A Paraíba atravessa um dos momentos mais consistentes de sua história recente na área de segurança pública. Em meio a um cenário nacional marcado por operações de alto impacto, confrontos armados e disputas políticas em torno do tema, o estado segue um caminho distinto, baseado em integração entre forças, planejamento contínuo e resultados mensuráveis. O secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Francisco Bezerra Nunes, (Censo dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil, Categoria Gestão) explica os pilares dessa estratégia e defende um modelo de atuação distante do improviso e do discurso fácil.
O protagonismo recente da Paraíba no debate nacional ficou evidente após a abordagem exclusiva feita por O Norte Online, neste sábado, revelando o contato direto do novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, com o secretário paraibano. Segundo Jean Nunes, a ligação foi iniciativa do próprio ministro. “Logo que ele foi nomeado, nós colocamos uma nota no conselho, parabenizando e colocando o colegiado à disposição. Em seguida, ele nos ligou, foi muito cortês, muito gentil, e sinalizou esse desejo de aproximação”, relata.
À frente da Secretaria desde 2019 e presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Segurança Pública desde dezembro, Jean Nunes destaca que os resultados obtidos no estado não são fruto de ações pontuais, mas de uma política contínua. A Paraíba acumula reduções consecutivas nos índices de mortes violentas, incluindo homicídios, além de avanços consistentes em indicadores como apreensão de armas, combate ao tráfico de drogas e crimes contra o patrimônio. “A gente tem uma sequência de reduções no número de homicídios e outros indicadores muito positivos. Em 2025, mesmo com os dados ainda em consolidação, a redução deve ficar em torno de 4,5%”, afirma.
Segundo o secretário, o diferencial do modelo paraibano está na atuação integrada entre as instituições. Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Penal, Ministério Público, GAECO e Polícia Federal operam de forma articulada, com foco na prevenção, na inteligência e na contenção antecipada de facções criminosas. “Cada estado tem a sua realidade e precisa de um nível de enfrentamento adequado à sua própria dificuldade”, pontua.
As operações no Rio
É nesse contexto que Jean Nunes comenta as recentes operações no Rio de Janeiro, com extremo cuidado institucional. Ele evita qualquer crítica à condução da segurança naquele estado e faz questão de defender o trabalho do secretário fluminense, Victor dos Santos. “Eu confio muito na condução do secretário e da equipe dele. Eles adotaram as medidas que entenderam necessárias para aquela realidade específica”, afirma.
A crítica do secretário paraibano é direcionada ao uso político do episódio e à tentativa de comparação com a realidade da Paraíba. Para ele, não há espaço para importar modelos de forma automática. “A Paraíba tem um contexto totalmente diferente. Nós temos feito aqui um trabalho sério, integrado, de contenção e recuperação de áreas. Não existe como comparar realidades tão distintas”, diz.
Consequências do Turismo
O crescimento do turismo também entrou definitivamente no planejamento da segurança pública. Com João Pessoa e outros municípios recebendo um número cada vez maior de visitantes, o trabalho das forças de segurança passou a ser pensado de forma mais ampla. “O papel da segurança pública é criar um ambiente adequado para que o desenvolvimento aconteça. O turismo gera emprego, renda e exige de nós uma responsabilidade ainda maior”, explica Jean Nunes.
Sem pretensão política
Questionado sobre o futuro político, o secretário afasta qualquer pretensão eleitoral. Segundo ele, o compromisso é com a continuidade do trabalho técnico e institucional. “Minha missão é ajudar o governador e ajudar o Estado. Pretensão política, por hora, não existe. O foco é fortalecer aquilo que vem sendo construído”, afirma.
Em um momento em que a segurança pública voltou a ser tratada como palco de disputas e espetáculos, a Paraíba chama atenção por um motivo menos ruidoso, mas mais consistente: resultados sustentados ao longo do tempo. É esse caminho, segundo Jean Nunes, que explica por que o estado passou a ocupar espaço central no debate nacional sobre segurança pública.
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