STF derruba norma que autorizava investigações sumárias pelo Ministério Público

Corte também invalidou previsão que permitia ao procurador-geral de Justiça avocar inquéritos policiais em andamento

Por Editoria Delegados

Por maioria de sete votos, STF reconheceu, nesta quinta-feira, 5, a inconstitucionalidade material de dispositivo da legislação do Rio Grande do Sul que autorizava o procurador-geral de Justiça a determinar investigações sumárias de fatos típicos.

A decisão foi tomada no julgamento de ação que questionava leis estaduais responsáveis por alterar a organização e as atribuições do Ministério Público gaúcho.

Ministra Rosa Weber, relatora da ação e atualmente aposentada, ficou vencida no ponto, por ter reconhecido apenas a inconstitucionalidade formal da norma. 

Além das investigações sumárias, o julgamento abordou a possibilidade de o procurador-geral de Justiça assumir a condução de inquéritos policiais em andamento e os limites constitucionais dos poderes investigatórios do Ministério Público.

Entenda o caso

A controvérsia teve origem em ação ajuizada pelo então PSL – Partido Social Liberal contra dispositivos da Constituição do Rio Grande do Sul e as leis estaduais 11.348, 11.349, 11.350 e 11.355, todas de 1999, que promoveram alterações na organização e nas atribuições do MP/RS.

Segundo a legenda, as normas disciplinaram matérias que deveriam ter sido tratadas por lei complementar, e não por leis ordinárias, em desrespeito às exigências constitucionais do processo legislativo.

O partido também questionou dispositivos que ampliaram os poderes do procurador-geral de Justiça, especialmente aqueles relacionados à condução de investigações e à possibilidade de avocar inquéritos policiais em andamento.

Na avaliação da sigla, as alterações violavam regras constitucionais de repartição de competências e o princípio da separação dos Poderes.

Julgamento

O julgamento teve início no plenário virtual, em setembro de 2023, e passou por sucessivas interrupções até sua conclusão nesta quinta-feira, 5.

Relatora da ação, ministra Rosa Weber conheceu parcialmente dos pedidos, diante de alterações legislativas posteriores que prejudicaram parte da controvérsia.

Na parte analisada, votou pela procedência parcial da ação, reconhecendo a inconstitucionalidade formal das leis estaduais 11.350/99 e 11.355/99, além da inconstitucionalidade material do art. 25, XXVI, da lei 7.669/82.

A ministra destacou a necessidade de observar as exigências constitucionais do processo legislativo, especialmente a reserva de lei complementar para determinadas matérias.

Ministro Marco Aurélio, atualmente aposentado, abriu divergência pontual para também reconhecer a inconstitucionalidade material do inciso XXXIX do art. 25 da lei 7.669/82, com redação dada pela lei 11.350/99.

O dispositivo autorizava o procurador-geral de Justiça a determinar, sempre que o interesse público exigisse, investigações sumárias de fatos típicos.

Ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, acompanhou a relatora, mas acrescentou que as investigações conduzidas pelo Ministério Público devem observar os parâmetros estabelecidos pelo STF no julgamento sobre o juiz das garantias.

Maioria pela inconstitucionalidade

Na retomada desta quinta-feira, 5, ministro Cristiano Zanin acompanhou a divergência de Marco Aurélio, defendendo também a inconstitucionalidade material da previsão de investigações sumárias.

Para Zanin, a norma contraria a jurisprudência do Supremo. Como fundamento, citou a ADIn 5.793, de sua relatoria, na qual o plenário declarou inconstitucionais as expressões “sumário” e “desburocratizado”, previstas em resolução do CNMP – Conselho Nacional do Ministério Público.

Ministro Nunes Marques também se alinhou à inconstitucionalidade material do inciso XXXIX, embora tenha inicialmente proposto interpretação conforme a Constituição para esse dispositivo e para o inciso XXI do mesmo artigo, relacionado aos poderes investigatórios do Ministério Público.

Já ministro Luiz Fux ressaltou que a Constituição permite ao Ministério Público conduzir investigações próprias, mas não autoriza a avocação de inquéritos policiais nos termos da legislação questionada.

Fux também acompanhou o acréscimo apresentado por Alexandre de Moraes, segundo o qual as investigações conduzidas pela instituição devem observar os parâmetros estabelecidos no julgamento sobre o juiz das garantias.

Ao final, os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Luiz Fux ajustaram seus votos, formando, com Marco Aurélio, Cristiano Zanin e Nunes Marques, a maioria de sete votos pelo reconhecimento da inconstitucionalidade material do inciso XXXIX.

A relatora, Rosa Weber, ficou vencida especificamente nesse ponto, por ter reconhecido apenas o vício formal.

Alexandre de Moraes foi designado redator para o acórdão, em razão do acréscimo apresentado em seu voto e acolhido pela maioria, relativo à observância dos parâmetros constitucionais para as investigações conduzidas pelo Ministério Público.

DELEGADOS
Portal Nacional dos Delegados

Veja mais

Acadepol 2027 – Abertas as inscrições para o Bacharelado em Ciências Policiais

A Academia de Polícia “Dr. Coriolano Nogueira Cobra” – Acadepol, por meio de sua Secretaria de Cursos Complementares, de Pesquisa e Apoio à Produção Científica, acaba de abrir o processo

SSP-PI realiza abertura de curso sobre enfrentamento à violência de gênero

(PI) A capacitação de 76 horas foca na produção de provas robustas e na investigação de crimes de gênero e o Ministério da Justiça aponta queda de 4,5% nos casos

União de Forças contra as Facções: Curitiba Sedia Seminário Nacional da ADEPOL

(PR) Delegados de todo o país debatem estratégias conjuntas de inteligência e cooperação institucional para sufocar o avanço da insurgência criminal no Brasil

Presidente da ADPF critica dispositivo que pode equiparar Polícia Legislativa à PF

(DF) Segundo Edvandir Paiva, dispositivo presente Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, pode "colocar duas instituições em conflito"

Homem atira pedras contra viatura, desafia PM a atirar e acaba baleado em Osasco

(SP) Câmeras de segurança registraram a ocorrência na Grande São Paulo; segundo a SSP, o homem estava com uma faca, foi socorrido e acabou preso em flagrante

Nova Delegacia Geral modernizada e fortalece atuação da Polícia Civil no Maranhão

(MA) Estrutura conta com mais de 9 mil metros quadrados de área construída, 58 salas climatizadas e beneficiará aproximadamente 400 servidores

Delegado Luccy Keiko destaca redução da criminalidade no Piauí e elogia gestão de Rafael Fonteles

(PI) Delegado-geral afirmou que políticas de segurança desenvolvidas no Piauí foram adotadas nacionalmente.
Veja mais

STF derruba norma que autorizava investigações sumárias pelo Ministério Público

06NOV26 -
Corte também invalidou previsão que permitia ao procurador-geral de Justiça avocar inquéritos policiais em andamento

Marcos Affonso segue, pela 3ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 MARCOS AFFONSO
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Ministério Público de SP pede condenação do influenciador Renato Cariani

MP POST 29UT 26 - (6)
(SP) Promotoria acusa o empresário fitness por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em alegações finais do processo

Aneilton Castro é aprovado, pela 3ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 ANEILTON CASTRO
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Ferdinando Martins é aprovado, pela 5ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 FERDINANDO MARTINS
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Os limites e ferramentas de jogo responsável

30OUT26 -
Limites e ferramentas de jogo responsável

Agressor de mãe idosa é preso após dizer que ‘nem 50 viaturas’ o prenderiam no PI

MP POST 27UT 26 - (7)
(PI) O suspeito responde pelos crimes de lesão corporal no contexto de violência doméstica e descumprimento de medida protetiva de urgência.
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.