Há muita gente disposta a roubar este país, diz delegada da equipe de Moro

Delegada que se notabilizou à frente da Operação Lava Jato em Curitiba Delegada que se notabilizou à frente da Operação Lava Jato em Curitiba, a policial federal Erika Mialik Marena, chamada para integrar a equipe do futuro ministro Sergio Moro, afirmou nesta sexta-feira (23) que, apesar dos recentes avanços no combate à corrupção no Brasil, […]

Por Editoria Delegados

Delegada que se notabilizou à frente da Operação Lava Jato em Curitiba

Delegada que se notabilizou à frente da Operação Lava Jato em Curitiba, a policial federal Erika Mialik Marena, chamada para integrar a equipe do futuro ministro Sergio Moro, afirmou nesta sexta-feira (23) que, apesar dos recentes avanços no combate à corrupção no Brasil, “ainda há muitas pessoas dispostas a roubar este país”.

Na visão dela, a principal missão das instituições, agora sob gestão do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), será “semear o inconformismo” da população em relação a atos ilícitos de agentes públicos e corruptores.

“A gente não pode ficar anestesiado com isso”, declarou. “Espero que a herança da Lava Jato seja o inconformismo com essa situação e que o governo seja comprometido com o combate à corrupção. Ainda há muitas pessoas dispostas a roubar esse país”, comentou ela durante um simpósio sobre combate à corrupção promovido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) no Rio de Janeiro.

Erika foi confirmada por Moro na última terça-feira (20) para chefiar a DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), órgão da Polícia Federal tido como estratégico no combate a crimes internacionais. O novo ministro da Justiça também indicou Maurício Valeixo, atual superintendente da PF no Paraná, como o próximo diretor-geral da instituição.

Além de liderar a fase inicial de investigações da Lava Jato, com foco nos desvios em contratos da Petrobras, ela também esteve à frente da Operação Ouvidos Moucos –na qual ficou marcada por ter feito o pedido de prisão do então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, que se suicidou menos de três semanas após ser detido.

Ao anunciar a indicação de Erika, Moro defendeu a delegada dos questionamentos referentes à Operação Ouvidos Moucos. “A delegada tem minha plena confiança, o que houve em Florianópolis com o reitor foi uma tragédia, e a família tem a minha solidariedade. Mas foi um infortúnio na investigação e a delegada não tem responsabilidade quanto a isso.”

Durante o discurso no simpósio realizado nesta sexta, Erika não fez qualquer comentário acerca do episódio.

Delegada não quer “ingerências políticas e partidárias”

Erika fez um balanço de sua atuação à frente da Lava Jato e também mencionou o papel exercido na força-tarefa que investigou crimes financeiros no Banestado durante a década de 90. Segundo ela, embora o sentimento de impunidade ainda exista entre corruptos e corruptores, “hoje os políticos também vão para a cadeia, e a Lava Jato mostra isso”.

A delegada argumentou, por outro lado, que a perpetuação dos esquemas de corrupção leva a uma sensação de que “vale a pena arriscar”. “As pessoas continuam nesse jogo de que ‘Eu vou fazer e, se me pegarem, tudo bem. Mas vale a pena’. As pessoas ainda acham que vale a pena.”

Para ela, além de “semear o conformismo da população”, o combate ao sentimento de impunidade depende do livre funcionamento dos mecanismos de investigação, que também precisariam de “fortalecimento material, humano e legislativo”. Sem citar o novo governo e o papel estratégico que será conferido a ela na PF, cobrou que as instituições funcionem “com liberdade e sem ingerências políticas e partidárias”. “Com um propósito republicano”, concluiu.

Erika mencionou notícias recentes de delegados que foram removidos de suas funções por atuarem em ações que, em tese, contrariavam interesses de políticos ou empresários poderosos. Ela não especificou os casos aos quais se referia, mas disse que há “delegacias inteiras extintas como medida de urgência porque investigavam casos de corrupção”.

UOL

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