‘As manifestações em dez pontos’, por Rogério Antonio Lopes

Mais uma vez os “especialistas e especialíssimos” vem para explicar o inescapável “inexplicável”. Sociólogos, filósofos, filólogos, historiadores, jogadores de futebol, comentaristas, enfim, foi tão grande a plêiade de “palpiteiros” sobre o tema que no final nada ficou claro, apenas que se trata de uma manifestação e não de uma revolta, em princípio, porque manifestação era […]

Por Editoria Delegados

Mais uma vez os “especialistas e especialíssimos” vem para explicar o inescapável “inexplicável”. Sociólogos, filósofos, filólogos, historiadores, jogadores de futebol, comentaristas, enfim, foi tão grande a plêiade de “palpiteiros” sobre o tema que no final nada ficou claro, apenas que se trata de uma manifestação e não de uma revolta, em princípio, porque manifestação era para ser sem violência.

Diante do contexto vale conjecturar algumas variantes:

1. Imperdoavelmente o Governo Federal foi pego de surpresa, passa a impressão que não possui um serviço eficiente de inteligência, o mais grave é que não é a primeira vez que isso acontece.

2. Em termos de negociações alguns gestores foram do desastre ao caos em minutos: da mudança de perspectiva na reação inicial, à concessão dos pleitos de forma quase que desesperada, pensando ingenuamente que isso iria aplacar as manifestações, ao contrário, deu mais gás.

3. A mídia mostrou seu despreparo e sua marota parcialidade: inicialmente defendeu com paixão as manifestações, quando começou a violência e ela própria foi alvo, disse que “pequenos grupos radicais” praticariam vandalismo, no dia seguinte os chamou de mais exaltados, no outro dia de baderneiros e agora foram “promovidos” a vândalos e bandidos.

4. O discurso raso e destemperado contra a corrupção e os políticos é extremamente perigoso (perigoso mesmo) para o Estado Democrático e para as pessoas que vivem nele, foi esse mesmo discurso genérico e “hipócrita” que colocou no poder gente como Hitler, Stalin e Fidel, juntos mataram mais de cinquenta milhões de pessoas.

5. O movimento cria um viés extremamente ameaçador quando expulsa das ruas os militantes de partidos com suas bandeiras, em uma Democracia não se pode prescindir dos partidos, corre-se o risco de (aí sim) surgir um sistema totalitário que jamais permitiria manifestações como essas.

6. Em eventos dessa natureza, a violência e os excessos fazem parte do “conjunto da obra”, não há como controlar milhares de pessoas juntas andando pelas ruas, só um incauto poderia pensar o contrário, ainda mais em um movimento como este que “não tem liderança”.

7. A manifestação é positiva na medida em que chama a atenção dos políticos e governantes acerca da corrupção, da qualidade do serviço público etc e negativa quando vandaliza e provoca mortes conspurcando ainda mais a imagem do país.
8. Modificações sociais capazes de alterar a realidade devem ser sedimentadas basicamente na educação, que é o grande instrumento de distribuição de rendas. Quando a educação é de qualidade, naturalmente a saúde e a segurança seguem o mesmo caminho.

9. Para se chegar a algum lugar é preciso fragmentar os objetivos, ou estabelecer metas e etapas, a “candura” de um manifestante ao dizer que era contra “tudo”, demonstra de certa forma o vazio de conteúdo da geração facebook.
10. Roberto Carlos, ex lateral da seleção, quando questionado sobre as manifestações, disse que é normal pois: “na democracia todo mundo pode faze o que qué”, absolutamente não é isso, Democracia significa antes de tudo respeito ao próximo, infelizmente muita gente pensa como o Roberto, todos nós pagamos (e vamos continuar pagando) um alto preço por esse trágico equívoco.

 

Sobre o autor

Rogério Antonio Lopes é Delegado de Polícia no Paraná

 

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Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

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