Investigação “sumária” do Ministério Público é inconstitucional, decide STF

Em uma decisão histórica, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional um trecho da resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que definia o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) – investigação conduzida pelo próprio MP – como “sumário” e “desburocratizado”. A decisão, tomada por unanimidade, tem como base o voto do ministro Cristiano […]

Por Editoria Delegados

Em uma decisão histórica, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional um trecho da resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que definia o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) – investigação conduzida pelo próprio MP – como “sumário” e “desburocratizado”.

A decisão, tomada por unanimidade, tem como base o voto do ministro Cristiano Zanin, relator do caso. Segundo Zanin,as investigações criminais do MP, assim como os inquéritos policiais, devem seguir os mesmos rigorosos procedimentos legais, incluindo registros, prazos e regramentos para instauração e conclusão.

Argumentos da Ação Direta de Inconstitucionalidade

A ação direta de inconstitucionalidade foi proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra trechos da Resolução 181/2017 do CNMP, que regulamenta a instauração e tramitação dos PICs. A OAB usou os seguintes argumentos:

  • Somente uma lei federal poderia regular o tema: regulamentação de investigações criminais é de competência exclusiva da União, através de lei federal, e não do CNMP por meio de resolução.
  • Violação de princípios jurídicos: forma como os PICs eram conduzidos violava diversos princípios fundamentais, como a ampla defesa, o contraditório, o devido processo legal e a imparcialidade.

Voto do Relator

  • Inconstitucionalidade da definição “sumária” e “desburocratizada”: Zanin considerou inconstitucional a definição de PIC como “sumário” e “desburocratizado”, pois essa classificação permite brechas na aplicação dos rigorosos procedimentos legais exigidos para investigações criminais.
  • Validade da requisição de inquérito policial: o ministro manteve a validade do trecho da resolução que permite ao MP requisitar a instauração de inquérito policial e indicar as diligências necessárias, desde que o órgão não assuma a presidência do inquérito.
  • Competência do MP para investigações penais: Zanin reafirmou a decisão do STF em maio de 2024, que reconheceu a competência do MP para realizar investigações penais por conta própria, desde que comunique ao juiz competente e siga os prazos para conclusão de inquéritos policiais.
  • Registro de atos dos procedimentos: o ministro propôs a dispensa do registro de atos dos procedimentos para ações penais já iniciadas ou encerradas. Para investigações em andamento sem denúncia, ele propôs o registro no prazo de 60 dias após a publicação da ata de julgamento da decisão.

Impacto da Decisão

A decisão do STF tem um impacto significativo no sistema jurídico brasileiro, pois:

  • Garante maior rigor e transparência nas investigações criminais: ao impor os mesmos procedimentos legais aos PICs e inquéritos policiais, a decisão garante maior rigor e transparência nas investigações, protegendo os direitos dos cidadãos.
  • Limita o poder do CNMP: a decisão também limita o poder do CNMP de regular procedimentos investigatórios,reforçando a competência da União para legislar sobre Direito Penal e Processual Penal.
  • Fortalece o Estado Democrático de Direito: ao defender os princípios do devido processo legal e da ampla defesa, a decisão do STF fortalece o Estado Democrático de Direito e os direitos individuais.

A decisão do STF de declarar inconstitucional a investigação “sumária” do Ministério Público é um marco na defesa dos direitos dos cidadãos e na construção de um sistema judicial mais justo e transparente no Brasil.

Clique AQUI para ler o voto de Zanin.
ADI 5.793

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

Veja mais

Acesso de policial a celular antes de perícia não invalida prova, decide STJ

6ª turma destacou que o acesso policial prévio ao aparelho não comprova adulteração dos dados nem gera nulidade automática das provas obtidas.

Candidato com nanismo é eliminado de concurso para delegado após teste de aptidão física

(MG) Polícia Civil de MG afirma que o cargo de Delegado de Polícia, por sua natureza, exige o pleno desempenho de atividades inerentes ao policiamento, investigação e cumprimento de ordens

Policiais Civis do DF passam a ganhar folga no dia do aniversário

(DF) Portaria foi publicada nesta terça (10/3) no DODF. Para que o servidor seja contemplado com o benefício, deverá atender a alguns critérios

Delegada denuncia assédio do Secretário de Segurança Pública do Maranhão

(MA) Delegada Viviane Fontenelle relatou ter sido vítima de assédio em reunião com o secretário de Segurança do MA: “Delegata”. Adepol pede investigação

ADPF comunica mobilização nacional em defesa do encaminhamento do FUNCOC

ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) informa nova fase na Mobilização Nacional

I Congresso Nacional de Delegadas do Brasil “No Combate à Violência conta a Mulher”

Iniciativa da Adepol do Brasil reúne delegadas para debater estratégias, desafios e avanços, além de apresentar carta nacional com propostas institucionais

OAB ‘suspende’ advogado que foi preso após prejudicar trabalho de policiais em delegacia do DF

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro
Veja mais

Jean Nunes e Chico Lucas reforçam protagonismo na articulação pela PEC da Segurança Pública e fortalecimento do SUSP

Jean Nunes, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública e Chico Lucas, Secretário Nacional da Segurança Pública
Em agenda institucional, o presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Segurança e o Secretário Nacional da Segurança Pública evidenciam cooperação federativa, defenderam integração entre entes e destacaram estratégias conjuntas

Advogado que “estuprava” e “defecava” nas vítimas é preso após prejudicar trabalho de policiais na delegacia

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro

Secretário Nacional de Segurança Publica reforça compromisso de acabar com a impunidade e o crime organizado no Brasil

PEC fortalece a integração entre União, estados e municípios e garante financiamento para o enfrentamento da criminalidade

Governador do Piauí comemora aprovação da PEC da Segurança Pública na Câmara dos Deputados

(PI) A proposta visa melhorar a integração dos órgãos de segurança do país e garantir mais recursos para o setor.

Tudo o que você precisa saber sobre o Flagman Casino

O conjunto cobre usabilidade, segurança, pagamentos e ritmo de promoções, fornecendo um recorte prático para decisões de cadastro

Campanha do Sindicato dos Delegados escancara sucateamento da Polícia Civil e promessas não cumpridas de Tarcísio

(SP) Movimento teve início nessa terça-feira (24/2), em diversas cidades do interior paulista; com direito a outdoors espalhados nas principais vias do estado e ofensiva digital, Sindpesp fala em baixos

Por que a morte de líderes do crime organizado raramente desmantela suas estruturas?

Delegada Raquel Gallinati (diretora da Adepol do Brasil) e Delegado Rodolfo Laterza (presidente da Adepol do Brasil)
Por Raquel Gallinati e Rodolfo Laterza
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.