Código que diz revelar se o seu celular vem sendo espionado é falso; entenda

Um alerta que vem sendo compartilhado em redes sociais como o TikTok e WhatsApp está passando uma impressão errada sobre uma possível espionagem de telefones celulares. Nos vídeos, influenciadores e usuários comuns ensinam como, a partir de discagem de dois códigos, seria possível saber e impedir que chamadas e informações sejam enviadas a terceiros […]

Por Editoria Delegados

 

Um alerta que vem sendo compartilhado em redes sociais como o TikTok e WhatsApp está passando uma impressão errada sobre uma possível espionagem de telefones celulares. Nos vídeos, influenciadores e usuários comuns ensinam como, a partir de discagem de dois códigos, seria possível saber e impedir que chamadas e informações sejam enviadas a terceiros a partir de um smartphone.

Os dígitos funcionam tanto no sistema operacional Android quanto no iOS. A primeira indicação é pela discagem da sequência *#21#, que abre uma tela com diferentes informações relacionadas ao desvio de informações; a ideia do alerta é que, caso tudo esteja desativado, o celular não está sendo espionado. Do contrário, o usuário deve digitar o código ##002# para efetuar o cancelamento imediato.

Vídeo viral indica códigos que permitiriam descobrir e cancelar espionagem no smartphone; dígitos, na realidade, são relacionados ao encaminhamento de chamadas (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)
A dica é falsa e não serve para flagrar eventuais espionagens às comunicações de um smartphone, que normalmente acontecem por meio de aplicativos instalados sem a anuência do usuário. Muitas dessas aplicações estão disponíveis livremente, principalmente na Google Play Store, e costumam ser usadas por conjugues, companheiros ou pais no monitoramento oculto de parceiros ou filhos. Para os especialistas em segurança, tais soluções também são consideradas como malware.

Menus “secretos”

Os vídeos trazem uma meia verdade, ou talvez nem tanto, relacionada ao sistema de direcionamento de chamadas. Por meio dos códigos citados, é possível verificar o status de ativação do serviço, seja para ligações comuns ou aquelas feitas por meio de sistemas de voz sobre IP, e desativar completamente qualquer opção do tipo, retornando o celular ao seu estado original.

Códigos “secretos” dão acesso a serviços e configurações do smartphone que, muitas vezes, também podem ser acessados pelos menus usuais dos aparelhos

É uma função utilizada, por exemplo, quando um funcionário sai de férias e deseja que as ligações de um telefone de trabalho sejam redirecionadas a um colega, em vez de caírem diretamente na caixa postal. Ou, então, caso você deseje que, durante o expediente, todas as chamadas caiam diretamente no telefone de sua mesa, para que você não precise ficar atendendo o celular. É um recurso simples, que nada tem a ver com espionagem.

O caráter misterioso dos códigos tem a ver com o fato de que estas são opções que, muitas vezes, podem ser desativadas por administradores de parque tecnológico ou até mesmo operadoras de telefonia. Seja para que não sejam ativadas por engano ou por estarem atreladas a pacotes pagos de serviços, seu desligamento não significa que o recurso deixou de existir e ainda permanece acessível pelos chamados códigos de interrogação.

Presentes tanto no iOS quanto no Android, esses dígitos também dão acesso a outros recursos do smartphone. Por meio da “discagem” do *#06#, por exemplo, é possível visualizar o IMEI do celular, ou pelo *#31#, verificar se seu número pode ser identificado por outros aparelhos por meio da famosa “bina”. Outras funcionalidades envolvem informações sobre centrais de atendimento da operadora, proximidade de torres de transmissão e bloqueio de chamadas.

O perigo dos stalkerwares

Como dito, nenhum dos códigos está relacionado diretamente à espionagem, com as opções não dando acesso a recursos relacionados aos pacotes de dados, por exemplo. Mais do que as ligações, são as mensagens e as mídias compartilhadas o grande alvo de golpistas e indivíduos mal-intencionados que buscam aplicativos que registram tudo em um aparelho. E acredite, você não vai conseguir se livrar deles digitando um simples código.

De acordo com dados da ESET, empresa especializada em segurança digital, cresceu em 48% o uso de softwares espiões em 2020, principalmente contra os usuários do sistema operacional Android. Como dito, são apps voltados para controle parental ou monitoramento de cônjuges que realizam essa tarefa de forma irrestrita e, muitas vezes, sem que a própria vítima saiba que está sendo acompanhada de perto.

Stalkerwares oferecem recursos de controle parental, mas também de espionagem de parceiros e monitoramento de localização, arquivos e mensagens trocadas

Em muitos casos, tais softwares não apenas são capazes de registrar tudo o que é digitado e as mensagens, as coordenadas de GPS ou mídias enviadas ou recebidas, mas também ativar recursos sem o conhecimento do espionado. Algumas das opções analisadas pela ESET, por exemplo, permitem que um terceiro ative a câmera e o microfone de um aparelho através do envio de um SMS, com áudio e vídeo sendo transmitidos sem que a vítima saiba.

Os malwares, também, se escondem por trás de ícones legítimos, como se fossem recursos do sistema operacional, ou usando a identidade de outros aplicativos. Sua própria atuação, também, acontece em segundo plano, sem que notificações sejam exibidas, bem como eventuais mensagens de erro ou até mesmo o recebimento das chamadas e mensagens de texto que permitem o controle remoto.

A recomendação dos especialistas para quem deseja evitar ser espionado é não compartilhar senhas de acesso ao celular com ninguém. O aparelho também não deve ser deixado desatendido, enquanto desbloqueado, de forma que aplicações não possam ser instaladas sem o seu consentimento. Vale a pena, ainda, tomar cuidado com links recebidos e evitar o download de softwares a partir destas fontes.

Descobrir sobre uma espionagem é mais difícil, mas alguns indicadores do próprio smartphone podem servir como sinal. Observe se existem registros de um consumo acima do usual de dados de internet, bateria ou processamento e dê uma olhada nos aplicativos instalados, bem como naqueles que estão rodando em segundo plano, em busca de algo estranho.

Caso identifique, o ideal é suspender o uso do aparelho, principalmente de aplicações bancárias ou plataformas que exijam senha, e realizar a desinstalação da solução suspeita, além da varredura do celular com um software de segurança. Caso queira garantir, vale a pena fazer o backup de dados, contatos e conversas e realizar um reset completo do dispositivo, um processo capaz de limpar qualquer solução maliciosa que esteja rodando no smartphone.

Canal Tech

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

 

Veja mais

Tatiana Trigueiro entra para a Lista das Melhores Delegadas de Polícia do Brasil! Censo 2026

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Delegado de Polícia pode determinar uso de tornozeleira eletrônica

Decisões Jurídicas Policiais: Lei 15.383/2026 prevê monitoramento imediato em situações de risco, dispositivo de alerta às vítimas e punição maior pelo descumprimento de medidas protetivas

Delegada fingiu ser mãe de adolescente sequestrada para negociar com suspeitos

(ES) A estratégia ajudou a polícia a encontrar a adolescente em menos de 48 horas. Ela foi resgatada com vida e a família não precisou pagar o valor exigido

Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre direção da PF

Fachin suspende decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da PF e decisão de Dino que reintegrou diretor

Salário de agente, escrivão e investigador não pode ficar vinculado ao de delegado, decide STF

Supremo invalida vinculação da remuneração de policiais civis à de delegados de Polícia Civil

Dino determina reintegração de diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues

Flávio Dino reverte afastamento de cúpula da PF, critica 'decisão em causa própria' e aponta risco a investigações do caso 'Dark Horse'

Fenadepol e ADPF divulgam notas de repúdio após afastamento de dirigentes da Polícia Federal

Entidades Federais defenderam a preservação das prerrogativas institucionais do órgão
Veja mais

11 Diretores da Polícia Federal apoiam Andrei Rodrigues e entregam cargos

08SET26 -(1)
O pedido de vista não derruba a liminar de André Mendonça, que continua valendo. Com o afastamento de Andrei, o diretor-executivo da PF, William Murad, deve ficar interinamente na chefia

Advogado é preso após filmar pernas de guarda municipal em supermercado

(PI) Um advogado foi preso sob suspeita de importunação sexual. O homem teria filmado, com um telefone celular, as pernas de uma guarda municipal no supermercado Pão de Açúcar, na

Ministro André Mendonça afasta Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal

08SET26 -
Ministro do STF diz que 'há mais de 30 dias tem sido monitorado pela Polícia Federal' e submete decisão para análise da Segunda Turma

Uso de algemas em advogado no ‘exercício da advocacia’: decisões jurídicas policiais adotadas

Tipicidade, metodologia de abordagem, itinerário de atos, captura, uso de algemas, condução e autuação

Piauí completa quatro meses consecutivos sem registros de latrocínio

02SET26 -
(PI) Dados da Segurança Pública apontam redução contínua nos últimos três anos

Aviator online: como a regulação brasileira enquadrou os crash games e o que isso muda para o jogador

01SET26 -
Em 2026, com mais de 25 mil URLs de plataformas bloqueadas pelo SPA e 550 contas bancárias encerradas, o mercado regulado tem ferramentas reais para fazer cumprir essas garantias, e

Promotor de justiça abandona apurações de concursos por temer pistolagem, CV e PCC

Promotor Coaracy (direita) é um nome conhecido no estado porque foi procurador-Geral de Justiça de Alagoas
(AL) Titular da 17ª Promotoria de Justiça da Capital/Fazenda Pública Estadual, Coaracy é um nome conhecido no estado porque foi Procurador-Geral de Justiça de Alagoas entre 2005 e 2008.
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.