A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) repudiou nesta segunda-feira (15) declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) proferidas durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o chamado “Conselhão”.
Na ocasião, Lula disse que o governo planeja uma campanha para incentivar a devolução de celulares roubados através dos Correios por quem os adquiriu indevidamente. Os compradores serão alertados sobre a origem do aparelho por meio de disparos de mensagens no âmbito do programa Celular Seguro.
“Eu vou efetivamente despachar o sinalzinho para quem estiver com o telefone roubado devolver, porque senão poderá ter consequências. A dúvida é que eu não quero devolver na delegacia, eu quero devolver nos Correios, porque devolver na delegacia as pessoas têm até medo, porque não sabe o tipo de delegado que vai encontrar ou o tipo de policial”, disse Lula no último dia 10.
Em resposta, a Adepol classificou as falas como “estereotipadas” e afirmou que elas transmitem uma percepção de “desconfiança generalizada” que não condiz com a realidade das Polícias Civis.
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Para a associação, a declaração do presidente é “inadequada, injusta e descontextualizada”, podendo comprometer a confiança da população nas instituições de segurança pública.
“A Adepol do Brasil considera inadequada, injusta e descontextualizada qualquer generalização que possa comprometer a confiança da população nas instituições policiais ou sugerir, de forma indistinta, a ausência de probidade ou de compromisso funcional por parte dos agentes públicos responsáveis pela atividade investigativa”, disse a entidade, em nota.

A associação destacou que as delegacias permitem o acesso permanente da população ao sistema de justiça criminal. “Milhares de profissionais das Polícias Civis exercem suas funções diariamente com dedicação, responsabilidade e observância dos deveres legais inerentes ao serviço público”, ressaltou.
A Adepol aproveitou o episódio para convidar as autoridades públicas a conhecerem a realidade operacional e os mecanismos de transparência que orientam o trabalho das Polícias Civis brasileiras. A entidade afirmou que a manifestação possui “caráter estritamente institucional, sem qualquer vinculação político-partidária, ideológica ou eleitoral”.
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindesp) expressou “indignação” com a declaração do presidente. Para o Sindesp, a fala de Lula “desconsidera os relevantes serviços prestados pelas Polícias Civis brasileiras”.
“Delegados de Polícia e policiais civis das demais carreiras atuam diariamente na investigação criminal, na recuperação de bens subtraídos, na responsabilização de infratores e na proteção dos cidadãos, merecendo respeito e reconhecimento pelo trabalho que desempenham”, destacou o Sindesp, em nota.
A Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol) disse que “generalizações dessa natureza geram interpretações equivocadas sobre a atuação das Polícias Civis e de seus profissionais, que exercem papel essencial na investigação criminal e na promoção da Justiça em todo o país”.
“Ao longo dos anos, as Polícias Civis brasileiras têm desempenhado papel decisivo no combate ao furto, ao roubo, à receptação e às organizações criminosas que alimentam mercados ilícitos em todo o território nacional”, destacou a confederação.
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