Chefe da Polícia Civil do MS faz reunião para discutir ameaças a delegado Peró

Presos planejavam de dentro do presídio atentado ao delegado Fábio Peró Os planos de execução do Delegado Fábio Peró, da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, feitas por integrantes do grupo de extermínio de Campo Grande alvo da Operação Omertà, motivou uma reunião para discutir a segurança de chefes de polícia, que será realizada […]

Por Editoria Delegados

Presos planejavam de dentro do presídio atentado ao delegado Fábio Peró


Os planos de execução do Delegado Fábio Peró, da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, feitas por integrantes do grupo de extermínio de Campo Grande alvo da Operação Omertà, motivou uma reunião para discutir a segurança de chefes de polícia, que será realizada na tarde de hoje (3). Medida cautelar divulgada por promotores do Gaeco aponta que o titular do Grupo Armado de Repressão a Assaltos e Sequestros (Garras) corre risco de um atentado contra sua vida, que estaria sendo articulado de dentro do próprio Centro de Triagem pelos milicianos presos.

O delegado-geral do Estado, Marcelo Vargas, reduziu agenda que cumpria em Brasília com o ministério da Justiça e Segurança Pública, do ministro Sérgio Moro, com intuito de retornar ao Mato Grosso do Sul e realizar reunião onde estará presente o delegado-adjunto do Garras, João Paulo Sartori, o delegado Fábio Peró e a cúpula da Polícia Civil. O intuito da reunião, que será realizada na sede da Delegacia Geral de Polícia, é estabelecer força-tarefa para investigar os planos da milícia armada, além de debater medidas para proteger os possíveis alvos das ameaças do grupo.

Em nota divulgada na manhã desta quinta-feira (3), a Associação de Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul (Adepol-MS) se manifestou sobre o caso e declarou apoio ao delegado alvo das ameaças de morte. A Adepol afirmou dar “total e irrestrito apoio” tanto a Fábio Peró quanto a todos policiais que “venham a sofrer qualquer tipo de tentativa torpe de impedir o exercício das funções”.

Fábio Peró estava a frente das investigações que culminou na prisão de dezenove pessoas, entre eles o empresário Jamil Name e seu filho, apontados como chefes da organização criminosa de pistolagem composta em sua maioria por guardas municipais, policiais aposentados e militares. Ainda segundo as investigações, a milícia armada desarticulada seria responsável pela execução de pelo menos 3 mortes na Capital.

 

A informação sobre o possível atentado foi divulgada em documentos protocolados pelo Gaeco, no Ministério Público do Estado, como forma de demonstrar a periculosidade dos presos no pedido para manter a prisão preventiva dos envolvidos, que estão no presídio desde a última sexta-feira (27).

Por determinação do secretário especial de Segurança e Defesa Social do município, Valério Azambuja, os quatro guardas municipais presos pela Operação Omertà foram afastados dos seus cargos por 60 dias. A determinação foi divulgada na manhã de hoje (3) no Diário Oficial de Campo Grande. Alcinei Arantes da Silva, Eronaldo Vieira da Silva, Igor Cunha de Souza e Rafael Carmo Peixoto Ribeiro se tornaram alvo de processos administrativos disciplinares e, conforme a publicação, Alcinei Arantes e Eronaldo perderam também o porte de arma.

CASO

A força-tarefa da qual participa o delegado Fábio Peró Correa Paes foi criada em novembro do ano passado, depois das execuções de Ilson Figueiredo (ocorrida em junho daquele ano), de Marcel Costa Hernandes Colombo, o “Playboy da Mansão”, e Orlando da Silva Fernandes, o “Bomba” (ambas ocorridas em outubro de 2018).

No dia 9 de abril deste ano, a execução por engano do estudante de Direito Matheus Coutinho Xavier intensificou as investigações. O alvo do crime seria o pai de Matheus, o policial militar Paulo Roberto Teixeira Xavier.

A investigação sobre o grupo de extermínio avançou já no fim de abril, quando o motorista Juanil Miranda Lima e o ex-guarda municipal José Moreira Freires, apontados como os executores do crime, simplesmente desapareceram após o depoimento de um rapaz, que era responsável pelo rastreamento telemático e eletrônico de Xavier. Os dois estão entre os alvos da operação, mas são os únicos foragidos até agora. Por isso, o Garras e o Gaeco oferecem recompensa de R$ 2 mil para quem dar informações sobre o paradeiro deles, sob compromisso de manutenção do anonimato.

Depois que a dupla desapareceu, o inquérito conduzido por Fábio Peró teve um feito emblemático: apreendeu no dia 19 de maio um arsenal que estava escondido em uma casa no Bairro Monte Líbano. Eram seis fuzis (dois deles AK-47) além de dezenas de pistolas, revólveres, espingardas e milhares de munições.

O guarda municipal Marcelo Rios, que custodiava o material, está preso desde então. Depois desta prisão em flagrante, com todos os suspeitos monitorados e com a análise das mídias eletrônicas apreendidas, os policiais do Garras e os promotores do Gaeco chegaram ao grupo, supostamente liderado pela família Name, preso na sexta-feira, 27 de setembro.

Correio do Estado

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