Ministério da Justiça regulamenta uso de tecnologias da informação e inteligência artificial nas investigações criminais

Brasília (DF) – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) publicou, no Diário Oficial da União desta segunda-feira (30), a Portaria nº 961, datada de 24 de junho de 2025, que estabelece diretrizes para a utilização de soluções de tecnologia da informação aplicadas às atividades de investigação criminal e inteligência por órgãos de segurança […]

Por Editoria Delegados

Brasília (DF) – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) publicou, no Diário Oficial da União desta segunda-feira (30), a Portaria nº 961, datada de 24 de junho de 2025, que estabelece diretrizes para a utilização de soluções de tecnologia da informação aplicadas às atividades de investigação criminal e inteligência por órgãos de segurança pública em todo o país.

Assinada pelo ministro Ricardo Lewandowski, a normativa define os parâmetros legais e técnicos para a adoção de ferramentas digitais, como softwares, inteligência artificial, monitoramento remoto e análise de dados, pelas seguintes instituições federais: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Penal Federal, Força Nacional de Segurança Pública, Força Penal Nacional, Secretaria Nacional de Segurança Pública e Secretaria Nacional de Políticas Penais. Estados e municípios que utilizarem recursos dos fundos nacionais vinculados à segurança também deverão seguir as orientações.

Princípios e garantias fundamentais

A portaria determina que o uso dessas tecnologias deve estar em conformidade com os princípios da legalidade, proporcionalidade, necessidade e respeito aos direitos fundamentais, como a proteção de dados pessoais, a inviolabilidade da privacidade, e o devido processo legal.

Entre os principais objetivos, estão a padronização dos procedimentos, a integridade da cadeia de custódia da prova, a prevenção de fraudes, e a prestação de contas com transparência.

Inteligência artificial e restrições

A nova regulamentação disciplina ainda o uso de inteligência artificial (IA), que deve passar por revisão humana quando houver risco a direitos fundamentais. O uso de reconhecimento biométrico remoto em tempo real será permitido apenas em situações específicas, como instrução criminal com autorização judicial, busca de desaparecidos, flagrante delito, e cumprimento de mandados judiciais.

Acesso e proteção de dados

A portaria impõe restrições rigorosas à obtenção de dados sigilosos. Somente será possível mediante autorização judicial específica e a documentação das decisões deverá ser arquivada nos respectivos processos. Dados obtidos fora do período autorizado ou de terceiros não relacionados à investigação devem ser eliminados.

É vedado o compartilhamento não autorizado dessas informações e o uso das tecnologias deverá respeitar a regulamentação do setor de telecomunicações, protegendo infraestruturas críticas.

Deveres dos órgãos gestores

Órgãos de segurança pública deverão implementar mecanismos robustos de controle de acesso, perfis de usuário, planos de contingência e auditorias periódicas. A adoção das ferramentas tecnológicas também requer capacitação dos usuários e medidas contra usos indevidos, além de registro de logs de todas as operações com identificação do agente responsável, IP, data e natureza da ação.

Prazo de adaptação e penalidades

A normativa determina que, no prazo de 90 dias, os órgãos atualizem seus regulamentos e contratos relacionados às soluções tecnológicas sob pena de responsabilização administrativa, civil e criminal em caso de uso indevido. O regulamento também se estende às investigações conduzidas por órgãos como o Cade e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).


Classificação das regras e diretrizes da Portaria MJSP nº 961/2025


Conteúdo exclusivo para assinantes! Faça login para acessar o conteúdo completo ou clique AQUI e assine já!

 

Login

® Todos os direitos reservados. O conteúdo disponibilizado aos assinantes pertence à política de direitos autorais para uso único, individual e exclusivo, não havendo permissão para sua divulgação em qualquer outro meio de comunicação sem autorização da Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados. Logo, é proibida a impressão ou transmissão por broadcast, reescrição ou redistribuição sem prévia autorização por qualquer meio, inclusive reenvio de material através de e-mail. (Art. 184 do Código Penal; art. 29, I, da Lei Ordinária Federal 9.610/98; arts. 183 a 195, da Lei 9.279/96).

DELEGADOS
Portal Nacional dos Delegados

 

Veja mais

Candidato com nanismo é eliminado de concurso para delegado após teste de aptidão física

(MG) Polícia Civil de MG afirma que o cargo de Delegado de Polícia, por sua natureza, exige o pleno desempenho de atividades inerentes ao policiamento, investigação e cumprimento de ordens

Policiais Civis do DF passam a ganhar folga no dia do aniversário

(DF) Portaria foi publicada nesta terça (10/3) no DODF. Para que o servidor seja contemplado com o benefício, deverá atender a alguns critérios

Delegada denuncia assédio do Secretário de Segurança Pública do Maranhão

(MA) Delegada Viviane Fontenelle relatou ter sido vítima de assédio em reunião com o secretário de Segurança do MA: “Delegata”. Adepol pede investigação

ADPF comunica mobilização nacional em defesa do encaminhamento do FUNCOC

ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) informa nova fase na Mobilização Nacional

I Congresso Nacional de Delegadas do Brasil “No Combate à Violência conta a Mulher”

Iniciativa da Adepol do Brasil reúne delegadas para debater estratégias, desafios e avanços, além de apresentar carta nacional com propostas institucionais

OAB ‘suspende’ advogado que foi preso após prejudicar trabalho de policiais em delegacia do DF

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro

Jean Nunes e Chico Lucas reforçam protagonismo na articulação pela PEC da Segurança Pública e fortalecimento do SUSP

Em agenda institucional, o presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Segurança e o Secretário Nacional da Segurança Pública evidenciam cooperação federativa, defenderam integração entre entes e destacaram estratégias conjuntas
Veja mais

Advogado que “estuprava” e “defecava” nas vítimas é preso após prejudicar trabalho de policiais na delegacia

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro

Secretário Nacional de Segurança Publica reforça compromisso de acabar com a impunidade e o crime organizado no Brasil

PEC fortalece a integração entre União, estados e municípios e garante financiamento para o enfrentamento da criminalidade

Governador do Piauí comemora aprovação da PEC da Segurança Pública na Câmara dos Deputados

(PI) A proposta visa melhorar a integração dos órgãos de segurança do país e garantir mais recursos para o setor.

Tudo o que você precisa saber sobre o Flagman Casino

O conjunto cobre usabilidade, segurança, pagamentos e ritmo de promoções, fornecendo um recorte prático para decisões de cadastro

Campanha do Sindicato dos Delegados escancara sucateamento da Polícia Civil e promessas não cumpridas de Tarcísio

(SP) Movimento teve início nessa terça-feira (24/2), em diversas cidades do interior paulista; com direito a outdoors espalhados nas principais vias do estado e ofensiva digital, Sindpesp fala em baixos

Por que a morte de líderes do crime organizado raramente desmantela suas estruturas?

Delegada Raquel Gallinati (diretora da Adepol do Brasil) e Delegado Rodolfo Laterza (presidente da Adepol do Brasil)
Por Raquel Gallinati e Rodolfo Laterza

Delegados da PCDF suspendem voluntário e cobram reajuste do governo

(DF) O principal motivo da mobilização dos delegados da PCDF é a falta de reajuste no valor pago pela hora do Serviço Voluntário Gratificado
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.