‘Mais seguro andar na favela’, diz em artigo de 2011 aluno da PUC baleado

    O aluno do curso de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Bruno Pedroso Ribeiro, de 23 anos, aborda em um artigo, escritos há dois anos, a mesma realidade da qual foi vítima nesta terça-feira (14), ao ser baleado no pescoço durante um assalto em Perdizes, na Zona Oeste.   […]

Por Editoria Delegados

 

 

O aluno do curso de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Bruno Pedroso Ribeiro, de 23 anos, aborda em um artigo, escritos há dois anos, a mesma realidade da qual foi vítima nesta terça-feira (14), ao ser baleado no pescoço durante um assalto em Perdizes, na Zona Oeste.

 

Com título “A ascensão do crime e a imobilidade do ‘estado'”, o texto foi escrito em um blog do Programa de Educação Tutorial (PET), grupo de estudos do curso. Em um comentário no texto, escrito em 8 de outubro de 2011, o estudante afirma: “Olhando inclusive para os últimos mapas dos crimes em São Paulo, por exemplo, podemos constatar que, em muitos casos, é mais seguro andar na favela de madrugada do que em áreas nobres das cidades”.

 

Câmeras registraram o assalto ao estudante na noite desta terça. As imagens mostram que o jovem, que voltava para casa, no bairro da Saúde, na Zona Sul, mexia no celular enquanto andava pela Rua João Ramalho, na Zona Oeste. O assaltante encostou a moto na calçada e deixou o motor ligado. Ele abordou o rapaz, que entregou o celular, mas ainda assim foi baleado no pescoço.

 

O estado de saúde do jovem era grave na manhã desta quinta-feira (16), segundo a assessoria do Hospital das Clínicas. Bruno teve que passar por duas cirurgias após o crime. A polícia não havia identificado o suspeito do roubo até esta quarta.

 

Reflexão

No texto de 2011, o estudante faz uma reflexão sobre o que é, na teoria, a definição de governo e Estado e de como, na prática, o sistema funciona. Bruno cita como exemplo a situação do domínio das facções criminosas em favelas brasileiras e se questiona se o grupo organizado seria um novo “Estado”, já que exerce o domínio sobre determinadas áreas.

 

“Basta apenas conversar com moradores dessas comunidades para descobrir que essas organizações criminosas fornecem serviços como alimentos, gás, remédios, emprego (informais, claro), e mais curiosamente, fornecem segurança e justiça, por mais arbitrária que seja. Elas, sem dúvida, possuem um poder de atração. São reconhecidas e legitimadas”, cita Bruno em uma das passagens do texto.

 

Ele chama a atenção no artigo para que as pessoas abram a mente para poder entender como, na realidade, a sociedade é estruturada. “Não sei, mas não acredito que as organizações criminosas, parcialmente organizadas, estão se constituindo como um Estado. Porém, sem sombra de dúvida, os conceitos que tomamos de Estado estão sendo abalados por fenômenos que não conseguimos explicar com a imobilidade desses mesmos conceitos que as pessoas assumem”, afirmou o jovem.

 

O texto foi escrito um mês depois de o jovem ter entrado no grupo de estudos.

 

A universidade divulgou uma nota sobre o assalto. Confira a íntegra:

 

“A PUC-SP se solidariza com a família de seu aluno Bruno, mais uma vítima da violência urbana da cidade de São Paulo, e torce pela recuperação do estudante. A direção da Universidade está em contato com seus familiares e já se colocou à disposição para ajudá-los a superar este momento difícil.

 

O assalto ao aluno, nos arredores de um de nossos seis campi, mostra mais uma vez que tem fundamento a preocupação da Reitoria com a segurança de seus alunos, professores e funcionários, dentro e nos locais próximos à nossa Universidade. É este cuidado com nossa comunidade que pauta, desde o início desta gestão, os encontros da Reitoria com os órgãos públicos responsáveis pela segurança da população, como as Polícias Civil e Militar, a Guarda Civil Metropolitana e os Conselhos de Segurança (Consegs) de Perdizes e da Lapa.

 

Acreditamos que a participação da nossa Universidade (e de toda a população em geral) no debate sobre o espaço público é primordial para que os órgãos competentes possam conhecer as necessidades de cada área e produzir ações específicas para os problemas de cada região.”

G1

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