Delegada de São Paulo fala sobre importância da Lei Maria da Penha

SP: Especialista no assunto, Gislaine Doraide Ribeiro Pato Delegada Gislaine Doraide Ribeiro Pato Com três décadas de atuação na Polícia Civil de São Paulo, a delegada e coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), Gislaine Doraide Ribeiro Pato, tem quase metade de sua trajetória profissional dedicada à questão da violência contra a mulher. […]

Por Editoria Delegados

SP: Especialista no assunto, Gislaine Doraide Ribeiro Pato

 Delegada Gislaine Doraide Ribeiro Pato

 

Com três décadas de atuação na Polícia Civil de São Paulo, a delegada e coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), Gislaine Doraide Ribeiro Pato, tem quase metade de sua trajetória profissional dedicada à questão da violência contra a mulher. Nestes 10 anos de Lei Maria da Penha, completados no último domingo, dia 7 de agosto, Gislaine ressalta a importância da lei para criar uma consciência coletiva que fortaleça o combate a esse tipo de violência.

 

Para a delegada, a Lei Maria da Penha é uma das melhores leis do mundo no enfrentamento à violência contra a mulher. De acordo com ela, a eficiência da lei vem do fato de que a medida prevê a criação de mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar, incluindo diversos atores nesse combate, como órgãos governamentais, a sociedade e a própria família.

 

“A Lei Maria da Penha foi e é amplamente divulgada, sendo conhecida pela maioria da população”, comenta a delegada. “Cada dia que passa as mulheres estão mais conscientes de seus direitos e procuram os vários órgãos na defesa desses direitos, não apenas para denúncia de seu agressor, mas para apoio psicossocial, jurídico, entre outros”, completa.

 

A delegada explica que, apesar de a lei ter sido criada para coibir os crimes contra a mulher, a jurisprudência apresenta forte inclinação para aplicar a medida nos casos em que a vítima se identifica com o “gênero feminino”.

 

Uma das particularidades da lei é que o crime de lesão corporal, quando enquadrado por ela, não depende de “representação” da vítima para que o delegado instaure o inquérito policial. Ou seja, não é necessário que a mulher declare o desejo de ver o agressor processado pela Justiça para que o caso tenha andamento, como nas ocorrências de ameaça e difamação, por exemplo.

 

A delegada destaca a importância de as vítimas denunciarem e registrarem todo e qualquer tipo de violência doméstica. De acordo com ela, é a partir dessa comunicação que a polícia poderá ajudar a mulher e prender o criminoso, além de aprimorar as políticas públicas ligadas a essa questão.

 

Gislaine ressalta, ainda, que a Polícia Civil dedica uma atenção especial à garantia dos direitos das mulheres, por isso, busca oferecer um bom atendimento para que a vítima tenha confiança e detalhe informações importantes que irão facilitar a investigação do caso e proporcionar justiça.

 

“As vítimas têm medo de expor a vida íntima e também sentem medo de represálias por parte do agressor, mas é preciso que contem com a polícia e denunciem, para que se possa punir os culpados”, enfatiza.

 

Quando a mulher registra o boletim de ocorrência na delegacia, ela também é orientada quanto às ações imediatas que podem ser tomadas no caso. As medidas protetivas, por exemplo, são apresentadas à vítima e, caso ela tenha interesse, o pedido é encaminhado ao juiz.

 

“A lei é importante porque prevê a garantia dos Direitos Humanos à mulher, atendendo, inclusive, a convenções internacionais ratificadas pelo Brasil”, diz Gislaine. “Ela não trata apenas da questão criminal, mas também da parte de orientação e assistência à vítima, ou seja, trata de oferecer um atendimento integral à mulher”, completa a delegada.

 

Caso o agressor desrespeite alguma das medidas determinadas, é importante que a vítima comunique o fato à polícia, pois, diante da situação, o delegado poderá autuar o acusado em flagrante por desobediência ou até mesmo solicitar a prisão preventiva dele à Justiça.

 

A mulher vítima de violência doméstica pode ser levada, junto com seus dependentes, para um abrigo ou local seguro se houve risco em seu retorno para casa. Se a vítima precisar ir à residência para retirar seus pertences pessoais, ela receberá acompanhamento dos policiais.

 

“Ao menor sinal de que há qualquer forma de violência física, moral, psicológica ou patrimonial, a mulher precisa procurar ajuda. Ela não está sozinha. A polícia está aquii para apoiá-la”, conclui a delegada Gislaine.

 

O Regional

 

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Veja mais

Salário de agente, escrivão e investigador não pode ficar vinculado ao de delegado, decide STF

Supremo invalida vinculação da remuneração de policiais civis à de delegados de Polícia Civil

Dino determina reintegração de diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues

Flávio Dino reverte afastamento de cúpula da PF, critica 'decisão em causa própria' e aponta risco a investigações do caso 'Dark Horse'

Fenadepol e ADPF divulgam notas de repúdio após afastamento de dirigentes da Polícia Federal

Entidades Federais defenderam a preservação das prerrogativas institucionais do órgão

11 Diretores da Polícia Federal apoiam Andrei Rodrigues e entregam cargos

O pedido de vista não derruba a liminar de André Mendonça, que continua valendo. Com o afastamento de Andrei, o diretor-executivo da PF, William Murad, deve ficar interinamente na chefia

Advogado é preso após filmar pernas de guarda municipal em supermercado

(PI) Um advogado foi preso sob suspeita de importunação sexual. O homem teria filmado, com um telefone celular, as pernas de uma guarda municipal no supermercado Pão de Açúcar, na

Ministro André Mendonça afasta Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal

Ministro do STF diz que 'há mais de 30 dias tem sido monitorado pela Polícia Federal' e submete decisão para análise da Segunda Turma

Uso de algemas em advogado no ‘exercício da advocacia’: decisões jurídicas policiais adotadas

Tipicidade, metodologia de abordagem, itinerário de atos, captura, uso de algemas, condução e autuação
Veja mais

Piauí completa quatro meses consecutivos sem registros de latrocínio

02SET26 -
(PI) Dados da Segurança Pública apontam redução contínua nos últimos três anos

Aviator online: como a regulação brasileira enquadrou os crash games e o que isso muda para o jogador

01SET26 -
Em 2026, com mais de 25 mil URLs de plataformas bloqueadas pelo SPA e 550 contas bancárias encerradas, o mercado regulado tem ferramentas reais para fazer cumprir essas garantias, e

Promotor de justiça abandona apurações de concursos por temer pistolagem, CV e PCC

Promotor Coaracy (direita) é um nome conhecido no estado porque foi procurador-Geral de Justiça de Alagoas
(AL) Titular da 17ª Promotoria de Justiça da Capital/Fazenda Pública Estadual, Coaracy é um nome conhecido no estado porque foi Procurador-Geral de Justiça de Alagoas entre 2005 e 2008.

Designer cria camisa capaz de ‘esconder’ pessoas de câmeras de vigilância com IA

Designer Simon Weckert criou camisa capaz de esconder pessoas de câmeras de vigilância com IA
'Camisa havaiana mais feia já vista no planeta' de Simon Weckert impede que tecnologia identifique o usuário como um 'ser humano padrão'

Ministério Público de SC arquiva caso de policial que matou detenta dentro de viatura para salvar colega enforcada

MP POST270826 -
(SC) Investigação e perícia concluíram que agente disparou contra presa em legítima defesa para salvar motorista que estava sendo sufocada com algemas.

“Mãe te avisou”: mulher lamenta morte de filho após roubar delegado

(SP) Nas redes sociais, a mãe do jovem diz que sempre batalhou e ensinou os caminhos certos, mas acabou perdendo o filho para a ostentação

Advogado de acusada de integrar o PCC é investigado por suposta ameaça de morte a juiz durante audiência

MP POST260826 - (3)
(SP) Marcos Cebola citou um delegado executado, disse temer que o magistrado não “adentrasse ao Elísio” e afirmou que todos morreriam; ele nega ter feito ameaça
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.