O ‘vale-coxinha’ dos policiais civis do Rio de Janeiro

O valor do vale-alimentação pago aos policiais civis do Estado do Rio de Janeiro, de apenas R$ 12,00 por dia, é uma afronta sem precedentes à dignidade da nossa classe. Esse valor irrisório não apenas reflete o total descaso do governo com os profissionais de segurança, mas também demonstra sua incapacidade de valorizar aqueles que […]

Por Editoria Delegados

O valor do vale-alimentação pago aos policiais civis do Estado do Rio de Janeiro, de apenas R$ 12,00 por dia, é uma afronta sem precedentes à dignidade da nossa classe. Esse valor irrisório não apenas reflete o total descaso do governo com os profissionais de segurança, mas também demonstra sua incapacidade de valorizar aqueles que arriscam suas vidas todos os dias para proteger a população.

O descaso, infelizmente, não se restringe aos policiais. Ele reverbera diretamente na população fluminense. Quando o governo ignora as necessidades básicas dos policiais, como alimentação digna, condições de trabalho adequadas e uma remuneração justa, ele compromete a eficácia da segurança pública. O reflexo disso é o aumento da violência nas ruas, uma vez que uma força policial desmotivada e mal equipada tem menos capacidade de combater a criminalidade de forma eficaz. O risco para os cidadãos aumenta, e a sensação de insegurança se espalha, gerando um ciclo vicioso de violência e medo.

O vale-alimentação de R$ 12,00, que vigora desde 2012, tornou-se um símbolo do desrespeito com os policiais civis, sendo apelidado de “vale-coxinha”. Enquanto o governador gasta milhões em campanhas publicitárias tentando convencer a população de que a segurança pública está melhorando, os policiais civis são deixados à própria sorte, sem sequer o básico para sua alimentação.

As promessas vazias têm sido a marca da gestão de Cláudio Castro. O governador já anunciou diversas vezes a recomposição das perdas inflacionárias, que se arrastam há anos e resultaram na defasagem dos salários. Também prometeu a regulamentação de direitos previstos na Lei Orgânica da Polícia Civil. No entanto, essas promessas nunca se concretizaram. O discurso de valorização dos servidores da segurança pública é uma mera retórica para agradar eleitores, enquanto as medidas necessárias para uma efetiva valorização continuam ausentes.

O governador também parece ignorar os impactos dessas condições degradantes na motivação e no desempenho dos policiais civis. Como esperar excelência de uma força policial que é submetida a um vale-alimentação de R$ 12,00 por dia, um auxílio-transporte de R$ 100,00 por mês e nenhum apoio para um plano de saúde? A mensagem do governo é clara: os policiais civis, que enfrentam um dos maiores índices de risco de vida no Brasil, não são prioridade.

A gestão de Cláudio Castro parece mais preocupada em manter privilégios em outros setores do que em cumprir compromissos fundamentais com os servidores públicos. O descaso com o vale-alimentação, com a regulamentação da Lei Orgânica e com a recomposição salarial é um reflexo da inércia de um governo que prefere prometer do que agir. Como resultado, os servidores públicos são negligenciados e isso reflete na população.

É urgente que a sociedade cobre respostas do governo do Rio de Janeiro e exija que os policiais civis sejam tratados com o respeito e a valorização que merecem. Sem uma real valorização dos profissionais de segurança pública, o discurso de melhoria na segurança é apenas uma falácia. O respeito da sociedade pela polícia é, diretamente, um reflexo do respeito do Estado pela própria polícia. Se o Estado não respeita seus policiais, é evidente que a sociedade também não os respeitará.

O governador deve, antes de tudo, cumprir suas promessas e adotar medidas concretas para corrigir essas injustiças. Caso contrário, será lembrado como mais um governante que virou as costas para aqueles que arriscam suas vidas para proteger a sociedade, enquanto a violência segue aumentando nas ruas, afetando diretamente a população.

Por Leonardo Affonso. Presidente do Sindicato dos Delegados do RJ

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