Buscas e apreensões requeridas por CPI têm de ser fundamentadas

STF: Apenas as de caráter não domiciliar As deliberações das Comissões Parlamentares de Inquérito, a exemplo das decisões judiciais, têm de ser devidamente fundamentadas para que tenham eficácia jurídica. Com esse entendimento, baseado em precedentes do Supremo Tribunal Federal, o ministro Celso de Mello concedeu liminar no Mandado de Segurança (MS) 33663, para suspender […]

Por Editoria Delegados

STF: Apenas as de caráter não domiciliar

 

As deliberações das Comissões Parlamentares de Inquérito, a exemplo das decisões judiciais, têm de ser devidamente fundamentadas para que tenham eficácia jurídica. Com esse entendimento, baseado em precedentes do Supremo Tribunal Federal, o ministro Celso de Mello concedeu liminar no Mandado de Segurança (MS) 33663, para suspender a busca e apreensão de documentos e computadores nos escritórios das empresas do Grupo Schahin, aprovada pela CPI da Petrobras no Requerimento 849/2015, de autoria da deputada federal Eliziane Gama.

 

Segundo o relator, a justificação exposta no requerimento não atende às exigências estabelecidas pela jurisprudência do STF, “pois sequer indica um fato concreto que pudesse qualificar-se como causa provável apta a legitimar a medida excepcional da busca e apreensão, ainda que de caráter não domiciliar”. O ministro citou como precedente a decisão proferida pelo Plenário do STF no MS 23452, segundo a qual “nenhuma medida restritiva de direitos pode ser adotada pelo Poder Público, sem que o ato que a decrete seja adequadamente fundamentado pela autoridade estatal”.

 

De acordo com o relator, o STF tem advertido que as CPIs só estarão legitimadas a determinar medidas de busca e apreensão (e, assim mesmo, apenas as de caráter não domiciliar) se houver justificativa com suporte em fundamentação substancial, atendendo a dois requisitos: existência de causa provável e indicação de motivação apoiada em fatos concretos.

 

O ministro ressaltou, ainda, que a Constituição Federal (art. 58, parágrafo 3º) delimitou a natureza das atribuições institucionais das Comissões Parlamentares de Inquérito, restringindo-as ao campo da instrução probatória, excluídos, por conseguinte, determinados atos que só podem ser ordenados por magistrados e Tribunais, tais como a busca domiciliar, a interceptação telefônica e a decretação de prisão, ressalvada a situação de flagrância penal. “É por essa razão que a jurisprudência constitucional do STF tem advertido que as comissões parlamentares de inquérito não podem formular acusações nem punir delitos, nem desrespeitar o privilégio contra a autoincriminação que assiste a qualquer indiciado ou testemunha, nem decretar a prisão de qualquer pessoa, exceto nas hipóteses de flagrância”, afirmou.

 

Conforme o relator, mesmo nos casos em que for possível o exercício, pelas CPIs, dos poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, “ainda assim a prática dessas prerrogativas estará necessariamente sujeita aos mesmos condicionamentos, às mesmas limitações e aos mesmos princípios que regem o desempenho, pelos juízes, da competência institucional que lhes foi conferida pelo ordenamento positivo”.

 

Leia a íntegra da decisão.

 

RP/CR

 

STF

 

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

 

Veja mais

ADPF comunica mobilização nacional em defesa do encaminhamento do FUNCOC

ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) informa nova fase na Mobilização Nacional

I Congresso Nacional de Delegadas do Brasil “No Combate à Violência conta a Mulher”

Iniciativa da Adepol do Brasil reúne delegadas para debater estratégias, desafios e avanços, além de apresentar carta nacional com propostas institucionais

OAB ‘suspende’ advogado que foi preso após prejudicar trabalho de policiais em delegacia do DF

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro

Jean Nunes e Chico Lucas reforçam protagonismo na articulação pela PEC da Segurança Pública e fortalecimento do SUSP

Em agenda institucional, o presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Segurança e o Secretário Nacional da Segurança Pública evidenciam cooperação federativa, defenderam integração entre entes e destacaram estratégias conjuntas

Advogado que “estuprava” e “defecava” nas vítimas é preso após prejudicar trabalho de policiais na delegacia

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro

Secretário Nacional de Segurança Publica reforça compromisso de acabar com a impunidade e o crime organizado no Brasil

PEC fortalece a integração entre União, estados e municípios e garante financiamento para o enfrentamento da criminalidade

Governador do Piauí comemora aprovação da PEC da Segurança Pública na Câmara dos Deputados

(PI) A proposta visa melhorar a integração dos órgãos de segurança do país e garantir mais recursos para o setor.
Veja mais

Tudo o que você precisa saber sobre o Flagman Casino

O conjunto cobre usabilidade, segurança, pagamentos e ritmo de promoções, fornecendo um recorte prático para decisões de cadastro

Campanha do Sindicato dos Delegados escancara sucateamento da Polícia Civil e promessas não cumpridas de Tarcísio

(SP) Movimento teve início nessa terça-feira (24/2), em diversas cidades do interior paulista; com direito a outdoors espalhados nas principais vias do estado e ofensiva digital, Sindpesp fala em baixos

Por que a morte de líderes do crime organizado raramente desmantela suas estruturas?

Delegada Raquel Gallinati (diretora da Adepol do Brasil) e Delegado Rodolfo Laterza (presidente da Adepol do Brasil)
Por Raquel Gallinati e Rodolfo Laterza

Delegados da PCDF suspendem voluntário e cobram reajuste do governo

(DF) O principal motivo da mobilização dos delegados da PCDF é a falta de reajuste no valor pago pela hora do Serviço Voluntário Gratificado

Piauí amplia sistema de videomonitoramento com instalação de totem inteligente na Capital

(PI) Equipamento reúne monitoramento inteligente, integração entre as forças de segurança e participação direta da população, consolidando uma política pública moderna, orientada pelo uso estratégico de dados

II Conferência de Segurança Pública Ilab-Segurança 2026

(DF) A II Conferência de Segurança Pública - iLab Segurança 2026 ocorrerá de 3 a 6 de março de 2026, em Brasília-DF

Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), dezenas de invólucros de entorpecentes e o uso de drogas

A Consultoria Jurídica do Portal Nacional dos Delegados elaborou todos os modelos necessários para o delegado de polícia. O assinante poderá usar cada modelo e apenas colocar referências ou incluir
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.