Delegado de Homicídios do RJ orgulha-se do alto índice de crimes solucionados

“Mostramos à população que, se alguém matar, tem chance de ser preso” disse o delegado Aos 12 anos, ele descobriu no início do livro quem era o assassino em ‘O Caso dos Dez Negrinhos’, de Agatha Christie. Nove anos depois, quando tinha 21, as histórias de crime saíram das páginas de ficção para a […]

Por Editoria Delegados

“Mostramos à população que, se alguém matar, tem chance de ser preso” disse o delegado

 

Aos 12 anos, ele descobriu no início do livro quem era o assassino em ‘O Caso dos Dez Negrinhos’, de Agatha Christie. Nove anos depois, quando tinha 21, as histórias de crime saíram das páginas de ficção para a realidade de Wellington Vieira, que se tornou policial em 1985.

 

 

 

Titular da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí desde junho de 2012, ele começou a investigar as mortes na região quando era o único delegado de uma unidade com 20 policiais. “Trabalhava por amostragem: escolhia um crime e resolvia. Geralmente, era um caso de repercussão”.

 

Um deles foi o assassinato de parentes do estilista Beto Neves, dono da grife Complexo B, em outubro de 2013, em São Gonçalo. O advogado Michel Salim foi preso sob acusação de mandar matar a mãe e a sobrinha de Beto, além do namorado da moça.

 

“Foi um caso emblemático porque ele é uma pessoa influente aqui na cidade. E Niterói tem disso. Ele era protegido do Poder Judiciário, do Ministério Público e da própria polícia e agora é réu e pode ser julgado e condenado”, comentou o delegado.

 

Em janeiro deste ano, a delegacia foi elevada a divisão, se estruturou aos moldes da DH da capital e hoje Vieira tem sob seu comando 160 pessoas, incluindo dez delegados. O chefe da equipe comemora o alto índice de crimes solucionados.

 

Segundo ele, de janeiro até agora, a média é de 34% de homicídios resolvidos por mês. Nesse período, foram presos 106 acusados de assassinato, inclusive policiais. “Mostramos à população que, se alguém matar, tem chance de ser preso”, disse.

 

Traficantes de drogas e milicianos ou grupos de extermínios são os maiores “clientes”, como Vieira costuma dizer. Segundo ele, é nos grupos de extermínio que se encaixam os PMS e ex-PMs.

 

O delegado conta que já prendeu muitos e considera um serviço antipático porque seu objetivo não é prender PM ou ex-PM. “Mas acabamos esbarrando neles e não podemos parar. Quem comete crime com a farda trai a PM, assim como o policial civil trai o distintivo. Era para estar do lado oposto, mas eu acho que é a minoria.”

 

Das cidades sob sua jurisdição, São Gonçalo é a que tem mais homicídios: pelo menos um por dia. As regiões mais violentas na cidade são as da 74ª DP (Alcântara) e da 75ª DP (Rio do Ouro), onde o tráfico é responsável pela maioria das mortes.

 

Depois, vêm assassinatos por grupos de extermínio ou milícia. Por fim, os crimes passionais, mais comuns em Niterói. “Quanto mais rápido chegarmos ao local de crime, maior a chance de êxito. A meta é chegar 30 a 40 minutos após sermos acionados.”

 

Dois projetos pioneiros

 

O delegado Wellington Vieira criou dois projetos pioneiros para transformar a Delegacia de Homicídios em modelo. O primeiro é o Núcleo de Investigação de Homicídio Homofóbico, que só cuida de assassinatos de gays. A ideia surgiu depois de uma audiência pública na Alerj, quando mães de homossexuais assassinados reclamaram que a polícia não dava atenção a esses casos.

 

“O policial precisa entender o mundo gay, onde eles andam e se encontram. Treinamos policiais para isso, e o Rio sem Homofobia (programa do governo do estado) nos ajuda. O mais importante é a rede de informantes que criamos”, diz o policial.

 

A experiência já deu certo. Segundo o delegado, dos três homicídios contra gays registrados na DH, dois foram resolvidos. “Levamos a foto do morto em locais gays e todos o conheciam. Isso facilitou as investigações”, contou.

 

Outro projeto é o Setor de Rastreamento de Armas. A DH de Niterói foi escolhida para testar um equipamento importado que escaneia em 3D as armas apreendidas e cruza os dados. “Estou tentando rastrear as armas que matam na região para saber se um único armamento matou mais de uma pessoa. Já fazíamos isso manualmente. Agora, será muito mais rápido e vou montar um banco de dados.”

 

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