STJ estabelece diretrizes sobre a admissibilidade de confissões feitas à polícia no ato da prisão

O colegiado determinou que a confissão extrajudicial somente será aceita em processos judiciais se realizada de maneira formal e documentada, dentro de um ambiente público e oficial. Essas garantias são irrenunciáveis pelo interrogado, e, caso alguma não seja cumprida, a prova será considerada inadmissível. Essa inadmissibilidade persiste mesmo que a acusação tente introduzir a confissão […]

Por Editoria Delegados

O colegiado determinou que a confissão extrajudicial somente será aceita em processos judiciais se realizada de maneira formal e documentada, dentro de um ambiente público e oficial. Essas garantias são irrenunciáveis pelo interrogado, e, caso alguma não seja cumprida, a prova será considerada inadmissível. Essa inadmissibilidade persiste mesmo que a acusação tente introduzir a confissão extrajudicial por meio de outras provas, como o testemunho do policial que a colheu.

A segunda diretriz estabelece que a confissão extrajudicial admissível pode servir apenas como meio de obtenção de provas, direcionando a polícia ou o Ministério Público a possíveis fontes de provas durante a investigação, mas não pode fundamentar uma sentença condenatória.

Por fim, foi decidido que a confissão judicial, em princípio, é válida, mas, para a condenação, apenas será considerada a confissão que esteja corroborada por outras provas, conforme o artigo 197 do Código de Processo Penal (CPP).

As diretrizes foram estabelecidas em um caso no qual o Ministério Público de Minas Gerais denunciou um homem pelo furto de uma bicicleta enquanto a vítima fazia compras em um supermercado. Após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenar o réu a um ano e quatro meses de reclusão, a defesa recorreu ao STJ, alegando que a condenação foi baseada em uma confissão extrajudicial – segundo o acusado – obtida sob tortura.

Admissibilidade da confissão extrajudicial depende de garantias institucionais

O relator do recurso, ministro Ribeiro Dantas, observou que, quando o preso é devidamente registrado no sistema de custódia e recebe a orientação jurídica adequada antes de ser interrogado na delegacia, torna-se mais difícil para um policial mal-intencionado torturá-lo para obter informações, pois o nível de formalidade nesse momento é mais elevado e difícil de ser contornado.

Assim, de acordo com o relator, para que a confissão extrajudicial seja admitida em processo judicial, é imprescindível a adoção de garantias institucionais que mitiguem os riscos, tornando a prova mais confiável. “Sem salvaguardas e considerando que o Brasil ainda é profundamente marcado pela violência policial, sempre haverá uma incerteza sobre a voluntariedade da confissão extrajudicial”, afirmou.

Confissão deve ser avaliada juntamente com outras provas

O ministro enfatizou que é equivocado atribuir valor probatório absoluto à confissão, pois esta frequentemente figura em condenações injustas. Dessa forma, segundo o magistrado, é crucial detalhar as regras de valoração racional para esclarecer o peso real da confissão e diminuir o risco de condenações de inocentes que possam ter confessado falsamente.

Ribeiro Dantas ressaltou que o CPP estabelece diretrizes para a valoração da confissão nos artigos 197 e 200, os quais determinam que a confissão deve ser analisada em conjunto com outras provas, cabendo ao juiz avaliar se há compatibilidade entre elas. No entanto, o ministro destacou que esses artigos não especificam o grau de compatibilidade necessário entre a confissão e as demais provas, deixando ao juiz a tarefa de utilizar critérios racionais para fundamentar suas conclusões sobre a prova.

O relator destacou a importância de um conjunto probatório robusto em julgamentos criminais, já que a inclusão de novas evidências pode enfraquecer ou até refutar a tese original da acusação.

“A justiça criminal justa requer, portanto, uma investigação criminal eficiente, competente e profissional, sob pena de aumentar o risco de condenações de inocentes – risco que, com as práticas atuais da polícia e do Ministério Público brasileiros, é certamente elevado. É isso que exige o próprio artigo 6º do CPP, ao instituir para o delegado, entre outras, as obrigações funcionais de preservar o corpo de delito (inciso II) e arrecadar ‘todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato’ (inciso III)”, concluiu.

A Seção Terceira determinou que as diretrizes adotadas deverão ser aplicadas apenas a fatos ocorridos posteriormente.

Leia o acórdão no AREsp 2.123.334.

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

Veja mais

Ministério Público de SC arquiva caso de policial que matou detenta dentro de viatura para salvar colega enforcada

(SC) Investigação e perícia concluíram que agente disparou contra presa em legítima defesa para salvar motorista que estava sendo sufocada com algemas.

“Mãe te avisou”: mulher lamenta morte de filho após roubar delegado

(SP) Nas redes sociais, a mãe do jovem diz que sempre batalhou e ensinou os caminhos certos, mas acabou perdendo o filho para a ostentação

Advogado de acusada de integrar o PCC é investigado por suposta ameaça de morte a juiz durante audiência

(SP) Marcos Cebola citou um delegado executado, disse temer que o magistrado não “adentrasse ao Elísio” e afirmou que todos morreriam; ele nega ter feito ameaça

Polícia prende suspeitos de roubo a residências e a depósito de gás em João Pessoa

(PB) De acordo com a Polícia Civil, dos três alvos de mandados de prisão, um já cumpria pena na Penitenciária Silvio Porto. Há ainda dois suspeitos considerados foragidos.

Mulher é detida após dar tapa no rosto de policial durante briga em Barretos

(SP) Confusão entre duas mulheres terminou com agressão a uma policial militar durante intervenção da PM no evento

Abordagem policial ao advogado no ‘exercício da advocacia’: decisões jurídicas policiais adotadas

Tipicidade, metodologia de abordagem, itinerário de atos, captura e autuação

Adolescente “dá grau” e ainda bate em viatura policial de MG; ignorância audaciosa

(MG) Jovem de 17 anos foi flagrado empinando motocicleta e tentou fugir da abordagem; episódio foi registrado em Caraí (MG)
Veja mais

Murillo Ribeiro entra para a Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 MURILLO RIBEIRO
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Thiago Costa é aprovado, pela 2ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 THIAGO COSTA
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Rivotril, Venvanse, Ritalina, Zolpidem, outras substâncias, drogômetro e prática de crimes de trânsito

24AGO26 -(2)
Resolução do Contran estabelece procedimentos para detectar substâncias psicoativas em motoristas; regra alcança substâncias que também podem estar presentes em tratamentos médicos e prevê resultado qualitativo positivo como forma de

“Medida protetiva que realmente protege é a prisão”, afirma delegado-geral do PI

Delegado-Geral do PI Luccy Keiko defende prisão em situações de maior risco; legislação prevê medidas protetivas e admite prisão preventiva quando preenchidos os requisitos legais
(PI) Mais de 3 mil ocorrências reforçam debate sobre proteção de mulheres vítimas de violência em Teresina

Ministério Público de Alagoas flagra inquéritos parados, falta de efetivo e até pragas em delegacia

Inspeção ao 22º Distrito Policial, em Maceió | Ascom MPAL
(AL) Fiscalização no 22º Distrito Policial revela inquéritos parados, apenas 7 policiais no efetivo e pátio tomado pelo mato com carros se deteriorando

Vilma Alves: a vida da primeira delegada negra do Piauí

(PI) Conheça a história de pioneirismo da policial que comandou Delegacia da Mulher e foi primeira corregedora-geral da PC; Vilma morreu no último dia 18, aos 79 anos

Polícia Civil da Paraíba prende Guarda Civil de Parnamirim responsável por disparos de arma de fogo em casa de show

26AGO26 -
(PB) Guarda civil de Parnamirim é preso em João Pessoa após ser apontado como autor de disparos e tentativa de homicídio contra dois seguranças em uma casa de shows.
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.