Morre Maria Clementina de Souza, 1ª delegada de polícia negra de SP

SP: Delegada, de 64 anos, ativista dos direitos das mulheres e dos negros, faleceu na madrugada desta sexta-feira (14) em função de uma trombose Maria foi a 1ª delegada negra de SP A delegada da Polícia Civil de São Paulo Maria Clementina de Souza, primeira mulher negra a ocupar o cargo na história da instituição, […]

Por Editoria Delegados

SP: Delegada, de 64 anos, ativista dos direitos das mulheres e dos negros, faleceu na madrugada desta sexta-feira (14) em função de uma trombose

Maria foi a 1ª delegada negra de SP

A delegada da Polícia Civil de São Paulo Maria Clementina de Souza, primeira mulher negra a ocupar o cargo na história da instituição, morreu na madrugada desta sexta-feira (14), aos 64 anos, vítima de embolia pulmonar em função de uma trombose — que já havia causado a amputação da sua perna esquerda. A informação foi confirmada por familiares.

A doutora Clementina, como era chamada, passava o período da quarentena pela pandemia do novo coronavírus em Itanhandu, no sul de Minas Gerais, mas havia voltado para a capital paulista, há alguns dias, para buscar tratamento devido ao aumento das dores na perna direita.

A escrivã de polícia Luana Alexandrina Souza Nery, sobrinha da delegada, diz que a tia deixa um legado de luta por representatividade de gênero e igualdade racial.

“Mulher negra e delegada em São Paulo. Para você ver a luta e ousadia. Ela me inspirou. Fiz faculdade e prestei concurso por causa dela. Toda tia tem um pouco de mãe. Ela tinha um pouco de mãe para mim. Sempre forte. A mulher mais inteligente que conheci. Era a irmã mais velha [da família]. Cuidava de todos”, declarou Luana.

Colegas, entidades e associações de classe da Polícia Civil enviaram condolências pela morte da delegada, que trabalhou por mais de quatro décadas em vários departamentos e cidades no estado.

“Lamentamos profundamente o falecimento da Dra. Maria Clementina de Souza. Ela foi a primeira delegada de Policia preta em nosso estado. Atuou junto à 1ª Delegacia de Defesa da Mulher quando de sua criação, em 1989”, escreveu a delegada-geral adjunta Elisabete Sato, primeira mulher a assumir um cargo na diretoria da Polícia Civil paulista.

Raquel Kobashi Gallinati Lombardi, presidente do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), também enfatizou o pioneirismo da colega em sua homenagem.

“Foi a sétima mulher a ocupar o cargo de delegada de polícia no estado de São Paulo. Ela é um exemplo para a nossa sociedade pelo pioneirismo e pela coragem de trilhar uma carreira que, na época, era praticamente privativa de homens. Como mulher e delegada, tenho muito a agradecer, porque hoje posso exercer minha vocação graças à coragem da Dra. Maria Clementina ao ser uma das precursoras das mulheres na Polícia Civil”.

A Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) também manifestou pesar pelo falecimento da delegada, associada da entidade e titular da cadeira número 33 da Acadpesp (Academia de Ciências, Letras e Artes dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo).

“Dra. Maria Clementina se formou delegada em 2 de fevereiro de 1983, filiando-se à Adpesp sete dias depois, e foi a primeira delegada negra do estado de São Paulo. Durante sua trajetória, destacou-se pelo empenho no combate à violência doméstica; atuou na primeira DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) da capital; e foi titular da 6ª Delegacia de Proteção ao Idoso. A Associação presta toda solidariedade aos familiares e colegas de trabalho”, diz o texto.

História

Formada pela Faculdade de Direito de Guarulhos, na Grande São Paulo, Maria Clementina ingressou na Polícia Civil em 1976. Após atuar como escriturária temporária, prestou concurso para agente de telecomunicações, em 1978. Quatro anos depois, ela concluiu o curso de delegada. Em 1985, Maria Clementina se tornou delegada-assistente na 1ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), na Sé, região central de São Paulo.

Já em 2008, a delegada foi convidada a participar de programa profissional nos Estados Unidos com palestras em várias cidades do país sobre a presença do afro-descendente e de outras minorias no processo politico norte-americano.

Em 2013, Maria Clementina participou de um encontro de promotores, defensores públicos, delegados e conselheiros que atuam no enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. À época, ela atuava como titular da Delegacia de Proteção ao Idoso.

Ao longo da carreira de 43 anos na Polícia Civil, a delegada Maria Clementina trabalhou em departamentos nas cidades de Campinas, São Bernardo do Campo, Mauá, Guarulhos e São Paulo até se aposentar, em 2019.

O corpo da delegada foi cremado na tarde desta sexta-feira no Cemitério Jardim das Colinas, em São Bernardo do Campo, no ABC.

Sindpesp, Adpesp e R7

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