‘A investigação é o meu combustível’, afirma diretor da Deic

RJ: Ele é o delegado diretor da Deic, em Bauru. Mostrava vocação para se tornar policial ainda na infância O delegado Ricardo Silva Dias, de 55 anos, assumiu a chefia da Deic no início deste ano “Polícia e Ladrão”. A brincadeira favorita do menino Ricardo Silva Dias já dava indícios da profissão que ele seguiria. […]

Por Editoria Delegados

RJ: Ele é o delegado diretor da Deic, em Bauru. Mostrava vocação para se tornar policial ainda na infância


O delegado Ricardo Silva Dias, de 55 anos, assumiu a chefia da Deic no início deste ano

“Polícia e Ladrão”. A brincadeira favorita do menino Ricardo Silva Dias já dava indícios da profissão que ele seguiria. Hoje, aos 55 anos, o delegado ocupa o cargo de diretor da Divisão Especial de Investigações Criminais (Deic), em Bauru. “Nunca aceitei interpretar o criminoso”, revela, em tom jocoso.

Filho único do diretor de escola aposentado Wilson Sousa Dias (já falecido) e da professora aposentada Terezinha de Andrade Silva Dias, de 89 anos, Ricardo não se vê em outra função. “A investigação é o meu combustível”, complementa.

O delegado é casado com a psicóloga Adriana Cristina Gomes Pereira Dias, de 49. Ele também vive com a filha, a estudante Amanda Roveroni, de 18, além da maltês Pérola, de 10.


Abaixo, o entrevistado abre o coração sobre a sua trajetória, as ocorrências mais marcantes e os desafios à frente de uma das divisões mais importantes da Polícia Civil. Confira trechos mais importantes da entrevista.

Jornal da Cidade – O senhor é bauruense da gema. Do que se lembra da sua infância?

Ricardo Silva Dias – A minha família morava no Altos da Cidade e eu costumava brincar na Praça das Cerejeiras, jogar bola em campinhos improvisados em terrenos baldios e frequentar o Bauru Atlético Clube (BAC). Lá, praticava natação, futebol e até saltos ornamentais. No local, também fiz amigos que ainda cultivo, como Eduardo Manrique Baroni e Luiz Carlos Lincoln Júnior.

JC – O senhor sonhava em se tornar policial já nesta época?

Ricardo – Não havia um desejo consciente. Porém, quando eu decidi me tornar policial, já adulto, analisando as reminiscências da minha infância, lembrei que uma das minhas brincadeiras favoritas era “Polícia e Ladrão”. E mais: nunca aceitei interpretar o criminoso. Além disso, a curiosidade sempre fez parte da minha personalidade. Hoje, a investigação é o meu combustível. Não me vejo trabalhando em outra área.

JC – Como nasceu, então, a convicção de seguir tal carreira?

Ricardo – Eu estudava Direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE), mas nunca tive inclinação para a advocacia. Paralelamente, o meu amigo de adolescência Carlos Alberto Fazzio Costa, que já foi chefe da Polícia Federal (PF) local e, na época, estava na minha sala da faculdade, me estimulou a prestar concurso tão logo me formasse. Passei na segunda tentativa.

JC – Já como delegado?

Ricardo – Em julho de 1992, eu fui designado para o cargo de delegado – inicialmente, em Santos, onde trabalhei como plantonista. Em 1994, consegui uma transferência para Reginópolis. Passados quatro anos, assumi como titular em Avaí, mas fiquei por apenas dez meses nesta delegacia. Entre 1999 e 2005, atuei em Pirajuí. Depois, voltei a Bauru.

JC – Para assumir qual função?

Ricardo – Eu fiquei no Plantão Policial e, após quatro meses, assumi a chefia da Equipe de Homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Este foi um dos períodos mais produtivos da minha vida profissional.

JC – O senhor destacaria alguma ocorrência marcante desta época?

Ricardo – Eu presidi o inquérito que esclareceu a morte do ex-secretário municipal de Esporte e Lazer, o Sapé. Ele arrendou uma propriedade no Vale do Igapó para criar vacas leiteiras, mas um dos seus animais sumiu. A vítima decidiu fazer uma investigação por conta própria. O caseiro do sítio e o seu tio estavam envolvidos no furto. Os dois o mataram enquanto ele ordenhava uma vaca. O caso provocou bastante rumor e nunca sofri tanta pressão na minha vida. Mesmo assim, conseguimos solucioná-lo em 32 dias.

JC – Como chegou ao cargo de diretor da Deic local?

Ricardo – Depois da DIG, eu fui para a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise). Lá, fiquei até 2015, quando assumi a Delegacia Seccional de Jaú. Em agosto de 2019, voltei a Bauru para chefiar a Seccional. Neste ano, me tornei diretor da Deic local, que abrange a 1.ª DIG, a 2.ª Dise, o Grupo de Operações Especiais (GOE), a 3.ª Delegacia de Homicídios, além do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Secold).

JC – O senhor já sofreu alguma ameaça ao longo da sua carreira?

Ricardo – Eu nunca fui ameaçado, mas até poderia ter acontecido, afinal, já participei de inúmeras investigações envolvendo todos os tipos de criminosos: homicidas, traficantes, latrocidas, estelionatários etc.

JC – Entre os crimes que o senhor investiga, qual deles considera o pior?

Ricardo – Os crimes praticados por gestores públicos me causam uma repulsa maior, porque atingem um número incalculável de pessoas.

JC – Por fim, qual é o seu maior desafio à frente da Deic?

Ricardo – O crime organizado em todas as suas modalidades. Para combatê-lo, nós precisamos investir, basicamente, em material humano. A Seccional, inclusive, cedeu oito policiais recém-concursados à Deic e aguardamos a chegada de outros.

JC Net

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