’35 mil novos presos por semestre’, por Luiz Flávio Gomes

  O Brasil é um país violento. A criminalidade tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. O crescimento econômico não a diminuiu, ao contrário. Mas o encarceramento massivo não é a solução. Se fosse, os EUA, com mais de 2 milhões de presos (700 para cada 100 mil habitantes), não teriam mais crimes, não teriam quase […]

Por Editoria Delegados

 

O Brasil é um país violento. A criminalidade tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. O crescimento econômico não a diminuiu, ao contrário. Mas o encarceramento massivo não é a solução. Se fosse, os EUA, com mais de 2 milhões de presos (700 para cada 100 mil habitantes), não teriam mais crimes, não teriam quase 15 mil assassinatos por ano. Em poucos anos o Brasil vai passar a Rússia (800 mil presos) e seremos o terceiro país mais encarcerador do planeta, sem resolver o problema da criminalidade.

De acordo com os novos dados do DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional) de junho deste ano, o Brasil fechou o primeiro semestre de 2012 com um total de 549.577 presos em seu sistema prisional, um acréscimo de 34.995 detentos em relação à dezembro de 2011 (Veja: Brasil fechou 2011 com 514.582 presos).

Diante nesse novo valor absoluto e, considerando a estimativa populacional usada pelo próprio DEPEN, de 190.732.694 habitantes no país, os levantamentos do Instituto Avante Brasil chegaram a uma nova taxa relativa, qual seja a de 288,14 presos a cada 100 mil habitantes.

As análises indicaram ainda que, nos últimos dez anos (2003-2012), o número de presos cresceu 78% e nos últimos 23 anos (1990 a 2011), o país teve um aumento de 511% em sua população carcerária, já que em 1990 contabilizava 90 mil presos. Assim, no lapso de tempo em que toda população nacional aumentou 1/3, a população carcerária cresceu 6,1 vezes.
 
Ou seja, apesar do esgotamento do sistema penal brasileiro, em virtude de estabelecimentos superlotados, sujos, precários, inseguros e desumanos, conforme já apontou o Relatório do Mutirão Carcerário 2010/2011 realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de presos no país cresce com uma velocidade cada vez mais estrondosa no Brasil.   
 
Ao mesmo tempo, o Brasil se mantém como o 20º país mais homicida do mundo, matando 27,3 pessoas a cada 100 mil habitantes, sendo considerado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) uma zona epidêmica de homicídios (uma vez que ultrapassa a taxa de 10 mortes a cada 100 mil habitantes). Resta, assim, a indagação de quando iremos entender que repressão, vingança e encarceramento massivo definitivamente não são caminhos válidos de combate à mortandade, mas sim novas molas propulsoras de mais animosidade e violência (Veja: Política brasileira errada não reduz violência).

 

Sobre o autor
 
*LUIS FLÁVIO GOMES – Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do atualidadesdodireito.com.br. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). Estou no www.professorlfg.com.br.
 
**Colaborou: Mariana Cury Bunduky – Advogada, Pós Graduanda em Direito Penal e Processual Penal e Pesquisadora do Instituto Avante Brasil.

 

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

Veja mais

Reinterpretando os grupos criminosos com base na Lei de Antifacção

Por Placidina Pires e Adriano Sousa Costa

Concurso para Delegado de Polícia Civil do DF: inscrições quinta-feira

(DF) Prazo segue até o dia 25; salário inicial pode chegar a R$ 26.690,15, com 50 vagas imediatas para atuação em delegacias do DF

Delegados deixam Pernambuco em meio à desvalorização da carreira

(PE) Para o presidente da ADEPPE, delegado Diogo Victor, o cenário reflete uma política de desvalorização da carreira no estado, especialmente quando comparada a outras funções do sistema de Justiça

Lei Antifacção: crime de ameaça por faccionado e crime de intimidação por falso faccionado, uma distinção e um ajuste necessário

Por Eduardo Luiz Santos Cabette, Antônio Wellington Brito Júnior, Kleber Leandro Toledo Rodrigues e Joaquim Leitão Júnior

Brasil registra menor número de homicídios e latrocínios da década no primeiro trimestre

Dados consolidados de janeiro a março apontam queda histórica nos crimes letais e avanço na atuação das forças de segurança

Furto, Estelionato e Receptação não têm mais fiança policial

Com a atualização do Código Penal, Delegado de Polícia não pode mais arbitrar fiança policial nos crimes de furto, receptação e estelionato

Furto simples não tem mais fiança policial

Com a atualização do Código Penal, Delegado de Polícia não pode mais arbitrar fiança em furto simples
Veja mais

Ceder conta bancária “laranja”para prática de crime

04MAI26 --4
Mudanças ampliam penas para fraudes eletrônicas e passam a punir quem cede contas bancárias para práticas criminosas

Lei 15.397 aumenta penas de crimes de furto, roubo, receptação, estelionato e latrocínio

Governo Federal publicou, nesta segunda-feira (4), a Lei nº 15.397 foca, especialmente, na criminalidade moderna e nas infrações que afetam o cotidiano do cidadão, como o roubo de celulares e

Ameaça forjada do CV, interferências municipais e decisões atípicas: TJ afasta mais um juiz por suspeita de falhas graves

(MT) A corregedoria também investiga ataques verbais proferidos pelo magistrado contra autoridades locais e o uso indevido de sua escolta para fins particulares.

Delegado da Polícia Civil Guilherme Escobar morre no Piauí

(PI) Guilherme Escobar estava lotado na Delegacia Seccional de Oeiras e já havia atuado nas cidades de Pio IX, Gilbués e Picos.

Responder por crime de mesma natureza justifica prisão preventiva

A Prisão Preventiva em Casos de Reiteração Delitiva: Fundamentos Jurídicos e Aplicação Prática

Saudade, respeito e legado: 30 dias sem Steferson Nogueira

Delegado Steferson Nogueira | PCPB
Reconhecido por sua atuação firme, estratégica e humana, ele deixou marcas profundas na Polícia Civil da Paraíba e no cenário nacional.

Red Pill: O Direito não pune sentimentos, mas condutas, sim

Delegada Raquel Gallinati
Raquel Gallinati: Já não estamos diante de liberdade. Estamos diante de risco.
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.