões.

“Que os verdadeiros culpados sejam punidos, mas respeitado o contraditório, além do devido processo legal, e que não haja antecipação de cumprimento de pena por prisão cautelar ao arrepio da lei”.

Pedido de revogação da prisão

Em seguida, Eduardo Cunha argumentou o porquê o juiz deveria atender ao pedido da defesa de revogar a prisão. Na avaliação do ex-presidente da Câmara, dupla cidadania e risco de fuga não configuram prisão preventiva. Ele disse ainda que não possui recurso no exterior.

“Que Vossa Excelência possa aproveitar este momento e me permitir, como qualquer cidadão, já que o Supremo decidiu que o cumprimento da sentença tem que ser a partir da condenação em segundo grau, que me permita seguir o Supremo, se por ventura, eu tiver uma condenação confirmada e não tenha uma antecipação de cumprimento de pena, e numa condição degradante como a transferência para um presídio onde lá eu to colocado em uma situação absurda”.

O deputado cassado se queixou por estar detido com presos violentos. Ele mencionou que local já teve tentativa de fuga e que conseguiu ouvir a explosão que resultou na fuga de 28 presos na Penitenciária Estadual de Piraquara I (PEP I), que também fica na Região Metropolitana de Curitiba, em janeiro.

Apesar de reclamar das condições, o ex-presidente da Câmara afirmou que tem sido tratado de forma respeitosa na unidade penal.

A defesa de Eduardo Cunha esclareceu que pedido de liberdade foi em função do fim da instrução do processo e não enhuma relação com aneurisma cerebral mencionado pelo cliente durante a audiência.

Trusts

Durante o interrogatório, Sérgio Moro pediu que o ex-deputado falasse sobre os trusts – empresas utilizadas para fazer a custódia e a administração dos bens, interesses e dinheiro – ue detinha no exterior.

O ex-presidente da Câmara disse que as empresas Triumph, Orion e Netherton foram criadas para administrar valores e tomar as decisões sobre os investimentos. De acordo com Cunha, em apenas um momento ele teve uma procuração para fazer algumas transações limitadas da Orion.

Eduardo Cunha também afirmou que a transferência dos valores da Triumph e da Orion, para a Netherton, foi feita em abril de 2014, no início da Operação Lava Jato – que teve a primeira fase deflagrada em 17 de março de 2014 –, mas que a decisão de transferir o dinheiro foi tomada em janeiro, por orientação do próprio banco.

O juiz federal perguntou se, durante depoimento espontâneo na Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Petrobras, quando Eduardo Cunha declarou que não tinha contas no exterior, o ex-deputado não entendeu que era relevante prestar as informações sobre os trusts.

Eduardo Cunha disse que falou a verdade conforme a pergunta que lhe foi feita. “Se tivessem me feito a pergunta completa, eu teria respondido a verdade completa”, pontuou.

Sérgio Moro perguntou, então, se o ex-deputado não considerava que tinha obrigação de revelar essa informação. Eduardo Cunha disse então que acha que falou a verdade, de acordo com a pergunta feita a ele.

“Eu não tinha razão nenhuma para mentir, até porque eu não minto. Consequentemente, eu fui lá e falei a verdade”, declarou.

Na continuação do interrogatório, o deputado cassado disse que estaria mentindo se dissesse que tinha contas, porque a conta pertence ao trust, segundo ele.

“No mundo da política, a gente não fala aquilo que não é perguntado”, argumentou.

Nomeação de Zelada

Eduardo Cunha afirmou, ainda, que não teve nenhuma participação na nomeação de Jorge Zelada para diretoria da Petrobras, cujo processo, diz ele, foi conduzido por Fernando Diniz.

O deputado cassado diz ter ido à estatal em apenas duas ocasiões, sem tratar de negociação de cargos com ninguém.

“As duas únicas vezes em que estive na Petrobras, durante meu mandato de deputado federal, foram numa audiência, acompanhando a ex-governadora Rosinha quando o presidente [da Petrobras] era o [Sérgio] Gabrielli, e em uma audiência com a então presidente Graça Foster, levando um prefeito de uma cidade na qual eu era votado”, relatou.

 

G1

 

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