Apartamento que seria usado por Geddel tinha R$ 42,6 milhões e US$ 2,6 milhões, segundo a PF

Esta é considerada a maior apreensão de “dinheiro vivo” já feita pelo órgão Dinheiro encontrado em Salvador foi contabilizado pela Polícia Federal (Foto: Divulgação/ PF) A Polícia Federal detalhou que o dinheiro encontrado na terça-feira (5) em um apartamento no bairro da Graça, em Salvador, que seria utilizado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, […]

Por Editoria Delegados

Esta é considerada a maior apreensão de “dinheiro vivo” já feita pelo órgão

 


Dinheiro encontrado em Salvador foi contabilizado pela Polícia Federal (Foto: Divulgação/ PF) 

 

A Polícia Federal detalhou que o dinheiro encontrado na terça-feira (5) em um apartamento no bairro da Graça, em Salvador, que seria utilizado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, foi contabilizado em R$ 42.643.500 e US$ 2.688.000 (R$ 8.387.366,40, segundo a cotação do dia de 1 dólar = 3,1203 reais). A soma dos valores em dólares e reais é de R$ 51.030.866,40.

 

A PF informou que a quantia localizada representa a maior apreensão de “dinheiro vivo” já feita pelo órgão. Um vídeo divulgado pela polícia mostra a contagem das cédulas (assista abaixo). Depois de contado, o valor deve ser encaminhado para uma conta judicial.

 

 

A ação de busca e apreensão que localizou a quantia, chamada de Tesouro Perdido, é um desdobramento das investigações sobre fraudes na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal, a operação Cui Bono.

 

Geddel cumpre prisão domiciliar há quase dois meses no apartamento dele, em Salvador, sem monitoramento eletrônico. A Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia (Seap) não dispõe de tornozeleiras. O órgão licitou um lote dos produtos e esperava que chegasse até o final de agosto, mas até esta quarta-feira (6) não foi entregue. O prazo para que a empresa contratada entregue as tornozeleiras é 20 de setembro.

 

O G1 tenta falar com a defesa de Geddel desde a terça-feira, mas não conseguiu contato até a manhã desta quarta (5). Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco entre 2011 e 2013, durante o governo de Dilma Rousseff. No governo Temer, ele foi ministro da Secretaria de Governo.

 

A prisão de Geddel foi decretada em julho. No pedido à Justiça, o Ministério Público Federal afirmou que Geddel é “um criminoso em série” e que faz dos crimes financeiros e contra a administração pública “sua própria carreira profissional”.

 

Veja a contagem do dinheiro encontrado dentro de malas e caixas em imóvel, em Salvador

 

As caixas e malas de dinheiro encontradas pela PF na terça estavam em um imóvel que fica na Rua Barão de Loreto, no bairro da Graça. O apartamento teria sido emprestado pelo dono do imóvel ao ex-ministro para que guardasse os pertences do seu pai, já falecido. Durante as investigações sobre Geddel, surgiu a suspeita de que ele estava usando o local para esconder provas de atos ilícitos e dinheiro em espécie.

 

A busca e apreensão no apartamento foi autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília. No mandado judicial, datado de 30 de agosto, consta que “há fundadas razões de que no supracitado imóvel existam elementos probatórios da prática dos crimes relacionados na manipulação de créditos e recursos realizadas na Caixa Econômica Federal”.

 

Prédio onde fica apartamento supostamente usado por Geddel é situado no bairro da Graça, em Salvador (Foto: Alan Oliveira/G1)

 

Um morador do edifício disse ao G1 que viu quando os policiais federais chegaram entre 6h e 7h desta terça-feira. Eles se dirigiram ao segundo andar do prédio.

 

A PF chegou ao apartamento onde o dinheiro foi encontrado depois que o Núcleo de Inteligências da Polícia Federal recebeu uma informação por telefone apontando que o local estaria sendo utilizada pelo ex-ministro para guardar caixas com documentos.

 

PF faz buscas em endereço de Salvador que seria, supostamente, utilizado por Geddel Vieira Lima como “bunker” para guardar dinheiro em espécie (Foto: Polícia Federal, Divulgação)

 

A Justiça Federal em Brasília aceitou, no final de agosto, denúncia da Procuradoria da República no Distrito Federal e transformou em réu o ex-ministro Geddel Vieira Lima por obstrução de justiça.

 

Geddel foi denunciado por tentativa de atrapalhar as investigações sobre desvios no FI-FGTS, o fundo de investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. A denúncia foi aceita pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília.

 

Em nota divulgada após a decisão da Justiça, a defesa de Geddel afirmou que: “Rechaça com veemência as fantasiosas acusações contidas na denúncia, fruto de verdadeiro devaneio e excesso acusatório. Tão logo notificado pelo juízo da 10ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, será apresentada a peça de defesa, oportunidade que demonstrará a inocorrência de qualquer ilícito e a necessidade de rejeição da inepta e inverídica acusação.”

 

Um dos ministros mais influentes no governo Temer, Geddel deixou a Secretaria de Governo em novembro do ano passado.

 

Na ocasião, ele foi acusado pelo então ministro da Cultura, Marcelo Calero, que também pediu demissão, de pressioná-lo para que a pasta determinasse a liberação de um empreendimento em Salvador onde Geddel comprou um apartamento.

 

Geddel era um dos principais responsáveis pela articulação política do governo Temer com deputados e senadores. Ele ficou no cargo por seis meses.

 

G1

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