Davi chegou à 12ª DP na segunda-feira (17), em seu primeiro depoimento sobre o caso, usando o veículo. Em imagens de câmeras de segurança, obtidas pelo UOL, o homem aparece trafegando na rua onde fica a delegacia com a bicicleta e passa em frente a viaturas policiais.
O suspeito entregou o objeto às autoridades naquele dia. Ele estava com a bicicleta desde o dia do espancamento, no dia 11 de agosto, quando a tomou de Cláudio por achar que ele a tivesse roubado.
Veículo segue apreendido na delegacia. “O que a gente sabia era que ele tinha levado a bicicleta para a delegacia na segunda. A gente foi pegar imagem e vimos que ele veio pedalando”, contou o delegado Ângelo Lages.
Na primeira vez em que foi ouvido, Davi negou participação nas agressões. Ele declarou que tinha abordado a vítima, pegado a bicicleta e dado apenas um soco em seu braço. Nesta versão, ele alegava que um grupo de entregadores chegou na sequência e o levou para a rua Pedro de Oliveira: “E não sei mais o que aconteceu lá. Estou sendo acusado por uma coisa que não fiz. Peço muito perdão por tudo o que aconteceu”
Depois que a polícia encontrou imagens do espancamento, no entanto, o segurança admitiu o crime. Vídeos mostraram que ele deu mais de 30 pauladas em Cláudio. O segurança contou que decidiu confessar a sua participação depois de ver sua mãe passar mal ao saber da situação.
Com o avanço das diligências, contudo, admitiu participação direta nas agressões, reconhecendo que, juntamente com outros dois indivíduos, desferiu socos, pontapés e golpes com bastão/cassetete contra a vítima, inclusive na região da cabeça.
Quatro suspeitos foram presos.
Davi e Jorge Luiz Ricardo Dias, um segundo segurança, foram os primeiros a serem presos. Jorge teria participado da abordagem a Cláudio, mas não há indícios de que tenha participado diretamente das agressões.
Dois entregadores também foram detidos. Felipe Eduardo dos Santos confessou a participação no espancamento, enquanto Ailton José da Silva se manteve calado em depoimento. Eles foram filmados segurando a vítima, dando socos e chutes. A reportagem tenta localizar a defesa dos citados, e o espaço está aberto para manifestação.
Polícia ainda tenta identificar quinto envolvido no linchamento. Ele aparece em imagens da agressão captadas por câmeras de segurança. O suspeito ainda não identificado é aquele que aparece e dá um chute na cabeça da vítima.
‘Saiu de casa para ser morto’.
Bicicleta que homens suspeitavam ser roubada era de uma das irmãs de Cláudio, segundo a família. “Ele abordou meu irmão e supôs que ele era um ladrão, agrediu ele e deixou que outros homens o levassem para a rua Felipe de Oliveira, uma rua escura, para matá-lo”, disse Fabiana Landeiro, uma das irmãs da vítima, em vídeo gravado e divulgado nas redes sociais.
Cláudio saiu de casa por volta das 22h30 do 11 de agosto, em posse da bicicleta. Após abrir o portão, ele sai empurrando o veículo. Ele vivia com a mãe e duas irmãs em Botafogo, na zona sul.
Cláudio tinha transtornos psicológicos, afirmam familiares. Ele fazia acompanhamento profissional.
O homem morreu por traumatismo craniano e hemorragia interna. Ele chegou vivo ao Hospital Municipal Miguel Couto, no bairro da Gávea, na zona sul, mas não resistiu.
A vítima era conhecida como “Bart” em Botafogo. Em seu LinkedIn, ele dizia ter sido assistente administrativo em meio período na Dataprev, empresa vinculada ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
DELEGADOS
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