Mourão diz que policiais precisam dar ‘cota de sacrifício’ em PEC que retoma auxílio emergencial

Vice-presidente afirmou que agentes de segurança precisam compreender ‘situação fiscal’ do país. Categoria critica declaração e fala em ‘lockdown do funcionalismo’ O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira que policiais e outros agentes de segurança precisam “compreender a situação fiscal” do país e “dar sua cota de sacrifício”. Mourão comentou articulações para retirar profissionais da […]

Por Editoria Delegados

Vice-presidente afirmou que agentes de segurança precisam compreender ‘situação fiscal’ do país. Categoria critica declaração e fala em ‘lockdown do funcionalismo’


O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira que policiais e outros agentes de segurança precisam “compreender a situação fiscal” do país e “dar sua cota de sacrifício”. Mourão comentou articulações para retirar profissionais da área da chamada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) Emergencial, que impede aumento de salários e progressões durante momentos de crise financeira e permite a volta do pagamento do auxílio emergencial.

Em um aceno a policiais, que fazem parte da base de sustentação do governo, Mourão ressaltou que os agentes fazem parte de um “segmento extremamente importante”:

— Não resta dúvida que o segmento da segurança pública é um segmento extremamente importante, porque provê uma daquelas que são as necessidades básicas da nossa população — disse, ao chegar no Palácio do Planalto.

O vice-presidente, no tanto, afirmou que não pode haver um “tratamento desigual”:

— Mas, da mesma forma que a gente reclama que não pode ter tratamento desigual, as pessoas têm que compreender a situação fiscal em que o governo se encontra. Não só o governo federal, como os governos dos estados e municípios. E que é um momento de crise que requer medidas onde todos têm que dar sua cota de sacrifício. Acho que tem que haver uma comunicação a esse respeito para as pessoas compreenderem isso.

Policiais criticam declaração

A declaração de Mourão foi criticada por representantes das forças de segurança. Em coletiva promovida pela União dos Policiais do Brasil (UPB), que representa entidades de policiais de vários segmentos do país, instituições afirmaram que a categoria sempre deu sua cota de sacritício.

– Na PEC da Previdência, nós não vimos o senhor vice-presidente da República exigindo o sacrifico das categorias militares. Nós vimos em todos os momentos de arrocho dos policiais que estão na frente de batalha em todos os momentos, inclusive na pandemia, falas do governo federal dizendo de contribuições, de necessidade que as categorias dessem sua cota de participação — disse Edvanir Paiva, presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (AFPD), em coletiva de imprensa para comentar a aprovação da PEC que libera o auxílio.

Ele acrescentou:

— As categorias tiveram salários reduzidos a partir da reforma da previdência, estão com salários congelados, desde 2016 não têm tipo de negociação salarial, nem para reposição de perdas inflacionárias, e nosso povo está morrendo para trabalhar. Qual é mais o sacrifício que nós temos de fazer, vice-presidente da República?

A categoria está insatisfeita com a aprovação da proposta. A alegação é de que os gatilhos de congelamento de salários, contratações e progressões nas carreiras impõem um “lockdown ao funcionalismo”, especialmente das forças de segurança.

— Essa PEC decreta o lockdown da segurança pública e a categoria vai reagir — disse André Luiz Gutierrez, presidente da Confederação Brasileira dos Policiais Civis (COBRAPOL), que classificou a inclusão do auxílio emergencial no texto como um tipo de chantagem para forçar a votação.

A categoria não especificou que tipo de reação tomaria, mas descartou a possibilidade de greve. O argumento é que com a falta de efetivo e cumprindo estritamente o que diz a lei, a segurança pública no Brasil já paralisa.

— Não precisamos fazer greve, só podemos fazer um lockdown — disse Marcelo Azevedo, vice-presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF).

As forças policiais criticaram duramente o governo, dizendo que a gestão joga contra o funcionalismo e a segurança, por não cumprir as promessas de fortalecimento da categoria. A insatisfação, no entanto, não é um sinal de rompimento.

— Os policiais estão a disposição do estado brasileiro e acreditaram que esse governo respeitaria os policiais pelo discurso que o elegeu. Nós acreditamos que haveria uma valorização do profissional de segurança. Nunca vamos dizer que estamos desembarcando no governo porque nunca embarcamos em governo algum – declarou Paiva, da ADPF.

Para os policiais, a inclusão do dispositivo que viabiliza o pagamento da nova rodada do auxílio emergencial na PEC funcionou como instrumento de chantagem dos parlamentares para aprovação do texto, que vai arrochar o funcionalismo.

Os agentes ainda reclamam do tratamento dado aos profissionais de segurança que seguem trabalhando apesar da crise sanitária da Covid-19, mas não são considerados um grupo prioritário para a vacinação.

Bolsonaro defendeu blindagem

A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quarta, em primeiro turno, o texto principal da PEC Emergencial. Durante o dia, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), sinalizou que os deputados manteriam o texto já aprovado pelo Senado, sem concessões a corporações.

Agora, parlamentares ainda precisam analisar supressões ao texto, que podem desidratar a PEC. Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a blindagem a profissionais de segurança. Ele manifestou apoio à retirada do congelamento de salários da categoria. Em sentido contrário, a equipe econômica travou uma queda de braço para manter a austeridade da PEC.

Pela manhã e durante a tarde de terça-feira, as negociações de deputados ligados à segurança pública eram para tirar da proposta dispositivos que preveem a proibição das promoções automáticas de servidores em caso de crise fiscal. Apoiada pela oposição, a medida beneficiaria todos os funcionários públicos e não apenas a categoria de segurança pública.

Antes de publicar o relatório, Freitas confirmou a intenção de Bolsonaro de contemplar servidores da área.

— O presidente Bolsonaro queria ver (o atendimento) à segurança pública neste momento, mas nós entendemos que agora o plenário da Câmara é soberano. E nós vamos levar à apreciação dos deputados. O meu relatório vai neste sentido (de manter o texto do Senado) — disse Freitas.

 

O Globo

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

  

 

 

 

Veja mais

Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre direção da PF

Fachin suspende decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da PF e decisão de Dino que reintegrou diretor

Salário de agente, escrivão e investigador não pode ficar vinculado ao de delegado, decide STF

Supremo invalida vinculação da remuneração de policiais civis à de delegados de Polícia Civil

Dino determina reintegração de diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues

Flávio Dino reverte afastamento de cúpula da PF, critica 'decisão em causa própria' e aponta risco a investigações do caso 'Dark Horse'

Fenadepol e ADPF divulgam notas de repúdio após afastamento de dirigentes da Polícia Federal

Entidades Federais defenderam a preservação das prerrogativas institucionais do órgão

11 Diretores da Polícia Federal apoiam Andrei Rodrigues e entregam cargos

O pedido de vista não derruba a liminar de André Mendonça, que continua valendo. Com o afastamento de Andrei, o diretor-executivo da PF, William Murad, deve ficar interinamente na chefia

Advogado é preso após filmar pernas de guarda municipal em supermercado

(PI) Um advogado foi preso sob suspeita de importunação sexual. O homem teria filmado, com um telefone celular, as pernas de uma guarda municipal no supermercado Pão de Açúcar, na

Ministro André Mendonça afasta Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal

Ministro do STF diz que 'há mais de 30 dias tem sido monitorado pela Polícia Federal' e submete decisão para análise da Segunda Turma
Veja mais

Uso de algemas em advogado no ‘exercício da advocacia’: decisões jurídicas policiais adotadas

Tipicidade, metodologia de abordagem, itinerário de atos, captura, uso de algemas, condução e autuação

Piauí completa quatro meses consecutivos sem registros de latrocínio

02SET26 -
(PI) Dados da Segurança Pública apontam redução contínua nos últimos três anos

Aviator online: como a regulação brasileira enquadrou os crash games e o que isso muda para o jogador

01SET26 -
Em 2026, com mais de 25 mil URLs de plataformas bloqueadas pelo SPA e 550 contas bancárias encerradas, o mercado regulado tem ferramentas reais para fazer cumprir essas garantias, e

Promotor de justiça abandona apurações de concursos por temer pistolagem, CV e PCC

Promotor Coaracy (direita) é um nome conhecido no estado porque foi procurador-Geral de Justiça de Alagoas
(AL) Titular da 17ª Promotoria de Justiça da Capital/Fazenda Pública Estadual, Coaracy é um nome conhecido no estado porque foi Procurador-Geral de Justiça de Alagoas entre 2005 e 2008.

Designer cria camisa capaz de ‘esconder’ pessoas de câmeras de vigilância com IA

Designer Simon Weckert criou camisa capaz de esconder pessoas de câmeras de vigilância com IA
'Camisa havaiana mais feia já vista no planeta' de Simon Weckert impede que tecnologia identifique o usuário como um 'ser humano padrão'

Ministério Público de SC arquiva caso de policial que matou detenta dentro de viatura para salvar colega enforcada

MP POST270826 -
(SC) Investigação e perícia concluíram que agente disparou contra presa em legítima defesa para salvar motorista que estava sendo sufocada com algemas.

“Mãe te avisou”: mulher lamenta morte de filho após roubar delegado

(SP) Nas redes sociais, a mãe do jovem diz que sempre batalhou e ensinou os caminhos certos, mas acabou perdendo o filho para a ostentação
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.