Candidata a governadora exige que coronel entregue sua arma de fogo que estaria na cueca

PI: A sindicalista Lourdes Melo, candidata ao governo do estado do Piauí pelo PCO, exigiu hoje que o coronel Diego Melo (PL), aliado ao presidente Jair Bolsonaro (PL), entregasse a arma durante o debate promovido pela TV Meio Norte. O mediador do debate precisou intervir para acalmar os ânimos. A sindicalista Lourdes Melo, candidata ao […]

Por Editoria Delegados

PI: A sindicalista Lourdes Melo, candidata ao governo do estado do Piauí pelo PCO, exigiu hoje que o coronel Diego Melo (PL), aliado ao presidente Jair Bolsonaro (PL), entregasse a arma durante o debate promovido pela TV Meio Norte. O mediador do debate precisou intervir para acalmar os ânimos. 

A sindicalista Lourdes Melo, candidata ao governo do estado do Piauí pelo PCO, exigiu hoje que o coronel Diego Melo (PL), aliado ao presidente Jair Bolsonaro (PL), entregasse a arma durante o debate promovido pela TV Meio Norte. O mediador do debate precisou intervir para acalmar os ânimos.

Lourdes teve a sua candidatura barrada pelo TRE-PI (Tribunal Regional Eleitoral do Piauí), mas recorreu e aguarda nova decisão. O policial militar também concorre a uma vaga ao Palácio de Karnak, sede oficial do governo do estado. 

A cena inusitada aconteceu quando os candidatos discutiam sobre a liberação do porte de armas. Em um determinado momento, Lourdes acusou o militar de esconder a arma dentro da cueca. Outros candidatos então passaram a questionar o coronel, que confirmou estar armado durante o encontro.
 

“Eu olhei para ele e pensei: ‘será que ele não botou para dentro da cueca?’ Porque eu olhei para ele, por todos os lados, e não vi [a arma]… mostra a sua arma, levanta [a camisa]. Ele só pode ter uma arma na cueca. Ele não quer entregar a sua arma. É um perigo. É um candidato de alta periculosidade”, acusou Lourdes. “Entregue a sua arma agora. Entregue a sua arma”, afirmou ela, aos gritos, em outro momento.

O coronel se recusou a entregar a arma de fogo. “Eu sou policial e só ando armado, candidata. Não tiro a minha arma. A senhora não tem esse direito. Que desequilíbrio. Quanta loucura. [Ela] Não tem condições de ser candidata”, respondeu.

Em outra fala, o coronel Diego Melo justificou o uso da arma de fogo durante o debate a ameaças de morte que recebe todos os dias, segundo ele.

“Tenho o porte funcional e tenho o direito de me defender armado. Vim de casa com a minha esposa e um colega que não pode ter uma arma. Sou ameaçado de morte todos os dias. E eu não posso arriscar sair daqui, com a minha esposa, e ser assassinado. Por isso estou armado.”

Na semana passada, o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria para manter a decisão do ministro Edson Fachin e restringir parte dos decretos firmados pelo presidente Jair Bolsonaro que facilitavam o acesso e o porte de armas no Brasil.

Por nove votos a dois, os ministros mantiveram que será preciso comprovar a necessidade da compra de armas —e não apenas apresentar uma autodeclaração— e também de portar a arma fora de sua residência. Além disso, as munições foram limitadas à necessidade proporcional de cada pessoa.

Candidatura barrada

Na terça-feira (27), o TRE-PI decidiu indeferir a candidatura de Lourdes após o PCO apresentar fora do prazo o nome de Cloves José ao cargo de vice-governador. O candidato anterior ao mesmo cargo na chapa renunciou, e a legenda acabou protocolando o pedido de substituição em 13 de setembro, um dia depois do permitido. Com isso, o MPE (Ministério Público Eleitoral) opinou pelo indeferimento da chapa inteira, o que foi aceito pelos juízes eleitorais.

Ao UOL, por telefone, Lourdes disse que a chapa irá recorrer da decisão do tribunal e que, apesar do que chamou de “perseguição” e “caça às bruxas”, ela não irá se calar.

Nós recorremos, continuamos sendo candidatos. Dizemos também que isso é uma ‘perseguição dos grandes’ aí contra a nossa candidatura. Nós não vamos recuar, nós não vamos nos calar. Eles querem calar a nossa voz, a nossa participação numa eleição. Mas vamos continuar lutando. Lurdes Melo ao UOL

“Eles alegam que a nossa candidatura não foi intermitente, mas nós temos cumprido todos os prazos. É uma ditadura, não é democrática”, acrescentou.

Quem é Lourdes Melo?

Lourdes Melo é experiente em disputar eleições: dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que ela estaria em sua quinta tentativa de chegar ao Palácio de Karnak.

Aos 69 anos, Lourdes Melo é natural de Pedreiras, no Maranhão, mas mora em Teresina, no Piauí, onde cursou licenciatura em Educação Física e fez carreira como educadora. Sindicalista, a candidata tentou seu primeiro cargo político em 2002, quando concorreu ao cargo de vice-governadora na chapa do PSTU, não eleita.

Foi em 2006, já no PCO, que ela tentou se eleger governadora do Estado pela primeira vez. À época, Lourdes Melo recebeu 715 votos (0,05%), ficando na última posição do pleito estadual. Nos anos de 2014 e 2018, a professora aposentada também se candidatou ao governo, sem sucesso.

Em sua extensa lista de eleições constam ainda as candidaturas a vice-prefeita de Teresina, em 2012, e de prefeita da capital piauiense em 2008, 2016 e 2020. Nesta última tentativa de se eleger a um cargo público, ela recebeu 156 votos dos eleitores do município, mas os votos foram anulados pela Justiça Eleitoral.

Neste ano, Lourdes Melo declarou R$ 100 mil em bens. Ela concorria ao pleito de 2022 contra coronel Diego Melo (PL), Geraldo Carvalho (PSTU), Gustavo Henrique (Patriota), Madalena Nunes (PSOL), Rafael Fonteles (PT), Ravenna Castro (PMN), Silvio Mendes (União Brasil) e Gessy Lima (PSC).

“Você quer me calar?”

Em meados de agosto, Lourdes chamou a atenção de internautas, nas redes sociais, após rebater o apresentador Joelson Giordani durante o debate realizado pela TV Cidade Verde, em Teresina.

O episódio inusitado ocorreu no início do terceiro bloco do debate, quando Giordani sorteou o nome de Lourdes e pediu para que ela se dirigisse ao púlpito. Ela teria 30 segundos para formular a pergunta com tema livre e para qualquer um dos candidatos presentes.

“Então, gente… a gente vem para um debate desse…”, dizia ela, ao ser interrompida pelo mediador. “A pergunta, por favor, candidata. Para quem a senhora quer fazer a pergunta?”

Lourdes não gostou da interrupção e rebateu: “Ah, você quer me calar? É porque eu tenho que…”, afirmava a candidata do PCO ao Palácio de Karnak, antes de ter o áudio do microfone cortado. “Ah, você quer proteger os candidatos?”, questionou ela, na sequência. “Pelo contrário, eu quero que a senhora diga para quem vai fazer a pergunta”, respondeu o apresentador.

Dias depois, Lourdes Melo surpreendeu jornalistas do programa “Comando Geral”, na rádio O Dia, que a aguardavam para uma entrevista. Durante participação de ouvintes, ela ligou ao vivo para os apresentadores para perguntar a localização do estúdio, porque estava atrasada devido ao trânsito e precisava “se localizar melhor”.

Em outro debate transmitido pela Rede Meio Norte, Lourdes voltou a chamar atenção pela forma como se referiu ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, durante uma fala sobre o sistema de justiça brasileiro: “o ministro cabeça de ovo, cabeça lustrada, está perseguindo nosso partido”, disse.

“Quero aqui esclarecer que o presidente Bolsonaro defende que o cidadão de bem defende que queira ter uma arma para se defender, dentro da legalidade, com critérios psicológicos, assim como existe no mundo todo. Inclusive para as mulheres. Quando mais mulheres armadas, menos estupros”, afirmou.

UOL

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