Por que a polícia brasileira elucida mais crimes que EUA, Canadá e Reino Unido?

O índice coloca o Brasil em posição superior a países como Estados Unidos (33,4%), Canadá (53,8%) e Reino Unido (5,7%), de acordo com dados oficiais e levantamentos divulgados pela imprensa internacional.

Por Editoria Delegados

Delegada Raquel Gallinati (diretora da Adepol do Brasil) e Delegado Rodolfo Laterza (presidente da Adepol do Brasil)

Uma pesquisa nacional conduzida pela Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol do Brasil) revelou que, em 2024, a taxa média de resolutividade dos inquéritos policiais no país chegou a *72,7%*. O índice coloca o Brasil em posição superior a países como Estados Unidos (33,4%), Canadá (53,8%) e Reino Unido (5,7%), de acordo com dados oficiais e levantamentos divulgados pela imprensa internacional.

A constatação contrasta com a percepção comum de que a polícia brasileira seria marcada pela impunidade. Mas o que explica essa diferença?

Estrutura e metodologia

O levantamento mostra que a resolutividade é medida pela proporção de inquéritos instaurados e concluídos, independentemente de autoria definida. Nos Estados Unidos, por exemplo, cada tipo penal tem metodologia própria de aferição. Crimes contra o patrimônio registram índices muito baixos — apenas 8% de elucidação em roubos de veículos — o que derruba a média geral.

No Brasil, a centralidade do inquérito policial na investigação criminal cria um filtro estatístico abrangente, que pode elevar a taxa de casos formalmente relatados ao Judiciário.

Contrastes regionais

O estudo também revela que não há homogeneidade no território nacional. Enquanto estados como Mato Grosso (95%), Mato Grosso do Sul (102,8%) e Amapá (90,4%) aparecem no topo, outros, como Piauí (37%) e Ceará (42,1%), ficam bem abaixo da média.

Nos homicídios dolosos, a média nacional foi de 67%, superando os 58% norte-americanos. Em Sergipe, a taxa chegou a 83,5%; em São Paulo, a *83,4%*.

Desafios estruturais

Apesar dos percentuais expressivos, a própria Adepol ressalta limitações. Os dados foram informados pelas próprias polícias estaduais, sob responsabilidade declaratória. Em alguns estados, houve entrega de informações parciais ou ainda em consolidação. Além disso, o déficit de efetivo permanece como obstáculo — em Rondônia, por exemplo, a defasagem chega a 72% em relação ao quadro previsto em lei.

Segundo o presidente da Adepol do Brasil, Rodolfo Queiroz Laterza, “o estudo mostra que, apesar de limitações metodológicas, há um padrão consistente de resolutividade que precisa ser considerado no debate sobre segurança pública”.

Reflexões

Mais do que uma disputa de estatísticas, os números expõem a complexidade do debate sobre eficiência policial. Se, por um lado, o Brasil mostra índices superiores a países ricos, por outro, enfrenta enormes desafios para uniformizar metodologias, garantir transparência e recompor seus quadros.

A pergunta que permanece é se esse desempenho pode se traduzir, de fato, em maior sensação de justiça para a sociedade. Porque resolver inquéritos é uma etapa essencial, mas a engrenagem da responsabilização criminal depende também da atuação do Ministério Público, do Judiciário e da política criminal como um todo.

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