Pivô de morte de policial deu depoimento 85% falso, diz delegado

PI: Gustavo Jung preside o caso Delegado Gustavo Jung em entrevista na TV Cidade Verde O presidente do inquérito policial que investiga a morte do cabo do Bope, Claudemir de Paula Sousa, 33 anos, disse que Maria Ocionira Barbosa- mulher apontada como pivô do crime- mentiu 85% em seu depoimento. O delegado Gustavo Jung […]

Por Editoria Delegados

PI: Gustavo Jung preside o caso

Delegado Gustavo Jung em entrevista na TV Cidade Verde

 

O presidente do inquérito policial que investiga a morte do cabo do Bope, Claudemir de Paula Sousa, 33 anos, disse que Maria Ocionira Barbosa- mulher apontada como pivô do crime- mentiu 85% em seu depoimento. O delegado Gustavo Jung revelou ainda que Leonardo Ferreira Lima (apontando como o mandante) mantinha relacionamento amoroso com a suspeita e era uma espécie de secretário dela em um esquema de aposentadorias fraudulentas.

 

“Eles tinham um relacionamento amoroso desde 2014, temos testemunhas que presenciaram os dois se apresentando como casal e, inclusive, negociavam a compra de um apartamente juntos como marido e mulher. O depoimento dela é completamente contraditório. A Ocionira prestou depoimento acompanhada de dois advogados e podia ter falado tudo espontaneamente. O depoimento dela tem cerca de sete a oito laudas. Ela sempre muito fria, tranquila e calma. Quando a gente começou fazer o levantamento de ponta a ponta percebeu que 85% do depoimento era falso. Motivo pelo qual eu indago o porquê ela tinha intenção de mentir tanto se não tivesse envolvida em uma coisa mais séria”, disse Gustavo Jung.

 

O delegado acrescenta que a investigação apontou que o mandante ‘trabalhava’ para Ocionira. Ele confirmou que os dois mantinham relacionamento amoroso e também negócios fraudulentos. A volta do policial militar para Teresina foi vista como uma ameaça para os dois.

 

“Ele funcionava como uma espécie de secretário dela em negócios ligados a aposentadorias fraudulentas. O Leonardo e a Ocionira tinham contato profissional e também um relacionamento amoroso. Os dois faziam planejamentos e chegaram a fazer muita coisa com a possibilidade do policial ser morto, por isso que ela está no crime”, revelou o delegado. Maria Ocionira é uma das diretoras do hospital Areolino de Abreu.

 

O delegado disse ainda que o policial morto não tinha envolvimento nos negócios fraudulentos de Leonardo e Ocionira.

 

“O cabo do Bope havia viajado para a Força Nacional e retornado recentemente para Teresina. A volta dele para cá- considerando que ele (PM) também mantinha relação com Ocionira- ia acabar atrapalhando tanto na questão ‘profissional’ como amorosa de Ocionira e Leonardo. Em Teresina, ele (PM) ia acabar se aproximando de Ocionira que teria que se afastar de Leonardo, que não queria se afastar da mulher porque estava gostando dela como também porque ia ter cifras menores no negócio ilícito. Ambos sabiam do crime. A motivação tem relação com a vinda repentina de Claudemir”, explica.

 

Ocionira Barbosa se apresentou espontaneamente no Greco seis dias após o crime. Ela foi ouvida na forma de interrogada e foi liberada. O trabalho da polícia continuou de forma burocrática dentro do inquérito policial, reunindo provas que indicassem a participação dela de autoria e materialidade no envolvimento do crime. Leonardo Ferreira- que é funcionário da Infraero- permaneceu calado.

 

O presidente do inquérito policial explica que os últimos suspeitos de participação no homicídio não foram presos imediatamente por ter expirado o prazo de flagrante. Horas após a morte do cabo do Bope, no último dia 06, sete pessoas foram presas, incluindo os atiradores.

 

“O flagrante é no momento sumário, quando a gente tem informações concretas de quem está envolvido no flagrante delito. Os demais houve uma investigação e só após algumas diligências, ao fim do inquérito, constatou-se que eles também tinham participação”, explica Jung.

 

Nono envolvido era melhor amigo de mandante

 

A nona pessoa envolvida foi apontada como o instrutor de autoescola identificado como Wagner Falcão, que de acordo com o delegado, tinha conhecimento de toda a trama.

 

“O Wagner tinha conhecimento de detalhes básicos do crime, do envolvimento do Leonardo e Ocionira, entre outros fatos a mais, como a prática fraudulenta. Ele era muito próximo a Leonardo, era de beber com Leonardo, de tomar café com Leonardo e Ocionira. O Leonardo já havia mostrado a arma do crime várias vezes para o Wagner, que sabia da pessoa do Claudemir e que voltaria para Teresina”, explica Gustavo Jung.

 

Wagner Falcão também foi intimado a prestar depoimento como testemunha, assim como ocorreu com Maria Ocionira.

 

“Ele, inclusive, foi orientado sobre a questão do falso testemunho, no caso ele omitisse ou faltasse com a verdade dos fatos. O Wagner praticamente ignorou isso e relatou uma história totalmente diferente do que a gente tinha conhecimento. Naquele momento, a gente ainda não tinha indícios suficientes para comprovar que ele estava incidindo sobre falso testemunho, tanto que não fizemos o flagrante. Contudo, diligenciamos e encontramos ligação dele com o Leonardo”, explica

Na manhã desta sexta-feira (16) será concedida entrevista coletiva na sede da Delegacia Geral.

 

“O caso do Wagner é idêntica. Apuramos o crime de falso testemunho praticado pelo Wagner e encaminhado a Justiça. Agora vai depender do Ministério Público e da Justiça dizer se eles vão continuar em liberdade. O trabalho da Justiça era juntar provas, indicando que cada um deles teve participação no fato.A Justiça agora que vai ter que tocar o barco”, finaliza o presidente do inquérito, Gustavo Jung.

 

Cidade Verde

 

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