Breves reflexões: Violência contra as Mulheres no Brasil, por Millena Albernaz

A violência contra as mulheres e meninas em todo o mundo representa um grande desafio Delegada Millena Coelho Jorge Albernaz, PCTO Marias, Anas, Elisas, Lúcias e outras tantas mulheres e meninas, cujos nomes fazem parte das estatísticas criminais. São vítimas invisíveis da violência no nosso país, são rostos que desnudam o discurso teórico do combate […]

Por Editoria Delegados

A violência contra as mulheres e meninas em todo o mundo representa um grande desafio

Delegada Millena Coelho Jorge Albernaz, PCTO

Marias, Anas, Elisas, Lúcias e outras tantas mulheres e meninas, cujos nomes fazem parte das estatísticas criminais. São vítimas invisíveis da violência no nosso país, são rostos que desnudam o discurso teórico do combate a violência e escancaram os crimes praticados contra a dignidade humana e a vida.

Basta olhar o passado histórico do Brasil que já se demonstra, o quão progressiva e tardiamente, as lutas travadas resultaram em conquistas femininas. Em 1827, por exemplo, as mulheres adquiriram o direito à educação básica. Em 1879, foi autorizado o ensino superior às mesmas e, por conseguinte, por volta de 1932, as mulheres alcançaram os direitos de cidadania (votar e serem eleitas). Acrescente-se a isso, o fato de que apenas partir da década de 60, ocorreu o aprimoramento das reivindicações relativas ao acesso aos métodos contraceptivos, igualdade, proteção à mulher contra a violência doméstica e tantas outras questões que surgem e são colocadas como objetivos femininos.

Entretanto, em meio as conquistas, atrocidades foram cometidas e, mesmo com os deveres constitucionais impostos, somente em 2006 a Lei n. º 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), foi editada, criando mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Da mesma forma, a Lei do Feminicídio ( Lei n.º 13.104) foi sancionada em 2015, tornando mais grave o crime de homicídio em razão do gênero, envolvendo violência doméstica e familiar e/ou pelo menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Tanto era urgente a Legislação especial, que ao analisar os dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, constatou-se que em 2010, a cada quinze segundos, uma mulher foi vítima de violência de gênero no Brasil. Em 2015, 4.657 mulheres foram assassinadas, uma a cada duas horas. No ranking mundial dos países com a maior taxa de homicídios contra mulheres, o Brasil ocupa a triste 5.ª colocação.

Com efeito, mesmo com índices alarmantes, verificou-se em todo o país a redução dos gastos com políticas públicas de segurança entre 2015 e 2016, na ordem de 2,6%. E em que pese essa redução, desde a entrada em vigor da Lei Maria da Penha e Lei do Feminicídio, alterações sensíveis foram observadas, refletindo, não somente na atuação dos profissionais da Segurança Pública e do Judiciário, mas na percepção da sociedade brasileira, em geral, e do Tocantins, em particular, quanto à gravidade dos crimes perpetrados contra mulheres e meninas.

Nesse sentido, com base nas normas nacionais e internacionais, permitiu-se atuações mais rigorosas, como por exemplo, da Polícia Civil, com a implementação dos atendimentos especializados (Delegacias de Atendimentos às Mulheres-DEAMs), tornando-se possível aos Delegados de Polícia e suas equipes, efetuarem prisões em flagrante em desfavor dos agressores*. Além do mais, a atuação judicial foi potencializada pela especialização das varas de combate à violência doméstica e familiar, possibilitando maior agilidade na determinação de medidas protetivas de urgência às vítimas e na decretação da prisão preventiva. Na prática, constatou-se que muitas mulheres e meninas foram salvas de crimes mais graves como feminicídio, em razão da existência de proteção anterior.

A violência contra as mulheres e meninas em todo o mundo representa um grande desafio, exigindo-se dos estados ações compatíveis com o ordenamento internacional, tendo em vista o respeito à paz e aos direitos humanos. Há urgência quanto a implementação de políticas públicas de enfrentamento à violência em todo o país, consistentes, notadamente, na estruturação e ampliação das atividades dos órgãos especializados, assim como, medidas que passem não somente pelo âmbito criminal, como também por toda ordem social, econômica e educacional do país.

Que no futuro, outras Marias, Anas, Elisas e Lúcias, possam exercer a plenitude da dignidade humana, ultrapassando os limites culturais e sócio-econômicos, desfrutando com todas as forças das árduas conquistas obtidas ao longo da história. Que sejam protagonistas de uma nova era sem violência e discriminação, sabedores de que as mulheres e crianças do sexo feminino, também, constituem parte inalienável, integral e indivisível dos direitos humanos que são universais.

Como a omissão consiste em conivência, vamos denunciar os agressores:

Telefones úteis, ligações gratuitas-Central de Atendimento à Mulher (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres)- 180.

Disque Denúncia Nacional de Combate à Violência e ao Abuso Sexual contra Crianças e Adolescentes- 100.

Polícia Civil(Ouvidoria) – 63-3218-68-98

Polícia Civil (Delegacias Especializadas)-63-3218-6878/ 63-3218-24-04

Polícia Militar- 190.

Corpo de Bombeiros- 193.

*Somente no Tocantins de 2006 até agosto de 2017 foram efetuadas 33.497 prisões em flagrante considerando todas as unidades especializadas do estado (Secretaria da Segurança Pública do Tocantins- Diretoria de Inteligência e Estratégia – Gerência de Inteligência, Análise e Estatística).

Millena Coelho Jorge Albernaz
É delegada de Polícia Civil do Tocantins, graduada em Direito pela PUC-Pontifícia Universidade Católica de Goiás, pós-graduada em Direito Penal e Processo Penal pela Unitins e mestranda pela Universidade Autônoma de Lisboa.
comunicacao@sindepol-to.com.br

Cleber Toledo

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

 

Veja mais

Duelos, Desafios e Legítima Defesa

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Entidades de Delegados de Polícia emitem nota de pesar pelo falecimento do delegado Michel Saliba

Michel Brasil Saliba foi atingido durante cumprimento de mandado de busca no apartamento da companheira do policial militar. Delegado foi levado ao hospital em estado grave, mas não resistiu

Morre delegado da Polícia Federal baleado por PM durante operação no RS

Michel Brasil Saliba foi atingido durante cumprimento de mandado de busca no apartamento da companheira do policial militar. Delegado foi levado ao hospital em estado grave, mas não resistiu

Cassandra Guimarães é aprovada, pela 3ª vez, na Lista das Melhores Delegadas de Polícia do Brasil! Censo 2026

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Meta Title: Mercado Cripto em 2026: Tendências do Blockchain e Reflexos nas Apostas 

Meta Description: Entenda os principais movimentos do mercado de criptomoedas e blockchain em 2026 e como eles influenciam o setor de apostas - Alt: Análise de gráfico de criptomoedas em

Steferson Nogueira integra a Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Jean Nunes segue, pela 8ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos
Veja mais

André Rabelo segue, pela 3ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 ANDRÉ RABELO
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Isaías Gualberto segue, pela 6ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 ISAÍAS GUALBERTO (1)
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Maior São João do Mundo de 2026 também é o mais seguro! Paraíba se destaca na segurança pública!

(PB) Paraíba consolida o maior e mais seguro São João do Brasil com investimento superior a R$ 81 milhões e atuação integrada das forças de segurança

“Estado do Piauí jamais irá temer”, diz delegados Charles Pessoa após prisão de 7 bandidos que ameaçaram assassiná-lo

24JUN26 - (1)
(PI) SSP-PI desarticulou plano para assassinar o delegado Charles Pessoa durante operação em Castelo do Piauí; sete criminosos foram presos e 14 mandados judiciais cumpridos

Lançamento do Livro “Violência contra a mulher: abordagens jurídicas e institucionais a partir da atuação de mulheres no sistema de justiça”

24JUN26 -
Uma obra escrita por 37 mulheres que atuam na linha de frente da proteção e defesa das mulheres vítimas de violência.

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Controles Inibitórios e Culpabilidade Penal

23JUN26 -
Por Eduardo Luiz Santos Cabette e Bianca Cristine Pires dos Santos Cabette

Gustavo Mesquita segue, pela 5ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.