Out 30, 2020

Policiais civis de São Paulo recebem munição antiga e armas dos anos 1980 para trabalhar

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Revólver modelo Rossi, recebido por novos agentes da Polícia Civil. SINDPESP/Reprodução

Mais de 200 agentes da Polícia Civil receberam revólveres dos anos 1980 e munições próximas à data de validade para trabalhar, segundo denúncia anônima feita ao Sindicato dos Delegados de São Paulo (Sindpesp). Prestes a integrarem o cargo de agentes de telecomunicações, os novos policiais ganharam revólveres Rossi, calibre .38, com décadas de uso. “Do tipo que poderia ir para um museu”, ironiza Raquel Gallinati, presidente do sindicato. “Em 2020, policiais estão iniciando a carreira com armamento de quando muitos deles sequer eram nascidos.”

Segundo os relatos, as armas estão enferrujadas e com desgastes pelo tempo de uso. Muitas não disparam devido à sujeira acumulada no cano.


Em seu Instagram oficial, o governador João Doria declarou que “devido à pandemia, houve prejuízo na formação de algumas turmas e nem todos os policiais concluíram os cursos de arma semiautomática. Por isso, estão recebendo revólver calibre .38, que estão em perfeitas condições de uso. Haverá possibilidade de substituição posteriormente. Com relação às novas aquisições de armamentos, a Polícia Civil receberá 4 470 pistolas austríacas Glock G22 e mais 20 000 unidades serão licitadas até 2022.”

Apesar da explicação, o sindicato ressalta que o curso feito pelos agentes incluiu normalmente o treinamento e habilitação necessários para manusear as armas semiautomáticas. “Essa declaração é falácia, demonstra o quanto o governador é desinformado”, rebate Raquel. Após a resposta inicial de João Doria, os agentes recém-formados receberam um comunicado da secretaria de cursos da Academia de Polícia informando que as pistolas serão trocadas na próxima semana — o que contraria a justificativa feita pelo governador envolvendo o treinamento.


Segundo denúncia, armamento antigo entregue aos novos agentes estava em condições precárias de uso. SINDPESP/Reprodução

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública disse que “o armamento foi recolhido e a substituição já está em andamento. Os revólveres foram atribuídos aos agentes de telecomunicações policiais pois, à época, esses alunos não haviam concluído o curso de armas semiautomáticas, obrigatório para o manuseio das pistolas. Os revólveres, fornecidos de forma temporária, estão em ótimo estado de conservação e em condições de uso. As munições pertencem ao mesmo lote das outras usadas pela Polícia Civil.”

“Parece que não existe limite para o escárnio do governo em relação à segurança pública do estado”, observa Raquel. “Sabemos que o crime está cada vez mais organizado e para combatê-lo o estado tem a obrigação de proporcionar equipamento superior.”

 

Veja SP

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