Promotor e advogado discutem durante depoimento de testemunha

    Durante o depoimento de Renato Moreira Peixoto, testemunha de defesa de Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, o promotor Daniel Resende e o advogado de Gleyb da Cruz protagonizaram um bate-boca na Justiça Federal em Goiás. O desentendimento surgiu quando o advogado Douglas Dalto Messora questionava o termo “dedução” a dados contábeis na […]

Por Editoria Delegados

 

 

Durante o depoimento de Renato Moreira Peixoto, testemunha de defesa de Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, o promotor Daniel Resende e o advogado de Gleyb da Cruz protagonizaram um bate-boca na Justiça Federal em Goiás. O desentendimento surgiu quando o advogado Douglas Dalto Messora questionava o termo “dedução” a dados contábeis na fala da testemunha.

 

Resende esclareceu que ao mencionar “dedução”, Peixoto se referia a um relatório de contabilidade. O promotor argumentou que não queria indução na fala do depoente.

“O senhor fala e eu fico quieto. Fica o senhor quieto e eu falo”, disse o advogado Messora. “O senhor tem um bom defensor”, disse o advogado à testemunha, referindo-se ao promotor. “Não, eu sou fiscal da lei”, rebateu Resende. “O senhor é fiscal da lei e eu sou defensor”, disse Messora em tréplica.

Em seguida, o promotor acusou o advogado de querer induzir a resposta de Peixoto. “O senhor colocou palavras na boca da testemunha. Quem tem que se colocar no seu lugar é Vossa Excelência”, disse.

Na linha do deixa-disso, o juiz Alderico Rocha Santos acalmou os ânimos. Ao retomar o interrogatório, Messora deu uma última cutucada: “Vou tirar a palavra dedução que o ilustre procurador fica chateado”.

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

 

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