A Perigosa Tentativa de Enfraquecer a Atuação Policial: Um Retrocesso para a Segurança Pública, por Marcos Vinnicius Marinho Monteiro

Nos últimos dias, tem ganhado força a discussão sobre uma possível portaria que visa “conter” a letalidade policial no Brasil, proposta pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sob o pretexto de disciplinar o uso da força pelas polícias civis, militares, a medida propõe restrições que, além de desconsiderarem legislações já consolidadas, ameaçam a capacidade […]

Por Editoria Delegados

Nos últimos dias, tem ganhado força a discussão sobre uma possível portaria que visa “conter” a letalidade policial no Brasil, proposta pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sob o pretexto de disciplinar o uso da força pelas polícias civis, militares, a medida propõe restrições que, além de desconsiderarem legislações já consolidadas, ameaçam a capacidade de resposta das forças de segurança. Esse tipo de intervenção, em um país marcado pela violência urbana e pela expansão do crime organizado, coloca em risco não apenas os agentes de segurança, mas também a própria sociedade.

O uso da força policial já é amplamente regulamentado por um arcabouço jurídico que garante a atuação legal e responsável das polícias. Ao desconsiderar essas normas e condicionar o repasse do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) à obediência a novas regras infra legais cria-se um cenário de insegurança jurídica e institucional, abrindo espaço para a desmoralização da atividade policial.

O maior problema desse tipo de proposta é a tentativa de atribuir a responsabilidade pela letalidade exclusivamente aos policiais. Essa visão distorcida ignora a atuação violenta e estruturada do crime organizado, que impõe uma realidade de enfrentamento nas ruas. Não se pode simplificar a crise de segurança pública com medidas que restringem a ação policial e colocam os policiais em uma posição ainda mais vulnerável e frágil. Enfraquecer as polícias significa, na prática, reforçar o poder do crime organizado, favorecendo a impunidade e o controle territorial pelas organizações criminosas.

Um exemplo preocupante dessas restrições é a tentativa de impor justificativas ainda mais rigorosas para abordagens policiais, limitando totalmente a ação baseada em suspeita fundada. A exigência de que o uso de algemas seja justificado por escrito em cada situação é outro aspecto problemático, desconectado da realidade da atividade policial, que exige respostas rápidas a eventos suspeitos inesperados. Essas propostas desconsideram a complexidade das situações enfrentadas diariamente pelas forças de segurança em um país onde a violência é uma constante.

A tendência de privilegiar os direitos dos criminosos em detrimento das vítimas e da sociedade expõe uma perigosa distorção na formulação das políticas de segurança pública.

Ao enfraquecer a atuação policial, o Estado sutilmente sinaliza de forma velada e subliminar que a sociedade deve aceitar uma convivência permanente com a insegurança, enquanto os responsáveis por crimes graves são tratados com excessiva leniência. O equilíbrio entre a defesa dos direitos individuais e a garantia da ordem pública é um desafio constante, mas qualquer tentativa de constranger a atuação policial coloca em risco a segurança da população.

Em um cenário de crescente violência urbana, no qual o crime organizado se fortalece a cada dia, é fundamental que as forças policiais recebam mais respaldo, e não menos. Políticas que priorizem a inteligência, o planejamento estratégico e o uso proporcional da força são essenciais. No entanto, medidas que enfraqueçam as polícias, ao invés de proteger a sociedade, apenas servirão para perpetuar a violência e a insegurança. Afinal, a segurança pública é um direito de todos, e as forças policiais precisam de condições adequadas para exercer sua função em prol da paz social.

Em vez de desarmar nossas forças de segurança com restrições excessivas, é imperativo fortalecê-las, garantindo que possam agir com a firmeza e eficiência necessárias para proteger a sociedade. A criminalidade avança, e qualquer tentativa de limitar a atuação policial é um risco direto à segurança de todos.

A verdadeira defesa da população passa por uma polícia capacitada e amparada, não por medidas que enfraquecem quem está na linha de frente e sua consequente desvalorização.

Sobre a autora

Raquel Gallinati
Secretária de Segurança Pública de Santos
Diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil

DELEGADOS
Portal Nacional dos Delegados

Veja mais

Brasil registra menor número de homicídios e latrocínios da década no primeiro trimestre

Dados consolidados de janeiro a março apontam queda histórica nos crimes letais e avanço na atuação das forças de segurança

Furto, Estelionato e Receptação não têm mais fiança policial

Com a atualização do Código Penal, Delegado de Polícia não pode mais arbitrar fiança policial nos crimes de furto, receptação e estelionato

Furto simples não tem mais fiança policial

Com a atualização do Código Penal, Delegado de Polícia não pode mais arbitrar fiança em furto simples

Ceder conta bancária “laranja”para prática de crime

Mudanças ampliam penas para fraudes eletrônicas e passam a punir quem cede contas bancárias para práticas criminosas

Lei 15.397 aumenta penas de crimes de furto, roubo, receptação, estelionato e latrocínio

Governo Federal publicou, nesta segunda-feira (4), a Lei nº 15.397 foca, especialmente, na criminalidade moderna e nas infrações que afetam o cotidiano do cidadão, como o roubo de celulares e

Ameaça forjada do CV, interferências municipais e decisões atípicas: TJ afasta mais um juiz por suspeita de falhas graves

(MT) A corregedoria também investiga ataques verbais proferidos pelo magistrado contra autoridades locais e o uso indevido de sua escolta para fins particulares.

Delegado da Polícia Civil Guilherme Escobar morre no Piauí

(PI) Guilherme Escobar estava lotado na Delegacia Seccional de Oeiras e já havia atuado nas cidades de Pio IX, Gilbués e Picos.
Veja mais

Responder por crime de mesma natureza justifica prisão preventiva

A Prisão Preventiva em Casos de Reiteração Delitiva: Fundamentos Jurídicos e Aplicação Prática

Saudade, respeito e legado: 30 dias sem Steferson Nogueira

Delegado Steferson Nogueira | PCPB
Reconhecido por sua atuação firme, estratégica e humana, ele deixou marcas profundas na Polícia Civil da Paraíba e no cenário nacional.

Red Pill: O Direito não pune sentimentos, mas condutas, sim

Delegada Raquel Gallinati
Raquel Gallinati: Já não estamos diante de liberdade. Estamos diante de risco.

Advogada é presa em flagrante após criticar delegado nas redes sociais e chamá-lo de “doente mental”

(GO) Advogada Áricka Cunha foi detida após publicar despacho policial e questionar, nas redes, a decisão que encerrou ocorrência registrada por ela

Governador do Tocantins autoriza concurso da Polícia Civil com 452 vagas

(TO) Certame prevê cargos de delegado, oficial investigador e perito, com salários que chegam a R$ 21,9 mil

Delegado detalha atuação de cardiologista preso por estupro de vulnerável no RS

(RS) Investigação identifica 14 possíveis vítimas; médico é suspeito de dopar pacientes para praticar abusos sistemáticos durante consultas na Região Metropolitana

Polícia Civil do PI registra queda de 40% nos roubos de veículos no primeiro trimestre de 2026

Governador do Piauí, Rafael Fonteles, entrega aos proprietários veículos roubados que foram recuperados
(PI) As ações do Departamento de Roubo e Furto de Veículos (DRFV) fazem parte do Pacto Pela Ordem para reduzir a criminalidade na capital e no interior do estado.
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.